Saturday, June 21, 2014

A culpa, essa eterna solteirona

(...)

É por isto tudo que não aceito a culpabilização sistemática dos mais pobres e mais fracos e da classe média, por terem vivido “acima das suas posses”, mesmo quando não o fizeram. E mesmo quando havia uma casa a mais, um carro a mais, um ecrã plano a mais, um sofá a mais, um vestido ou um fato a mais, umas férias a mais, uma viagem a mais, recuso-me a colocar estes “excessos” no mesmo plano moral dos “outros”.
(...)
A completa desresponsabilização sobre a crise dos últimos anos, desencadeada pelo sistema financeiro, mas de que no fim este veio a beneficiar, marca moralmente como uma doença a sociedade da crise em que vivemos. O que choca as pessoas comuns e é uma fonte enorme de descrença da democracia e de sentimento de injustiça propício a todos os populismos, é que ninguém imagina que um ministro, primeiro-ministro ou Presidente se fosse sentar à mesa com alguém que tivesse desviado uns poucos milhares dos seus impostos ou tivesse um restaurante, uma barbearia, ou uma oficina de automóveis em modo de “economia paralela”, enquanto todos os viram nos últimos anos, em plena crise, conviver agradecidos e obrigados com estes homens que aparecem agora nos jornais como se tendo “esquecido” de declarar milhões de euros ao fisco ou estando à frente de instituições bancárias que emprestaram a amigos e familiares muitos milhões de que não se sabe o rastro, e tinham contabilidades paralelas.

José Pacheco Pereira, in jornal "Público". O artigo completo aqui  

Music was my first love...

 

Ella Fitzgerald & Louis Armstrong - Summertime 

Tuesday, June 10, 2014

A cidade do silêncio

Na manhã de 10 de Junho de 1944 os tanques de soldados alemães chegam a Oradour-sur-Glane, pequena povoação de cerca de 1200 habitantes, perto de Limoges, França, e que se veio a tornar, na Europa Ocidental o símbolo da barbárie nazi.
Depois da guerra, o general De Gaulle decidiu que a aldeia não seria reconstruída, e se tornasse num memorial à dor da França durante a ocupação.

Numa (des)União Europeia cada vez mais distante dos ideais que estiveram na sua génese, onde os movimentos nacionalistas e de extrema-direita avançam com força um pouco por todo o lado, é pertinente recordar os horrores da guerra e os requintes de crueldade que foram antecedidos por um clima económico e social muito semelhante ao que vivemos actualmente.

Wednesday, June 04, 2014

Frases

"Olhei-te e fiquei sem palavras.
Eu, que não gosto nada
de ficar sem munições."
(Joaquim Pessoa, in “Ano Comum”)

Wednesday, May 21, 2014

Why?

"What if everything has been happening at exactly the right moment...?
Why certain people come into our lives?"
Once and again, Season 1, Episode 22

Sunday, May 18, 2014

What a wonderful world!...

A Terra vista da ISS às 14h33 GMT do dia 9 de Maio de 2014

Transmissão em directo (live streaming via USTREAM): por vezes a imagem aparece completamente negra, quando a ISS "atravessa" o hemisfério da Terra onde é noite, e por vezes aparece cinza, quando não há comunicação ou aquando da troca das câmaras video. É só carregar neste atalho.

Este link também é muito útil para sabermos a localização exacta da ISS.

Friday, May 16, 2014

In Memoriam

Fez quatro anos no passado dia 14 de Maio que morreu José Luís Saldanha Sanches.


Num país dominado por oportunistas e por meia dúzia de famílias que não tiveram a coragem - ou a lucidez - de acompanhar a frenética evolução da sociedade em que vivemos, depressa são esquecidos os homens e as mulheres que conseguiram marcar o seu tempo, isto é, que efectivamente deixaram obra feita e, além disso, deram exemplos de honradez e desinteresse por honrarias mesquinhas, com que tantas vezes foram aliciados...

Aqui fica a minha singela homenagem, na forma deste poema de Sophia de Mello Breyner, que eu encontrei no "Elogio" feito pela esposa Maria José Morgado:

”Apesar das ruínas e da morte,
Onde sempre acabou cada ilusão,
A Força dos teus sonhos é tão forte,
Que tudo renasce a exaltação
E nunca as minhas mãos ficam vazias”.

