Tuesday, December 10, 2013

A Ana teve coragem mas lixou-se (ou lixaram-na)

Num país "a sério" certamente que notícias destas tinham obrigatoriamente consequências: no mínimo apurava-se se havia alguma veracidade por detrás das acusações. Por cá vamos encolhendo os ombros, chamamos-lhes alguns nomes menos bonitos, e até há quem os louve ("eles é que nos ensinam como é que se sobe na vida").
A mim espanta-me uma certa falta de coerência: as pessoas e os salvo-seja empresários que mais criticam as "gorduras" e o peso do Estado Social são os que mais gostam de mamar na teta estatal...



Viver acima das possibilidades, blah blah blah, blá blá blá... 


Se o chico-espertismo pagasse imposto, Portugal já tinha saído da recessão (ou nunca tinha entrado).

Sunday, December 08, 2013

Friday, December 06, 2013

Monday, November 25, 2013

Americanices...

CRIANÇA: Presidente Obama, Presidente Obama, o meu pai diz que o senhor anda a espiar as pessoas...
OBAMA: Deixa-me dizer-te uma coisa rapazinho: ele nem sequer é teu pai.

Saturday, November 23, 2013

Para ouvir, reflectir e divulgar


No discurso mais aplaudido da noite, Pacheco Pereira na Aula Magna em "defesa da nossa Pátria amada"

Wednesday, November 20, 2013

Music was my first love...

Em defesa do Tribunal Constitucional

(...) Eu revejo-me em coisas mais fundamentais, mais simples e directas, que também a Constituição protege e de que, por péssimas razões, hoje o Tribunal Constitucional é o último baluarte. O Tribunal Constitucional é hoje esse último baluarte, o que por si só já é um péssimo sinal do estado da democracia, porque todas as outras instituições que deviam personificar o “bom funcionamento” da nossa democracia ou não estão a funcionar, ou estão a funcionar contra. Refiro-me ao Presidente da República, ao Parlamento e ao Governo. E refiro-me de forma mais ampla ao sistema político-partidário que está no poder e em parte na oposição. Quando falha tudo, o Tribunal Constitucional é o último baluarte antes da desobediência civil e do resto. Se me faço entender.
...
Em nome de um “estado de emergência financeira” que umas vezes é dramatizado quando convém e outras trivializado quando convém, seja para justificar impostos, cortes de salários e pensões, na versão “estado de sítio”; ou para deitar os foguetes com o 1640 da saída da troika e do “milagre económico”, na versão “já saímos do programa”, considera-se que nada vale, nem leis, nem direitos, nem justiça social.
...
Eu revejo-me numa democracia que assente num pacto social, justo e redistributivo, que é a essência do conteúdo do programa do PSD e do pensamento genético de Sá Carneiro, que se traduz numa sociedade em que a “confiança” garanta os contratos, seja para o mundo do trabalho, dos pensionistas e reformados, como o é para a defesa da propriedade contra o confisco. O que não aceito é que se considere que a “confiança” valha apenas para os contratos “blindados” das PPP, para os contratos swaps, para proteger os bancos, para dar condições leoninas nas privatizações e taxas disfarçadas para garantir que um governo que prometeu privatizar a RTP faça os portugueses pagar mais para controlar parte da comunicação social. Ora, escrito ou não escrito na Constituição, o espírito de uma Constituição de um país democrático tem de proteger esses princípios, que são mais do que isso, são valores numa democracia.
...
A principal decisão do Tribunal Constitucional, seja sobre que matéria for das que lhe forem enviadas, sejam as pensões, as reformas, os salários, seja a legislação laboral, seja a “convergência” do público e privado, seja o que for, terá sempre um essencial pressuposto anterior: está o Tribunal Constitucional disposto a permitir o “vale tudo” que lhe é exigido pelo Governo e os seus amigos nacionais e internacionais, ou coloca-lhe um travão em nome da lei e da democracia?

É a mais política das decisões? É. E em muitos momentos da História foi o falhanço do sistema judicial último que permitiu o fim das democracias. O melhor exemplo foi o da Alemanha diante dos nazis e do seu ostensivo desprezo pela lei face à força.

José Pacheco Pereira in Abrupto. O artigo completo aqui.

Wednesday, November 06, 2013

Desabafo quase pornográfico

Carta da Marisa Moura à administração da Carris

Exmos. Senhores
José Manuel Silva Rodrigues, Fernando Jorge Moreira da Silva, Maria Isabel Antunes, Joaquim José Zeferino e Maria Adelina Rocha

Chamo-me Marisa Sofia Duarte Moura e sou a contribuinte nº 215860101 da República Portuguesa.
Venho por este meio colocar-vos, a cada um de vós, algumas perguntas:

1.Sabem que o aumento do vosso vencimento, num total extra de 32 mil euros, fixado pela comissão de vencimentos, numa altura em que a empresa apresenta prejuízos de 42,3 milhões e um buraco de 776,6 milhões de euros, representa um crime previsto na lei sob a figura de gestão danosa?
2.Terão  a mínima noção de que há mais de 700 mil pessoas desempregadas em Portugal, neste momento, por causa de gente como os senhores que, sem qualquer moral, se pavoneiam em automóveis de luxo que, neste momento, custam 4.500 euros por mês a todos os contribuintes?
A dívida do país está acima dos 150 mil milhões de euros, o que significa que eu estou endividada em 15 mil euros.
Paguei em impostos no ano passado 10 mil euros. Não chega nem para a minha parte da dívida colectiva.

