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Tuesday, June 09, 2026

About fascism

... "And that frightens me more than almost anything, is the added layer that we are about to start losing more of the people who remember it best. There is a generation among us, in their 70’s, 80’s, 90’s and beyond, who did not learn about fascism from a book or a documentary or a post like this one. They learned it in their soul. They learned it from a parent who came home from the war changed, or who did not come home at all. They learned it from the silence at the dinner table, from the relatives whose names were spoken carefully or not spoken at all. From grandparents who told stories for future generations to keep telling. And within the next few decades, maybe sooner, the last of them will be gone, and the warning they carried will stop being memory and become history. And history is so much easier to wave away than a scar."...
Heather Delaney Reese

The complete article here

Monday, June 08, 2026

Lifetime

 "Talvez o maior risco não seja falharmos os nossos objetivos... Talvez o maior risco seja chegarmos onde sempre quisemos chegar e percebermos que passámos anos à espera de viver."

Vera de Melo, psicóloga

Sunday, May 03, 2026

Where we arrived

Is Donald Trump betraying our allies?

"Putin has wanted NATO weakened since before he had the power to do anything about it. In 2005, he called the breakup of the Soviet Union “the greatest geopolitical catastrophe of the century.” He has spent the years since trying to reverse it, piece by piece and border by border. And the one thing standing between his ambitions and the map he wants is a unified Western alliance with the United States at its center. Remove the United States from that center, and the entire architecture shifts. The deterrence collapses, and the calculation changes for every country on Russia’s border.

What Trump is doing has Putin written all over it. And if he had nothing to do with it directly, he is still going to be thrilled. He has dreamed of this for decades. A weakened Europe and a retreating America. An alliance fracturing from the inside, not from Russian military pressure, but from an American president doing the work for him, for free, out of spite and ignorance."

Heather Delaney Reese dixit

Sunday, April 19, 2026

Culpados por omissão, não!