Friday, April 25, 2014

Onde é que você estava no 25 de Abril de 1974?

Eu estava a estudar em Coimbra, frequentava o então Liceu Normal D. João III, hoje Liceu José Falcão. É claro que nesse dia - e nalguns subsequentes - não houve aulas. Cerco à Pide de Coimbra, manif's, RGA's, caça aos "reaças"...
Era tudo "novidade" para quem estava completamente "a leste" da política, só  mais tarde me apercebi do que era a máquina oleada da UEC/JC (juventude comunista PCP), por onde passaram muitos dos actuais políticos e das chamadas figuras públicas.

Já o Luiz Pacheco, um dos mais irreverentes (e esquecidos) escritores do séc. XX, relata assim o "seu" 25 de Abril:

(...)
"Meto à Rua Viriato e vou até ao quartel de Santa Marta (todas as tascas fechadas até ali). Dá-me vontade de rir ver os cabeças de nabo reunidos lá dentro, a falarem uns com os outros (é que obedeceram às ordens?). Mas logo ao lado há uma tasca restaurante, porta meio aberta, com gente e muito movimento (guardas a beber, outro a telefonar para casa e sossegar a mulher (?), diz que não há azar). Bebo uma Sagres e como uma sandes. E avanço para a linha de fogo, que não sei onde é. Metros andados, ouvem-se ao longe tiros e rajadas de metralhadora. Tipos que fogem. Mas onde será o tiroteio? Como a coisa parou, continuo a andar. Até que encontro, já não sei onde, o Almeida Santos e um tipo que é revisor no Diário de Lisboa ou no Popular, já não sei. Metemo-nos num táxi que sobe pela Calçada do Carmo. Mas logo populares avisam (ah, entretanto, perto do Tivoli, já tinha comprado um Diário de Notícias, com mais informes) que a rua está bloqueada. O carro faz marcha-atrás e mete (por onde?) para o Bairro Alto. Bebemos não sei o quê numa tasca, o revisor vai à vida, o Almeida Santos pira-se e eu avanço para os lados do Carmo. Na Rua da Misericórdia, muita gente, tropa e um tanque de respeito. Da janela da Redacção da República, o Vítor Direito e o Afonso Praça (aquele grita-me: “estás muito bonito hoje!”, eu levava o sujíssimo albornoz que me deu o Artur), noutra varanda o Álvaro Belo Marques, a quem pergunto: “como é que se entra para aí?”, porque a porta da escada da República está fechada. “Vai pelas traseiras!”. Vou mas também está fechada e logo à esquina aparece um vendedor com a última da República. É um verdadeiro assalto. Aí fico a saber dos chefes (Costa Gomes e Spínola) e o alvoroço é enorme. Já não sei bem: se vim ao Rossio, se de repente notei uma grande correria para o Terreiro do Paço. Sem perceber nada do que se passa, sigo a onda. No Terreiro do Paço, começa a chover. Há correrias e encontro uma rapariga que me conhece muito bem mas não topo logo."
(...)

O artigo completo aqui, via Centro de Documentação 25 de Abril

Thursday, April 24, 2014

Friday, April 18, 2014

Saturday, April 12, 2014

Há pessoas negligentes

Une blonde rentre chez elle après avoir fait du
shopping et elle entend des bruits bizarres venant de la
chambre à coucher.
Elle se précipite en haut et trouve son mari tout nu,
allongé sur le lit, en sueur et tout essoufflé.
Elle lui dit:
- Mais qu'est-ce qui se passe ?
Le mari lui répond:
- Je suis en pleine crise cardiaque
La blonde se précipite en bas pour appeler les
urgences, mais au moment de faire le numéro, son fils
de 4 ans arrive et dit:
- Maman, Maman, Tante Béa se cache dans ton
armoire et elle est toute nue.
La blonde raccroche brutalement et monte en vitesse
dans la chambre, ouvre la porte de l'armoire
violemment et, pour sûr, y trouve sa soeur,
complètement nue et recroquevillée par terre et elle
dit:
- Salope ! Mon mari est en train d'avoir une crise
cardiaque et tu joues à cache-cache avec les enfants...