É com pessoas como os senhores, a esbanjar desta forma o nosso dinheiro, que os impostos dos contribuintes não vão chegar nunca para pagar o que realmente devem pagar - o bem-estar colectivo.
As vossas caras estão publicadas no site da empresa.Todos os portugueses sabem, portanto, quem são.
Quando pararem num semáforo vermelho, conseguirão enfrentar o olhar do condutor ao lado, estando os senhores ao volante de uma viatura paga com dinheiro que a empresa não tem e que é paga às custas da fome de milhares de pessoas, velhos, adultos, jovens e crianças?

Para os senhores auferirem do vosso vencimento, agora aumentado ilegalmente, e demais regalias, há 900 mil pessoas a trabalhar (inclusive em empresas estatais como a "vossa") sem sequer terem direito a Baixa se ficarem doentes, porque trabalham a recibos verdes.
Alguma vez pensam nisto?
Acham genuinamente que o trabalho que desempenham tem de ser tamanhamente bem remunerado ao ponto de se sobreporem às mais elementares necessidades de outros seres humanos?

Despeço-me sem grande consideração, mas com alguma esperança que consiga reactivar alguns genes da espécie humana que terão, com certeza, perdido algures, no decorrer da vossa vida.

Marisa Moura

Tuesday, November 05, 2013

O padre e a pecadora

- Padre, perdoa-me porque pequei (voz feminina)
- Diga-me filha, quais são os teus pecados?
- Padre, o demonio da tentação se apoderou de mim, pobre pecadora.
- Como é isso filha?
- É que quando falo com um homem, tenho sensações no corpo que não saberia descrever…
- Filha, apesar de padre, eu também sou um homem…
- Sim, padre, por isso vim confessar-me contigo.
- Bem filha, como são essas sensações?
- Não sei bem como explicá-las - neste momento meu corpo se recusa a ficar de joelhos e necessito ficar mais a vontade.
- Sério??
- Sim, desejo relaxar - o melhor seria deitar-me…
- Filha, deitada como?
- De costas para o piso, até que passe a tensão…
- E que mais?
- É como um sofrimento que não encontro palavras.
- Continue minha filha.
- Talvez um pouco de calor me alivie…
- Calor?
- Calor padre, calor humano, que leve alívio ao meu padecer…
- E com que frequência é essa tentação?
- Permanente padre. Por exemplo, neste momento imagino que suas mãos massageando a minha pele me dariam muito alívio…
- Filha?!
- Sim padre, me perdoa, mas sinto necessidade de que alguém forte me estreite em seus braços e me dê o alívio de que necessito…
- Por exemplo, eu?
- Sim padre, você é a categoria de homem que imagino poder me aliviar.
- Perdoa-me minha filha, mas preciso saber tua idade...
- Setenta e quatro, padre.
- Filha, vai em paz que o teu problema é reumatismo...

Friday, October 25, 2013

Sim, por favor

Uma mão quente.
Uma casa quente.
Um pullover quente
para cobrir meus pensamentos gelados.
Um corpo quente
para cobrir o meu corpo.
Uma alma quente
para cobrir a minha alma.
Uma vida quente
para cobrir a minha vida gelada.
Sonia Akesson, In blogue Modus Vivendi 

Friday, October 18, 2013

50 Anos de História e de "Pugresso"...

Hoje felizmente já não há "bidonvilles" mas há cada vez mais portugueses a viver em contentores, por essa Europa fora, em péssimas condições de habitabilidade, e num total desenraizamento social. Quase 50 anos passados sobre esta triste realidade, assistimos impassivelmente ao esvaziar do que um país tem de melhor: a sua juventude! Mas o quê: aquilo que deveria ser um grave problema para os nossos governantes resolverem, é afinal a saída mais fácil e imediata, para combater a enorme taxa de desemprego e as legítimas frustrações dos nossos jovens: o incentivo à emigração!


Fotografia de Gérard Bloncourt, 1964.

Sunday, October 13, 2013

Perdão, V.Ex.a disse vergonha...?!