"O 25 de Abril, “essa revolução miserável…” - André Ventura

"Este artigo não é sobre o debate que tive com André Ventura, mas sobre ele ter existido, eu o ter proposto e realizado, e sobre as críticas vindas sobretudo de alguma esquerda de que ele nunca deveria ter existido. Deixo de parte os que aproveitaram esta controvérsia para fazer alguns ajustes de contas muito previsíveis, mas eu sei bem que quem anda à chuva molha-se.
Vamos ao tema principal. Este tipo de discussões não é novo e tudo aponta para que fazer de conta que nada se está a passar dá sempre torto. Discussões como esta ocorreram nos anos 30, durante a ascensão do fascismo e do nazismo, e repetiram-se em vários países como, por exemplo, França, face ao crescimento da Front National. O primeiro ponto para que chamo a atenção é que, em todos os casos, a questão de confrontar directamente os adversários só tem sentido quando se está numa fase de crescimento de partidos e movimentos hostis à democracia e não quando já tomaram o poder. Nessa altura, a resposta a dar é de outra natureza.
Hoje, em Portugal, o Chega é o segundo partido parlamentar, está presente em várias autarquias, em várias instituições, e o seu crescimento tem sido muito rápido. Está no centro da vida política mais do que o PS, já para não falar da pequena esquerda, e mais do que a AD, que governa o país e que precisa do Chega, mais do que o contrário. O Chega controla grande parte da narrativa política, é particularmente influente em toda a direita, define a programação do Governo em áreas cruciais como a imigração, marca a agenda comunicacional através de uma combinação de provocação e espectáculo que dá audiências, e usa como ninguém as redes sociais, a cloaca política dos nossos dias com enorme potencial de circulação de posições radicais e de mentiras. Quanto mais estiver sozinho em todos estes terrenos, mais se fortalece, e, se nada se fizer, já se sabe que o seu “estilo” não os prejudica. Cem Polígrafos que existam não impedem a circulação de mentiras, porque lhes falta a combinação de pathos e razão que provoca empatia, antipatia ou simpatia.
O único sítio onde o Chega é confrontado, muitas vezes debilmente, é no Parlamento. Aí, gestos exemplares como a saída dos antigos deputados da Constituinte, ou uma rara atitude da mesa como a que tomou Teresa Morais, têm um grande papel simbólico e acabam por ser eficazes. Nos EUA, face a Trump, onde o mesmo problema se coloca, são atitudes como a da bispa anglicana de Washington que fazem mossa, e não a conversa mole dos democratas.
Um dos aspectos que sinto nos contactos de rua, que aumentaram muito depois do debate, é que eles têm uma componente emotiva pouco comum. Percebe-se então aquilo que uma certa esquerda não compreende, as pessoas têm um défice da representação, de identificação, contra o Chega.
Esquece-se que, para muitas pessoas, o crescimento do Chega não é apenas visível nos noticiários, mas nos locais de emprego, nos vizinhos e amigos e… em casa.
É por isso que é um mau serviço para a democracia a fuga ao confronto onde ele é mais eficaz, em si mesmo “espectacular” no bom e mau sentido da palavra, cara a cara. Também por isso, fazer esse confronto, não estou a dizer se bem ou mal, é superar o medo, o comodismo e o snobismo. Existe medo porque o que se confronta é um discurso com muitos elementos de violência verbal, que se sabe que vai mais além do que as palavras, como se vê nos comentários com ameaças nas redes sociais. Esse medo também se revela em não se querer “meter as mãos na massa”, para não se ser insultado e que funciona como comodismo. Para que é que eu vou ter a minha “imagem” sujeita à lama se posso ficar numa qualquer altura académica sendo contra o Chega, mas na minha redoma educada, lá longe nas nuvens? Reconheço que não é fácil, em particular para as mulheres, serem insultadas de modo vil e soez nas redes sociais, mas é um preço inevitável no confronto com a ecologia destes movimentos assentes na violência e na crueldade.
Mas há também nalguma esquerda um comodismo que serve uma forma de snobismo elitista. É aí que entra a frase de Shaw sobre os porcos que diz que lutar contra eles é “sujar-se”, porque eles vivem numa pocilga e não há maneira de evitar a porcaria. Mais vale estar sossegado em casa, metido numa redoma e esperar que lá fora as coisas melhorem, ou que haja um ambiente mais “civilizado”, para então discutir os “malefícios do tabaco”, como na peça de Tchékhov​. Uma das coisas em que a chantagem do Chega funciona é por essa via, eles fazem a “massa” tão tóxica que ninguém quer “meter as mãos na massa”. Só que ela continua a aumentar e os riscos para a democracia manifestam-se, entre outras coisas, em chamar ao 25 de Abril a “revolução miserável”, coisa que passou bastante despercebida porque o espectáculo esconde o relevante.
Depois, há outro factor que implica correr o risco da “sujidade”, é que os tempos oferecem coisas novas aos antidemocratas. Oferecem uma nova ecologia comunicacional, novos mecanismos que fazem o upgrade à mentira, e uma sociedade onde os caminhos da exclusão são diferentes do passado, e geram violência, crueldade e solidão.
Face a eles não se pode ficar em casa, cómodo e confortável. É eficaz? Eles dizem que não, que só favorecem o inimigo.
Olhem que não, olhem que não."
José Pacheco Pereira
O autor é colunista do Público