Sunday, March 09, 2014

No limiar do desconhecido

(...) According to the paper, this woman enters her out-of-body state right before sleeping, visualizing herself from above. She started doing so during naptime in preschool, they write. She currently only does it sometimes. 
The researchers wrote in the paper:
She was able to see herself rotating in the air above her body, lying flat, and rolling along with the horizontal plane. She reported sometimes watching herself move from above but remained aware of her unmoving "real" body...
O artigo completo aqui

O que vale saber línguas...

Um  alemão, procurando orientação sobre o caminho, pára o carro ao lado de outro com dois alentejanos dentro.
O alemão pergunta:
- 'Entschuldigung, können sie Deutsch sprechen?'
Os dois alentejanos ficaram mudos.
Tentou de novo:
- 'Excusez-moi, parlez vous français?'
Os dois continuaram a olhar para ele impávidos e serenos.
- 'Prego signori, parlate italiano?'
Nada por parte dos alentejanos.
- 'Hablan ustedes español?'
Nenhuma resposta.
- 'Please, do you speak English?'
Nada....
Angustiado, o alemão desiste e vai-se embora.

Um dos alentejanos vira-se para o outro e diz:
- Talvêz devêssemos aprenderi uma língua estrangêra...

- Mas p'ra quê, compadri?  Aquele gajo sabia cinco e adiantou-lhe alguma coisa? 

Saturday, February 22, 2014

Portugal contemporâneo na óptica de Adriano Moreira

Adriano Moreira tem 91 anos. Nunca viu um Portugal assim. Nunca viu um mundo assim. Fala da decadência do mundo ocidental, não fala apenas de políticos e de políticas ruinosas. Não deixa, contudo, de sublinhar que “não é com fórmulas aritméticas que se governam os países”. Fala de um princípio de solidariedade que ainda é a marca maior da identidade europeia. Onde vai ele? Nesta entrevista, fala-se do futuro com um homem que já viveu muito. E que usa expressões como “remédios” quando aponta soluções para um país em estado comatoso. Somos um corpo doente? A revolução está iminente? A resposta talvez esteja, como sempre está, quando se trata de grandes cataclismos, na fome.

É um pouco extensa mas vale a pena ler a entrevista completa 

Friday, February 14, 2014

Happy Valentine's

"Le Baiser de l'hôtel de ville", Paris 1950 - Robet Doisneau

"Comportamo-nos como se as pessoas de quem gostamos fossem durar para sempre. Em vida não fazemos nunca o esforço consciente de olhar para elas como quem se prepara para lembrá-las. Quando elas desaparecem, não temos delas a memória que nos chegue. Para as lembrar, que é como quem diz, prolongá-las. A memória é o sopro com que os mortos vivem através de nós. Devemos cuidar dela como da vida.
Devemos tentar aprender de cor quem amamos. Tentar fixar. Armazená-las para o dia em que nos fizerem falta. São pobres as maneiras que temos para o fazer, é tão fraca a memória, que todo o esforço é pouco. Guardá-las é tão difícil. Eu tenho um pequeno truque. Quando estou com quem amo, quando tenho a sorte de estar à frente de quem adivinho a saudade de nunca mais a ver, faço de conta que ela morreu, mas voltou mais um único dia, para me dar uma última oportunidade de a rever, olhar de cima a baixo, fazer as perguntas que faltou fazer, reparar em tudo o que não vi; uma última oportunidade de a resguardar e de a reter. "

Miguel Esteves Cardoso

Sunday, February 02, 2014

Music was my first love...



Take five foi uma das minhas "portas de entrada" para o mundo do jazz

Friday, January 31, 2014

Momentos de humor


É um pouco longo mas vale a pena ver até ao fim! Tá demais!...

Thursday, January 30, 2014

A velha Academia

Nos tempos em que passei por Coimbra na qualidade de estudante não havia praxes, a Academia estava de luto por motivos políticos, como se sabe.
Praticamente ninguém usava o traje, até porque os raríssimos estudantes que se atreviam a tal eram muito mal vistos, quiçá mesmo marginalizados.
Quando essas tradições ressurgiram, muitos anos mais tarde depois do 25 de Abril, nunca atribuí especial importância - mesmo até quando a minha filha a elas aderiu de alma e coração, certamente por influência dos amigos e companheiros da altura, e não porque ela tivesse necessidade de tal para se "integrar" no meio estudantil.
As humilhações e as atitudes de subserviência sempre me causaram repugnância, assim como certos exageros, nomeadamente os do foro alcoólico, que se verificam nâo só nas chamadas festas maiores - a Latada e a Queima das Fitas - mas praticamente durante todo o ano escolar.
Revejo-me completamente neste artigo de José Pacheco Pereira, de que transcrevo algumas passagens:
 