Rui Machete não disse inverdades, não cometeu incorrecções factuais, não teve afirmações menos felizes. Rui Machete mentiu. Pôs aquela cara de enfatuado e aquele ar de quem pensa estar acima da ignorante plebe, e mentiu com quantos dentes tem na boca. Aldrabou os angolanos, aldrabou os portugueses, aldrabou toda a gente quando disse conhecer pormenores de assuntos em segredo de justiça. Mentiu descaradamente e sem hesitações quando afirmou ter pedido informações ao Ministério Público. Mentiu chamando mentirosa à procuradora-geral. Também podíamos pôr a hipótese de ser Joana Marques Vidal quem mentiu. Mas, convenhamos, entre a procuradora e um senhor que se esqueceu de referir que tinha sido accionista de uma organização a que pertencia, e até aos órgãos sociais, e que lhe pagava em notas ou em seguros de vida, talvez me incline a pensar que o mentiroso nesta história é o Dr. Machete. Ou então Machete disse a verdade.
(...)
Pensando bem, a falta de vergonha, o desplante que Machete exibiu na Assembleia da República, a ausência de competência, o desprezo por valores fundamentais, não surpreende ninguém. É só mais um exemplo do irregular funcionamento das instituições. O Presidente da República está bem, obrigado.

Pedro Marques Lopes escreve no DN: o artigo completo.

Tuesday, October 08, 2013

Nobel Prize for Physics 2013 - Ganharam os favoritos


François Englert and Peter W. Higgs are jointly awarded the Nobel Prize in Physics 2013 for the theory of how particles acquire mass. In 1964, they proposed the theory independently of each other (Englert together with his now deceased colleague Robert Brout). In 2012, their ideas were confirmed by the discovery of a so called Higgs particle at the CERN laboratory outside Geneva in Switzerland.

The awarded theory is a central part of the Standard Model of particle physics that describes how the world is constructed. According to the Standard Model, every­ thing, from flowers and people to stars and planets, consists of just a few building blocks: matter particles. These particles are governed by forces mediated by force particles that make sure everything works as it should.

The entire Standard Model also rests on the existence of a special kind of particle: the Higgs particle. This particle originates from an invisible field that fills up all space. Even when the universe seems empty this field is there. Without it, we would not exist, because it is from contact with the field that particles acquire mass. The theory proposed by Englert and Higgs
describes this process.

On 4 July 2012, at the CERN laboratory for particle physics, the theory was confirmed by the discovery of a Higgs particle. CERN’s particle collider, LHC (Large Hadron Collider), is probably the largest and the most complex machine ever constructed by humans. Two research groups of some 3,000 scientists each, ATLAS and CMS, managed to extract the Higgs particle from billions of particle collisions in the LHC.

Even though it is a great achievement to have found the Higgs particle — the missing piece in the Standard Model puzzle — the Standard Model is not the final piece in the cosmic puzzle. One of the reasons for this is that the Standard Model treats certain particles, neutrinos, as being virtually massless, whereas recent studies show that they actually do have mass. Another reason is that the model only describes visible matter, which only accounts for one fifth of all matter in the cosmos. To find the mysterious dark matter is one of the objectives as scientists continue the chase of unknown particles at CERN.
by Danielle Wiener-Bronner, Reuters 

Monday, October 07, 2013

Indeed


Ideias natalícias

- Estouuuu... é da GNR?
- É sim, em que posso ajudá-lo?
- Queria fazer quexa do mê vizinho Maneli. Ele esconde droga dentro dos troncos da madeira pra larera.
- Tomámos nota. Muito obrigado por nos ter avisado.
No dia seguinte os guardas da GNR estavam em casa do Manel. Procuraram o sítio onde ele guardava a lenha, e usando machados abriram ao meio todos os toros que lá havia, mas não encontraram droga nenhuma. Praguejaram e foram-se embora.
Logo de seguida toca o telefone em casa do Manel.
- Oh Maneli, já aí foram os tipos da GNR?
- Já.
- E racharam-te a lenha toda?
- Sim!...
- Então feliz Natal, amigo! Esse foi o mê presente deste ano!

Tuesday, October 01, 2013

Afinal o crime compensa...?

(...) "Mencionei também que a Comissão não mexeu um dedo para impedir o Regime Especial de Regularização Tributária III (Orçamento de Estado de 2012), que beneficiou os perpetradores de fraude e evasão fiscais com uma amnistia dos seus crimes, permitindo-lhes legalizar os capitais transferidos para paraísos fiscais e não declarados às autoridades tributárias, sem ter de os repatriar e mediante o pagamento de uma escandalosamente baixa taxa de 7.5%. Esta taxa valeu ao Estado apenas 258 milhões de euros, face aos mais de 3 mil milhões de euros identificados em contas no exterior - onde se acumulam muitos mais milhares de milhões, desviados do investimento e da economia em Portugal. O RERT III, sublinhe-se, não implica a identificação pública do beneficiário/detentor, nem cuida de apurar a origem, lícita ou ilícita, dos capitais legalizados, tratando-se de uma autêntica operação de lavagem de dinheiro, com selo de aprovação do Estado português, da Comissão Europeia e do BCE. Isto é, num Portugal intervencionado pela Troika, quem cometeu fraude e evasão fiscal, colocando capitais ilegalmente no exterior, acabou por ver perdoados os crimes fiscais e outros e ainda por ser beneficiado pelo Estado com um regime de total sigilo, impunidade e benefício fiscal."

Ana Gomes, eurodeputada, in Causa Nossa