Wednesday, January 21, 2026

A capacidade de parar de fingir

"É um prazer — e um dever — estar convosco neste momento crucial para o Canadá e para o mundo. Hoje, vou falar sobre a rutura na ordem mundial, o fim de uma bela história e o início de uma realidade brutal, na qual as relações entre grandes potências se fazem sem quaisquer limites à sua atuação.
Mas também quero dizer-vos que os outros países, em particular as chamadas potências médias, como o Canadá, não são impotentes. Têm a capacidade de construir uma nova ordem que incorpore os nossos valores, como o respeito pelos direitos humanos, pelo desenvolvimento sustentável, a solidariedade, a soberania e a integridade territorial dos Estados. O poder dos menos poderosos começa com a honestidade.
Todos os dias alguma coisa nos lembra de que vivemos numa era de rivalidade entre grandes potências, que ordem mundial sustentada por regras está a desvanecer-se e que os fortes fazem o que querem, e os fracos sofrem o que têm de sofrer.
Este aforismo de Tucídides é apresentado como inevitável, apenas a lógica natural das relações internacionais a reassumir-se. E, perante esta lógica, há uma forte tendência para os países se acomodarem, de forma a evitarem problemas. Esperam que essa aceitação lhes traga segurança.
Mas não trará. Então, quais são as nossas opções?
Em 1978, o dissidente checo Václav Havel escreveu um ensaio chamado “O Poder dos Impotentes”. Nele, faz uma pergunta simples: como é que o sistema comunista se sustentava?
A resposta começa com um vendedor de hortaliças. Todas as manhãs, este merceeiro coloca um cartaz na sua montra: “Trabalhadores do mundo, uni-vos!” Ele não acredita naquilo. Ninguém acredita. Mas coloca o cartaz na mesma, para evitar problemas, para sinalizar conformidade, para se acomodar. E, porque todos os lojistas em todas as ruas fazem o mesmo, o sistema persiste.
Não apenas através da violência, mas através da participação de pessoas comuns em rituais que sabem, no seu íntimo, serem falsos.
Havel chamou a isto “viver dentro da mentira”. O poder do sistema não vem da sua verdade, mas da disposição de todos a representá-lo como se fosse verdade. E a sua fragilidade vem da mesma fonte: quando uma pessoa, uma pessoa que seja, deixa de representar, quando o vendedor de hortaliças retira o seu cartaz, a ilusão começa a quebrar-se.
Está na altura de empresas, países, retirarem os seus cartazes.
Durante décadas, países como o Canadá prosperaram sob aquilo a que chamávamos ordem internacional baseada em regras. Aderimos às suas instituições, elogiámos os seus princípios e beneficiámos da sua previsibilidade. Pudemos implantar políticas externas sob a proteção destas regras.
Sabíamos que a história desta ordem internacional era parcialmente falsa. Que os mais fortes se eximiriam quando lhes fosse conveniente. Que as regras comerciais eram aplicadas de forma assimétrica. E que o direito internacional se aplicava com rigor variado, dependendo da identidade do acusado ou da vítima.
Esta ficção foi útil, e a hegemonia americana, em particular, ajudou-nos a ter acesso a rotas marítimas abertas, um sistema financeiro estável, segurança coletiva, e apoiou organismos que se ocupariam da resolução de conflitos. E foi por isso que colocámos o cartaz na montra. Participámos nos rituais. E evitámos, em boa parte, apontar as lacunas entre retórica e realidade.
Este acordo já não funciona. Deixem-me ser direto: estamos a meio de uma rutura, não de uma transição. Nas últimas duas décadas, uma série de crises nas finanças, saúde, energia e geopolítica revelou os riscos da integração global.
Mais recentemente, as grandes potências começaram a usar a integração económica como arma: tarifas como vantagem negocial, a infraestrutura financeira como coerção, as cadeias de abastecimento como vulnerabilidades a serem exploradas.
Não se pode “viver dentro da mentira” de benefício mútuo através da integração quando a integração se torna a fonte da vossa subordinação.
As instituições multilaterais de que os poderes médios dependiam — a OMC [Organização Mundial do Comércio], a ONU, a COP [Conferência das Partes] — e a arquitetura de resolução coletiva de problemas estão muito diminuídas.
Como resultado, muitos países estão a tirar as mesmas conclusões, que devem desenvolver maior autonomia estratégica: em energia, alimentação, minerais críticos, nas finanças e cadeias de abastecimento. Este impulso é compreensível. Um país que não pode alimentar-se, abastecer-se ou defender-se a si mesmo tem poucas opções. Quando as regras já não vos protegem, é preciso que se protejam a vocês mesmos.
Mas sejamos realistas sobre o lugar onde isto nos leva: a um mundo de fortalezas, mais pobre, mais frágil e menos sustentável.