"É-me pessoalmente repugnante o espectáculo que se pode ver nas imediações das escolas universitárias e um pouco por todo o lado nas cidades que têm população escolar, de cortejos de jovens pastoreados por um ou dois mais velhos, vestidos de padres, ou seja, de “traje académico”, em posturas de submissão, ou fazendo todo o género de humilhações em público, não se sabe muito bem em nome de quê.
...
Ao institucionalizar a obediência aos mais absurdos comandos, a humilhação dos caloiros perante os veteranos, a promessa era a do exercício futuro do mesmo poder de vexame, mostrando como o único conteúdo da praxe é o da ordem e do respeito pela ordem, assente na hierarquia do ano do curso. Mas quem respeita uma hierarquia ao ponto da abjecção está a fazer o tirocínio para respeitar todas as hierarquias. Se fores obediente e lamberes o chão, podes vir a mandar, quando for a tua vez, e, nessa altura, podes escolher um chão ainda mais sujo, do alto da tua colher de pau. És humilhado, mas depois vingas-te. " 
 
O artigo completo aqui.  
  

Friday, January 17, 2014

Monday, December 30, 2013

Friday, December 27, 2013

Music was my first love...

WAR - 5 de Mayo

Mais vale terminar o ano com humor

Ia uma freira a caminho do convento quando uma flamante loira lhe ofereceu boleia. A freira entra no carro e começa a reparar no seu luxuoso interior:
- Mas que belo carro a senhora tem! Deve ter trabalhado muito arduamente para o conseguir comprar...
- Olhe irmã, por acaso não foi bem assim. Foi um industrial com quem dormi durante uns tempos que mo ofereceu!
Entretanto, a freira olha para o banco de trás onde estava pousado um luzidio casaco de vison e exclama:
- Oh! O seu casaco de peles é lindo! Deve ter custado uma fortuna.
- Não me custou muito pois bastou-me passar umas quantas noites com um futebolista.
Após ouvir isto, a freira manteve-se calada durante o resto da viagem. Ao chegar ao convento, foi para os seus aposentos tomar um revigorante banho.
Estava a freira na banheira quando ouve alguém a bater a porta do seu quarto.
- Quem é?
- Sou eu, o padre Afonso.
- Sabes uma coisa? Vai-te foder, tu mais os teus rebuçados de menta!!!

Tuesday, December 10, 2013

A Ana teve coragem mas lixou-se (ou lixaram-na)

Num país "a sério" certamente que notícias destas tinham obrigatoriamente consequências: no mínimo apurava-se se havia alguma veracidade por detrás das acusações. Por cá vamos encolhendo os ombros, chamamos-lhes alguns nomes menos bonitos, e até há quem os louve ("eles é que nos ensinam como é que se sobe na vida").
A mim espanta-me uma certa falta de coerência: as pessoas e os salvo-seja empresários que mais criticam as "gorduras" e o peso do Estado Social são os que mais gostam de mamar na teta estatal...



Viver acima das possibilidades, blah blah blah, blá blá blá... 


Se o chico-espertismo pagasse imposto, Portugal já tinha saído da recessão (ou nunca tinha entrado).

Sunday, December 08, 2013

Friday, December 06, 2013

Monday, November 25, 2013

Americanices...

CRIANÇA: Presidente Obama, Presidente Obama, o meu pai diz que o senhor anda a espiar as pessoas...
OBAMA: Deixa-me dizer-te uma coisa rapazinho: ele nem sequer é teu pai.

Saturday, November 23, 2013

Para ouvir, reflectir e divulgar


No discurso mais aplaudido da noite, Pacheco Pereira na Aula Magna em "defesa da nossa Pátria amada"

Wednesday, November 20, 2013

Music was my first love...