E há outra verdade: se as grandes potências abandonarem até a aparência de regras e valores pela busca desimpedida do seu poder e dos seus interesses, os ganhos do “transacionalismo” tornam-se mais difíceis de replicar. As potências hegemónicas não podem retirar lucros eternos das suas relações, e os aliados vão diversificar para se protegerem contra a incerteza: contrair seguros, multiplicar opções. E tudo isto traz de volta a soberania, só que é uma soberania que antes estava ancorada em regras, mas que estará, a partir de agora, cada vez mais ancorada na capacidade de resistir à pressão.
Como disse, esta gestão de risco clássica tem um preço, mas esse custo de autonomia estratégica, de soberania, também pode ser partilhado. Investimentos coletivos em resiliência são mais baratos do que a conta de cada um construir a sua própria fortaleza individualmente. Padrões partilhados reduzem a fragmentação, as complementaridades são de soma positiva.
A questão para as potências médias, como o Canadá, não é se devemos adaptar-nos a esta nova realidade. Devemos. A questão é se nos adaptamos simplesmente construindo muros mais altos, ou se podemos fazer algo mais ambicioso. O Canadá esteve entre os primeiros a ouvir o alerta, o que nos levou a modificar fundamentalmente a nossa postura estratégica.
Os canadianos sabem que a antiga e confortável suposição de que a nossa geografia e o nosso sistema de alianças conferiam automaticamente prosperidade e segurança já não é válida.
A nossa nova abordagem assenta no que Alexander Stubb [Presidente da Finlândia] chamou “realismo baseado em valores”, ou, por outras palavras, termos princípios e, ao mesmo tempo, sermos pragmáticos.
Devemos manter o princípio do nosso compromisso com valores fundamentais: soberania e integridade territorial, a proibição do uso da força exceto quando consistente com a Carta da ONU, respeito pelos direitos humanos. E devemos ser pragmáticos ao reconhecermos que o progresso é frequentemente incremental, que os interesses divergem, que nem todos os parceiros partilham os nossos valores. Podemos envolver-nos amplamente, estrategicamente, mas com os olhos abertos. Devemos participar ativamente no mundo com ele é, e não esperar por um mundo como desejamos que seja.
O Canadá está a calibrar as suas relações para que a profundidade das mesmas reflita os seus valores. Estamos a dar mais importância a um envolvimento amplo para maximizar a nossa influência, dada a fluidez da ordem mundial, os riscos que isto representa e o que está em jogo para o que vem a seguir.
Já não estamos dependentes apenas da força dos nossos valores, mas também do valor da nossa força. Estamos a construir essa força em casa.
Desde que o meu Governo tomou posse, cortámos impostos sobre rendimentos, mais-valias e investimento empresarial, removemos todas as barreiras federais ao comércio interprovincial e estamos a acelerar mil milhões de dólares de investimento em energia, inteligência artificial, minerais críticos, novos corredores comerciais e muito mais. Até 2023, vamos duplicar as nossas despesas na Defesa e estamos a fazê-lo de forma a desenvolver as nossas indústrias nacionais.
Estamos também a diversificar no estrangeiro, e recentemente acordámos uma parceria estratégica abrangente com a União Europeia, incluindo a adesão ao SAFE [Ação de Segurança para a Europa], os acordos europeus de aquisição e adjudicação de material de Defesa.
Assinámos outros doze acordos comerciais e de segurança em quatro continentes nos últimos seis meses. Nos últimos dias, concluímos novas parcerias estratégicas com a China e o Catar. Estamos a negociar pactos de comércio livre com a Índia, a ASEAN, a Tailândia, as Filipinas e o Mercosul.
Para ajudar a resolver problemas globais, estamos a prosseguir geometria variável: diferentes coligações para diferentes questões, baseadas em valores e interesses.
Na Ucrânia, somos um membro central da Coligação de Vontades e um dos maiores contribuintes per capita para a defesa e segurança do país.
Sobre a soberania do Ártico, estamos firmemente ao lado da Gronelândia e da Dinamarca e demos pleno apoio ao seu direito de determinar o futuro da Gronelândia. O nosso compromisso com o Artigo 5º é inabalável.
Estamos a trabalhar com os nossos aliados da NATO (incluindo os Nórdicos-Bálticos) para robustecer ainda mais os flancos norte e oeste da aliança, incluindo através dos investimentos sem precedentes em radares de longo alcance, submarinos, aeronaves e tropas no terreno. O Canadá opõe-se fortemente a impostos alfandegários sobre a Gronelândia e apela a conversações focadas em alcançar os nossos objetivos partilhados de segurança e prosperidade para o Ártico.
No comércio plurilateral, estamos a liderar esforços para construir uma ponte entre a Parceria Transpacífica e a União Europeia, criando um novo bloco comercial de 1500 milhões de pessoas.
Nos minerais essenciais, estamos a formar grupos de compradores, ancorados no G7, para que o mundo possa diversificar-se da oferta concentrada.
Na inteligência artificial, estamos a cooperar com democracias para garantir que não seremos forçados a escolher entre empresas hegemónicos e hiperescaladores [fornecedor gere grandes redes de centros de dados, projetados para suportar computação, redes e armazenamento].
Isto não é multilateralismo ingénuo, nem é depender de instituições diminuídas, é construir as coligações que funcionam, questão por questão, com parceiros que partilham terreno comum suficiente para agirem em conjunto. Nalguns casos, será a grande maioria das nações. E é criar um teia densa de ligações através do comércio, investimento, cultura, nas quais nos podemos apoiar para futuros desafios e oportunidades.
As potências médias devem agir em conjunto, porque se não estão à mesa, estão no menu.
As grandes potências podem dar-se ao luxo de agir sozinhas. Têm mercado, capacidade militar, alavancagem para ditar termos. As potências médias não. Mas quando apenas negociamos bilateralmente com uma potência hegemónica, negociamos a partir da fraqueza. Aceitamos o que nos é oferecido. Competimos uns com os outros para sermos os que mais acomodam as suas exigências.
Isto não é soberania. É a representação de soberania enquanto se aceita a subordinação.
Num mundo de rivalidade entre grandes potências, os países no meio têm uma escolha: competir uns com os outros para cair “nas graças” ou unirem-se para criar um terceiro caminho, com impacto.
Não devemos permitir que a ascensão do poder nos cegue para o facto de que o poder da legitimidade, integridade e regras permanecerá forte se escolhermos exercê-lo em conjunto.
O que me traz de volta a Havel.
O que significaria para as potências médias “viver na verdade”?
Significa dizer as coisas como são na realidade. Parem de invocar a “ordem internacional baseada em regras” como se ainda funcionasse conforme anunciado. Chamem ao sistema o que ele é: um período de intensificação de rivalidade entre grandes potências, onde os mais poderosos prosseguem os seus interesses usando a integração económica como arma de coerção.
Significa agir consistentemente. Aplicar os mesmos padrões a aliados e rivais. Quando os poderes médios criticam a intimidação económica quando vem de um lado mas ficam em silêncio quando vem de outro, estamos a manter o cartaz na montra.
Significa construir aquilo em que alegamos acreditar. Em vez de esperar que a velha ordem seja restaurada, criar instituições e acordos que funcionem conforme o que fica escrito.
E significa reduzir a alavancagem que abre espaço à coerção. Construir uma economia doméstica forte deve ser sempre a prioridade de cada governo. A diversificação internacional não é apenas prudência económica; é a fundação material para uma política externa honesta. Os países ganham o direito a posições de princípio ao reduzirem a sua vulnerabilidade a retaliações.
O Canadá tem o que o mundo quer. Somos uma superpotência energética, temos vastas reservas de minerais, temos a população mais instruída do mundo. Os nossos fundos de pensões estão entre os maiores e mais sofisticados investidores do mundo. Temos capital, talento e um Governo com imensa capacidade fiscal para agir decisivamente. E temos os valores aos quais muitos outros aspiram.
O Canadá é uma sociedade plural que funciona, a nossa praça pública é barulhenta, diversa e livre. Os canadianos mantêm-se comprometidos com a sustentabilidade.
Somos um parceiro estável e fiável, num mundo que é tudo menos isso, um parceiro que constrói e valoriza relações a longo prazo.
O Canadá tem algo mais: reconhecemos o que está a acontecer e estamos determinados a agir em conformidade.
Compreendemos que esta rutura exige mais do que adaptação, exige honestidade sobre o mundo como ele é.
Estamos a retirar o cartaz da montra.
A velha ordem não vai voltar. Não devemos lamentá-la. Nostalgia não é uma estratégia. Mas a partir da fratura, podemos construir algo melhor, mais forte e mais justo.Esta é a tarefa dos poderes médios, que têm mais a perder com um mundo de fortalezas e mais a ganhar com um mundo de cooperação genuína.
Os poderosos têm o seu poder. Mas nós também temos algo, a capacidade de parar de fingir, de dizer as coisas como são, de construir a nossa força em nossa casa e de agir em conjunto.
Esse é o caminho do Canadá. Escolhemo-lo aberta e confiantemente.