Em defesa do Tribunal Constitucional

(...) Eu revejo-me em coisas mais fundamentais, mais simples e directas, que também a Constituição protege e de que, por péssimas razões, hoje o Tribunal Constitucional é o último baluarte. O Tribunal Constitucional é hoje esse último baluarte, o que por si só já é um péssimo sinal do estado da democracia, porque todas as outras instituições que deviam personificar o “bom funcionamento” da nossa democracia ou não estão a funcionar, ou estão a funcionar contra. Refiro-me ao Presidente da República, ao Parlamento e ao Governo. E refiro-me de forma mais ampla ao sistema político-partidário que está no poder e em parte na oposição. Quando falha tudo, o Tribunal Constitucional é o último baluarte antes da desobediência civil e do resto. Se me faço entender.
...
Em nome de um “estado de emergência financeira” que umas vezes é dramatizado quando convém e outras trivializado quando convém, seja para justificar impostos, cortes de salários e pensões, na versão “estado de sítio”; ou para deitar os foguetes com o 1640 da saída da troika e do “milagre económico”, na versão “já saímos do programa”, considera-se que nada vale, nem leis, nem direitos, nem justiça social.
...
Eu revejo-me numa democracia que assente num pacto social, justo e redistributivo, que é a essência do conteúdo do programa do PSD e do pensamento genético de Sá Carneiro, que se traduz numa sociedade em que a “confiança” garanta os contratos, seja para o mundo do trabalho, dos pensionistas e reformados, como o é para a defesa da propriedade contra o confisco. O que não aceito é que se considere que a “confiança” valha apenas para os contratos “blindados” das PPP, para os contratos swaps, para proteger os bancos, para dar condições leoninas nas privatizações e taxas disfarçadas para garantir que um governo que prometeu privatizar a RTP faça os portugueses pagar mais para controlar parte da comunicação social. Ora, escrito ou não escrito na Constituição, o espírito de uma Constituição de um país democrático tem de proteger esses princípios, que são mais do que isso, são valores numa democracia.
...
A principal decisão do Tribunal Constitucional, seja sobre que matéria for das que lhe forem enviadas, sejam as pensões, as reformas, os salários, seja a legislação laboral, seja a “convergência” do público e privado, seja o que for, terá sempre um essencial pressuposto anterior: está o Tribunal Constitucional disposto a permitir o “vale tudo” que lhe é exigido pelo Governo e os seus amigos nacionais e internacionais, ou coloca-lhe um travão em nome da lei e da democracia?

É a mais política das decisões? É. E em muitos momentos da História foi o falhanço do sistema judicial último que permitiu o fim das democracias. O melhor exemplo foi o da Alemanha diante dos nazis e do seu ostensivo desprezo pela lei face à força.

José Pacheco Pereira in Abrupto. O artigo completo aqui.

Wednesday, November 06, 2013

Desabafo quase pornográfico

Carta da Marisa Moura à administração da Carris

Exmos. Senhores
José Manuel Silva Rodrigues, Fernando Jorge Moreira da Silva, Maria Isabel Antunes, Joaquim José Zeferino e Maria Adelina Rocha

Chamo-me Marisa Sofia Duarte Moura e sou a contribuinte nº 215860101 da República Portuguesa.
Venho por este meio colocar-vos, a cada um de vós, algumas perguntas:

1.Sabem que o aumento do vosso vencimento, num total extra de 32 mil euros, fixado pela comissão de vencimentos, numa altura em que a empresa apresenta prejuízos de 42,3 milhões e um buraco de 776,6 milhões de euros, representa um crime previsto na lei sob a figura de gestão danosa?
2.Terão  a mínima noção de que há mais de 700 mil pessoas desempregadas em Portugal, neste momento, por causa de gente como os senhores que, sem qualquer moral, se pavoneiam em automóveis de luxo que, neste momento, custam 4.500 euros por mês a todos os contribuintes?
A dívida do país está acima dos 150 mil milhões de euros, o que significa que eu estou endividada em 15 mil euros.
Paguei em impostos no ano passado 10 mil euros. Não chega nem para a minha parte da dívida colectiva.

É com pessoas como os senhores, a esbanjar desta forma o nosso dinheiro, que os impostos dos contribuintes não vão chegar nunca para pagar o que realmente devem pagar - o bem-estar colectivo.
As vossas caras estão publicadas no site da empresa.Todos os portugueses sabem, portanto, quem são.
Quando pararem num semáforo vermelho, conseguirão enfrentar o olhar do condutor ao lado, estando os senhores ao volante de uma viatura paga com dinheiro que a empresa não tem e que é paga às custas da fome de milhares de pessoas, velhos, adultos, jovens e crianças?

Para os senhores auferirem do vosso vencimento, agora aumentado ilegalmente, e demais regalias, há 900 mil pessoas a trabalhar (inclusive em empresas estatais como a "vossa") sem sequer terem direito a Baixa se ficarem doentes, porque trabalham a recibos verdes.
Alguma vez pensam nisto?
Acham genuinamente que o trabalho que desempenham tem de ser tamanhamente bem remunerado ao ponto de se sobreporem às mais elementares necessidades de outros seres humanos?

Despeço-me sem grande consideração, mas com alguma esperança que consiga reactivar alguns genes da espécie humana que terão, com certeza, perdido algures, no decorrer da vossa vida.

Marisa Moura

Tuesday, November 05, 2013

O padre e a pecadora

- Padre, perdoa-me porque pequei (voz feminina)
- Diga-me filha, quais são os teus pecados?
- Padre, o demonio da tentação se apoderou de mim, pobre pecadora.
- Como é isso filha?
- É que quando falo com um homem, tenho sensações no corpo que não saberia descrever…
- Filha, apesar de padre, eu também sou um homem…
- Sim, padre, por isso vim confessar-me contigo.
- Bem filha, como são essas sensações?
- Não sei bem como explicá-las - neste momento meu corpo se recusa a ficar de joelhos e necessito ficar mais a vontade.
- Sério??
- Sim, desejo relaxar - o melhor seria deitar-me…
- Filha, deitada como?
- De costas para o piso, até que passe a tensão…
- E que mais?
- É como um sofrimento que não encontro palavras.
- Continue minha filha.
- Talvez um pouco de calor me alivie…
- Calor?
- Calor padre, calor humano, que leve alívio ao meu padecer…
- E com que frequência é essa tentação?
- Permanente padre. Por exemplo, neste momento imagino que suas mãos massageando a minha pele me dariam muito alívio…
- Filha?!
- Sim padre, me perdoa, mas sinto necessidade de que alguém forte me estreite em seus braços e me dê o alívio de que necessito…
- Por exemplo, eu?
- Sim padre, você é a categoria de homem que imagino poder me aliviar.
- Perdoa-me minha filha, mas preciso saber tua idade...
- Setenta e quatro, padre.
- Filha, vai em paz que o teu problema é reumatismo...

Friday, October 25, 2013

Sim, por favor

Uma mão quente.
Uma casa quente.
Um pullover quente
para cobrir meus pensamentos gelados.
Um corpo quente
para cobrir o meu corpo.
Uma alma quente
para cobrir a minha alma.
Uma vida quente
para cobrir a minha vida gelada.
Sonia Akesson, In blogue Modus Vivendi 

Friday, October 18, 2013

50 Anos de História e de "Pugresso"...

Hoje felizmente já não há "bidonvilles" mas há cada vez mais portugueses a viver em contentores, por essa Europa fora, em péssimas condições de habitabilidade, e num total desenraizamento social. Quase 50 anos passados sobre esta triste realidade, assistimos impassivelmente ao esvaziar do que um país tem de melhor: a sua juventude! Mas o quê: aquilo que deveria ser um grave problema para os nossos governantes resolverem, é afinal a saída mais fácil e imediata, para combater a enorme taxa de desemprego e as legítimas frustrações dos nossos jovens: o incentivo à emigração!


Fotografia de Gérard Bloncourt, 1964.

Sunday, October 13, 2013

Perdão, V.Ex.a disse vergonha...?!

Rui Machete não disse inverdades, não cometeu incorrecções factuais, não teve afirmações menos felizes. Rui Machete mentiu. Pôs aquela cara de enfatuado e aquele ar de quem pensa estar acima da ignorante plebe, e mentiu com quantos dentes tem na boca. Aldrabou os angolanos, aldrabou os portugueses, aldrabou toda a gente quando disse conhecer pormenores de assuntos em segredo de justiça. Mentiu descaradamente e sem hesitações quando afirmou ter pedido informações ao Ministério Público. Mentiu chamando mentirosa à procuradora-geral. Também podíamos pôr a hipótese de ser Joana Marques Vidal quem mentiu. Mas, convenhamos, entre a procuradora e um senhor que se esqueceu de referir que tinha sido accionista de uma organização a que pertencia, e até aos órgãos sociais, e que lhe pagava em notas ou em seguros de vida, talvez me incline a pensar que o mentiroso nesta história é o Dr. Machete. Ou então Machete disse a verdade.
(...)
Pensando bem, a falta de vergonha, o desplante que Machete exibiu na Assembleia da República, a ausência de competência, o desprezo por valores fundamentais, não surpreende ninguém. É só mais um exemplo do irregular funcionamento das instituições. O Presidente da República está bem, obrigado.