E é um caminho amplamente aberto a qualquer país disposto a trilhá-lo connosco"

Mark Carney, 1° ministro do Canadá

Sunday, January 18, 2026

Hoje é dia de eleger o 1° magistrado da nação

“Para se ser feliz é preciso ser-se um bocado parvo. Eu, por exemplo, sou. A felicidade é inversamente proporcional a uma série de coisas de boa fama, como a sabedoria, a verdade e o amor. Quando se sabe muito, não se pode ser muito feliz. A verdade é quase sempre triste.”

Miguel Esteves Cardoso

Tuesday, June 03, 2025

The meaning of live

 “You will never be happy if you continue to search for what happiness consists of. You will never live if you are looking for the meaning of life.”

Albert Camus

Saturday, April 12, 2025

O perdão

“Depois de me tornar presidente, pedi à minha escolta para almoçar num restaurante. Nós sentamos e cada um de nós pediu o que quis.

Na mesa da frente, estava um homem esperando ser atendido. Quando foi servido, eu disse a um dos meus soldados: vá pedir a esse senhor que se junte a nós. O soldado foi e lhe transmitiu meu convite. O homem levantou-se, pegou no seu prato e sentou-se bem ao meu lado.
Enquanto comia as suas mãos tremiam constantemente e não levantava a cabeça de sua comida. Quando terminamos, despediu-se de mim sem apenas olhar para mim, apertei-lhe a mão e ele foi embora.
O soldado me comentou:
Madiva, aquele homem devia estar muito doente, pois as mãos dele não paravam de tremer enquanto comia.
Não, de jeito nenhum! A razão do seu tremor é outra.
Então eu disse-lhes:
Aquele homem era o guardião da prisão onde eu estava. Depois que ele me torturava, eu gritava e chorava pedindo um pouco de água e ele vinha me humilhava, ria de mim e ao invés de me dar água, mijava na minha cabeça.
Estava doente, estava assustado esperando que eu, agora presidente da África do Sul, o mandasse prender e lhe fizesse o mesmo que ele me fez. Mas eu não sou assim, essa conduta não faz parte do meu caráter, nem da minha ética.”

′′As mentes que procuram vingança destroem os estados, enquanto as que buscam a reconciliação constroem nações. Ao sair pela porta para a minha liberdade, soube que, se não deixasse toda a raiva, ódio e ressentimento, continuaria sendo prisioneiro."

Nelson Mandela.

Saturday, December 09, 2023

É natal, é natal...

"Noël sert à rappeler à ceux qui sont seuls qu'ils sont seuls,à ceux qui n'ont pas d'argent qu'ils n'ont pas d'argent et à ceux qui ont une famille de merde qu'ils ont une famille de merde."

Charles Bukowski

Sunday, October 29, 2023

Think about this...