Pedro Marques Lopes escreve no DN: o artigo completo.

Tuesday, October 08, 2013

Nobel Prize for Physics 2013 - Ganharam os favoritos


François Englert and Peter W. Higgs are jointly awarded the Nobel Prize in Physics 2013 for the theory of how particles acquire mass. In 1964, they proposed the theory independently of each other (Englert together with his now deceased colleague Robert Brout). In 2012, their ideas were confirmed by the discovery of a so called Higgs particle at the CERN laboratory outside Geneva in Switzerland.

The awarded theory is a central part of the Standard Model of particle physics that describes how the world is constructed. According to the Standard Model, every­ thing, from flowers and people to stars and planets, consists of just a few building blocks: matter particles. These particles are governed by forces mediated by force particles that make sure everything works as it should.

The entire Standard Model also rests on the existence of a special kind of particle: the Higgs particle. This particle originates from an invisible field that fills up all space. Even when the universe seems empty this field is there. Without it, we would not exist, because it is from contact with the field that particles acquire mass. The theory proposed by Englert and Higgs
describes this process.

On 4 July 2012, at the CERN laboratory for particle physics, the theory was confirmed by the discovery of a Higgs particle. CERN’s particle collider, LHC (Large Hadron Collider), is probably the largest and the most complex machine ever constructed by humans. Two research groups of some 3,000 scientists each, ATLAS and CMS, managed to extract the Higgs particle from billions of particle collisions in the LHC.

Even though it is a great achievement to have found the Higgs particle — the missing piece in the Standard Model puzzle — the Standard Model is not the final piece in the cosmic puzzle. One of the reasons for this is that the Standard Model treats certain particles, neutrinos, as being virtually massless, whereas recent studies show that they actually do have mass. Another reason is that the model only describes visible matter, which only accounts for one fifth of all matter in the cosmos. To find the mysterious dark matter is one of the objectives as scientists continue the chase of unknown particles at CERN.
by Danielle Wiener-Bronner, Reuters 

Monday, October 07, 2013

Indeed


Ideias natalícias

- Estouuuu... é da GNR?
- É sim, em que posso ajudá-lo?
- Queria fazer quexa do mê vizinho Maneli. Ele esconde droga dentro dos troncos da madeira pra larera.
- Tomámos nota. Muito obrigado por nos ter avisado.
No dia seguinte os guardas da GNR estavam em casa do Manel. Procuraram o sítio onde ele guardava a lenha, e usando machados abriram ao meio todos os toros que lá havia, mas não encontraram droga nenhuma. Praguejaram e foram-se embora.
Logo de seguida toca o telefone em casa do Manel.
- Oh Maneli, já aí foram os tipos da GNR?
- Já.
- E racharam-te a lenha toda?
- Sim!...
- Então feliz Natal, amigo! Esse foi o mê presente deste ano!

Tuesday, October 01, 2013

Afinal o crime compensa...?

(...) "Mencionei também que a Comissão não mexeu um dedo para impedir o Regime Especial de Regularização Tributária III (Orçamento de Estado de 2012), que beneficiou os perpetradores de fraude e evasão fiscais com uma amnistia dos seus crimes, permitindo-lhes legalizar os capitais transferidos para paraísos fiscais e não declarados às autoridades tributárias, sem ter de os repatriar e mediante o pagamento de uma escandalosamente baixa taxa de 7.5%. Esta taxa valeu ao Estado apenas 258 milhões de euros, face aos mais de 3 mil milhões de euros identificados em contas no exterior - onde se acumulam muitos mais milhares de milhões, desviados do investimento e da economia em Portugal. O RERT III, sublinhe-se, não implica a identificação pública do beneficiário/detentor, nem cuida de apurar a origem, lícita ou ilícita, dos capitais legalizados, tratando-se de uma autêntica operação de lavagem de dinheiro, com selo de aprovação do Estado português, da Comissão Europeia e do BCE. Isto é, num Portugal intervencionado pela Troika, quem cometeu fraude e evasão fiscal, colocando capitais ilegalmente no exterior, acabou por ver perdoados os crimes fiscais e outros e ainda por ser beneficiado pelo Estado com um regime de total sigilo, impunidade e benefício fiscal."