  1. L'apparence compte. Les personnes qui ont une belle apparence ont un avantage injuste sur les autres.
  2. Personne ne t'aimera jamais autant que tes parents.
  3. Si tu ne prends pas les choses en main, les gens te marcheront dessus.
  4. Trouvez un cercle de soutien solide. Les bons contacts sont très importants dans les moments difficiles.
  5. Soyez une bonne personne et n'attendez rien de personne. Les attentes ne vous causeront que des déceptions.
  6. Travaillez dur, mais si vous ne travaillez pas intelligemment, vous finirez par travailler pour le reste de votre vie.
  7. Ne vous énervez jamais si quelqu'un vous quitte. Vous ne pouvez jamais contrôler l'autre, la seule personne que vous pouvez contrôler est vous-même.
  8. Ne cessez jamais d'être une bonne personne à cause de vos mauvaises expériences avec les autres.
  9. Prenez soin de votre santé. La santé est comme l'argent, on n'apprend sa valeur qu'après l'avoir perdue.
  10. Les gens peuvent changer à tout moment, alors ne reste jamais dépendant de quelqu'un.
Auteur: 
Cédric Meyer
 (trouvé sur Quora.fr)

Friday, May 05, 2023

Japanese wisdom

 12 conselhos valiosos da cultura japonesa para viver melhor:

  1. Ikigai - Encontre um propósito na vida e siga-o.
  2. Hara hachi bu - Pare de comer quando estiver 80% satisfeito.
  3. Shinrin-yoku - Passe mais tempo em contato com a natureza.
  4. Kaizen - Busque a melhoria contínua em tudo o que faz.
  5. Wabi-sabi - Aprecie a beleza da imperfeição e simplicidade.
  6. Yūgen - Busque a compreensão profunda e misteriosa das coisas.
  7. Kintsugi - Encontre a beleza na reparação de objetos quebrados.
  8. Mono no aware - Esteja consciente da impermanência da vida e aprecie-a.
  9. Gambatte - Persista e dê o seu melhor em tudo o que fizer.
  10. Omotenashi - Trate os outros com hospitalidade e respeito.
  11. Shitsurai - Mantenha a ordem e a limpeza em seu ambiente.
  12. Omoiyari - Pratique a empatia e o cuidado com as outras pessoas.
       By Douglas Rann

Tuesday, August 23, 2022

Humanismo no estado puro

Eu (ainda) tenho uma doença.

"Não sei se estas palavras acabarão de uma forma triste ou alegre. Como quase sempre escrevo sem saber onde isto vai dar. Há dois anos que tenho uma doença que me conseguiu tirar a vontade de viver. Se eu queria morrer? Digamos que não me importava muito. Eu perdi a vontade de viver, porque perdi o sentido da minha vida. Perdi a inspiração, perdi a motivação, perdi a capacidade de fazer tudo aquilo que eu quero fazer, e aquilo que é a única coisa que eu realmente sei fazer: ajudar a salvar vidas. Perdi a conta aos fins de semana inteiros que passei em casa sozinho a chorar. Acho que posso dizer que tenho ou tinha uma carapaça emocional muito forte. Já há muito que não sei quantas pessoas me morreram nas mãos, nem quantas eu ajudei a salvar. Mulheres, crianças, inocentes, terroristas... tudo. Pessoas. E mesmo tendo as emoções esticadas quase ao limite do que o ser humano possa aguentar, quebrei com esta merda desta doença. Bati no fundo vezes e vezes sem conta, descobrindo sempre um fundo mais fundo, sem saber se seria esse o verdadeiro fundo. O sofrimento e as tristezas corroeram a minha alma. As réplicas das ondas de choque do sofrimento são inimagináveis. Uma de muitas foi ver como a tristeza mudou a minha personalidade... para pior, claro. A solidão, a desilusão, a peneira dos que achava amigos/as são simbióticos com o que a dor crónica me tem causado. Fiz muito mal a mim próprio ao sofrer as dores da dor, e pior, ao não conseguir evitar, não afundar comigo as pessoas que são a minha razão de existir. Foi o que mais me doeu até hoje, mas talvez tenha sido aí que tudo mudou. Viver a mim tristeza, eu suporto, mas magoar e destruir o sol e a lua da minha vida, eu não conseguirei suportar. E por isso escrevo este texto, e por isso volto a escrever.
Há 3 coisas que paulatinamente me têm trazido mais sorrisos, mais força, e mais clareza de espírito. A primeira é a vontade de fazer feliz as pessoas de quem eu mais gosto. Simples, e é tudo o que interessa nesta vida. A segunda é uma melhor compreensão da minha doença. Sou um homem da ciência e carrego a cruz de ser o gestor do meu processo clínico, o que poderia parecer uma vantagem, mas no meu coração não o é. Até prova em contrário, as minhas dores crónicas dos membros inferiores, altamente agravadas pelas posturas de sentado e de pé, são o resultado de uma infecção de uma bactéria que se chama Borrelia, e que mesmo depois de tratada deixou informação no meu sistema imunitário para fazer mal aos meus nervos periféricos e ao meu sistema nervoso central. Isto não tem cura, mas pelo menos tem cara. E agora, com mais convicção sei que tipo de estratégias terapêuticas podem ter alguma utilidade, e não menos importante, que portas é que não vale a pena abrir. Devo ter sido infectado por causa dos meus cães, e mesmo assim adoro-os e nunca pergunto “porquê eu?”, porque a vida é mesmo assim. A nossa existência é preciosa mas frágil, e a única certeza que temos é que as doenças acontecem e que vamos morrer. O que me leva ao terceiro ponto. Vamos todos morrer, mas e até lá o que fazer? O sentido da vida. Simples, mágico e todo poderoso. Não é estanque, certamente não é o mesmo para todos, e está sempre a precisar de ser nutrido e consagrado. Talvez nunca mais venha a conseguir voltar a ser médico, o que me parte o coração em pedacinhos. Talvez nunca mais consiga ir em missão, o que para mim é como se me matassem um filho... mas, e este “mas” é a sumula do que eu quero dizer: Eu vou continuar a lutar pelas vozes que trago no meu coração, e pelas promessas que outrora fiz a mim próprio quando estava na minha versão mais bonita.
Entristece-me ver um mundo de gente fútil, snob, egoísta, hipócrita, gananciosa e com enorme desprezo para com a sua própria família chamada humanidade. Mas eu tive a sorte, o privilégio e por isso carrego a responsabilidade, de ter visto, convivido e trabalhado com os melhores dos melhores. Os bons. Os humanos. Os genuínos. Os carinhosos. Os corajosos. Os lutadores por algo maior do que nós próprios, porque só vale a pena viver por algo que estamos dispostos a morrer... e é esse o meu norte, o meu Porto, a minha inspiração, o meu sentido da vida. Sabendo que nada vou conseguir, mas serei feliz a tentar. Nós somos o problema, e nós somos a solução. E a nossa visão de mundo depende mais dos nossos olhos, do que do mundo propriamente dito, e a felicidade está no nosso sentido poético de saber escolher a perspectiva para melhor ver. Dito isto, somos as emoções que cultivamos.
Vou escrever, vou pintar, vou aprender, vou sonhar, vou sorrir, vou ensinar... sei lá. Vou fazendo o que o meu coração me disser, batendo pelo caminho certo. E se gostas mais dos sapatos do que do caminho, é porque não mereces caminhar.
Tenho muitas desilusões amarradas na garganta, mas tenho também uma boa mão cheia de gente a quem eu devo a minha vida, e que me fazem chorar de boas emoções e sorrir quando fecho os olhos. Por esses, tudo farei.
Comecei este texto a chorar e acabo a sorrir. Adorava não ter esta doença, mas tenho. Dizer que estou bem seria demasiado floreado, mas estou melhor, e no caminho certo.
O tal caminho... o da bondade, e da integridade que são as maiores riquezas que podemos almejar conquistar... e eu vou á luta, fazer por merecer.
Para a minha mãe, cuja beleza não cabe neste universo."

Gustavo Carona, in Facebook