Ana Gomes, eurodeputada, in Causa Nossa 

Thursday, September 26, 2013

A Banca que temos - 2

(...) Compreendemos, obviamente, que a administração do BES não goste de ver escrito que dois dos seus principais administradores foram constituídos arguidos por suspeitas do crime de inside trading, percebemos que o BES não queira que se saiba que o dr. Ricardo Salgado, presidente executivo, e o dr. Morais Pires, administrador executivo, fizeram rectificações dos respectivos IRS de 2011 num valor que supera os 9,6 milhões de euros na sequência do processo Monte Branco, entendemos que a liderança do BES prefira que não sejam conhecidas declarações de três administradores da Escom que, após serem informados da sua condição de arguidos por corrupção activa, branqueamento de capitais e tráfico de influências, afirmaram que actuaram sempre com “o total conhecimento e concordância dos seus então accionistas”, isto é, o Grupo Espírito Santo.

Compreendemos igualmente que a administração do BES prefira não fazer comentários ao facto de o dr. Ricardo Salgado ter sido remunerado em 8,5 milhões de euros através de uma offshore por uma consultoria externa realizada a um cliente do banco
.
Compreendemos, enfim, que estes factos sejam incómodos para a liderança do BES. Mas uma coisa o BES não pode esperar: que os jornalistas tenham medo do seu poder financeiro e deixem de exercer a sua profissão. (...)

Nota da direcção do jornal i. O artigo completo aqui

A Banca que temos - 1

Concertação

É seguramente ignorância minha e porventura da grande. Mas, vejamos. Os bancos, o sector financeiro, pertencem à economia, certo? E até têm um peso significativo. E há uma associação que representa os seus patrões, não é verdade? Então, porque é que a respectiva associação não está na Concertação Social? Seria particularmente interessante, nos tempos que correm, até porque podíamos assim ver qual a posição do sector relativamente à revisão do "programa de ajustamento" que muitos pedem, se estão ao lado dos outros patrões e dos sindicatos, ou não. Mas, se calhar, no resto da Europa também é assim. Será? Divagações.
Pedro Lains dixit

Monday, September 23, 2013

Vivemos como se não fosse nada

O Colossal Embuste
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"O "memorando de ajustamento", e as suas várias revisões, assumido como o programa do principal partido do governo (que por ironia das teias que Abril teceu se chama "social-democrata") e, sobretudo, a sua desastrosa execução, neste dois anos e meio, foi um fracasso de proporções assustadoras, cujas consequências a maioria dos portugueses irá pagar durante muitas décadas. Lembremo-nos da garantia dada por este governo de que os sacrifícios, o empobrecimento e a miséria em que a maioria dos portugueses ia cair permitiriam, no próximo ano, um défice orçamental de 2,3% e um desemprego de 12,5%. Hoje, todos sabem que, face ao fiasco que se estende aos olhos de todos, o vice-primeiro-ministro pretende, nas "negociações" com a troika, atingir em 2014 o dobro do défice que nos prometeram, enquanto o desemprego disparou para números dramáticos e a dívida continua a crescer.

Mas, nada disto envergonha, minimamente, quem nos governa. Continuam, como se nada se passasse, a prostituir as palavras e as promessas. Paulo Portas garante-nos, por estes dias, que já "batemos no fundo", e a partir daqui "vamos subir a escada". Por sua vez, o ministro da Propaganda, Poiares Maduro afiança-nos que "o governo tudo tem feito para que o país possa concluir com sucesso o programa de ajustamento". Não têm emenda, nem assomo de frontalidade. A desfaçatez, a leviandade, a irresponsabilidade e a incompetência é a mesma com que Passos Coelho, em Abril de há dois anos, declarou, com ar solene: " todos aqueles que produziram os seus descontos e que têm hoje direito às suas reformas e às suas pensões as deverão manter no futuro, sob pena de o Estado se apropriar daquilo que não é seu". Este governo não acerta uma: faz o que jurou nunca fazer e não faz o que se compromete a fazer."
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Tomás Vasques, in jornal ionline. O artigo completo aqui