Friday, April 26, 2013

PROCURO ALGUEM COMO TU

Possivelmente estarás a dormir quando te escrevo esta carta, são 4.04 da manhã. Falei contigo hoje por duas vezes e por duas vezes tive a mesma sensação de perceber que tudo aquilo que eu quero é algo muito parecido a ti. Não sei se és tu, mas parece-me que a haver alguém com as tuas características, é essa pessoa que eu quero. Quero alguém como tu e desde que te conheci que a procuro de forma incansável, na esperança que alguém se assemelhe a ti, que se aproxime do que sinto por ti, que me saiba a ti, que me deixe a pensar-te, a imaginar-te o que fazes a esta hora, onde e como estarás. Mas isto, sem que não o percebas e não te incomodes mais, de forma a que sejamos só amigos como tu pretendes. Sejamos claros, a remax em vez de vender andares e colocar outdoors pelas cidades inteiras à procura de compradores de cimento e tijolos e cozinhas nouvelle vague ou lá o que é, devia dedicar-se ao amor e ajudar-me a procurar alguém como tu – apenas isso - de forma a que continuasses a tua vida sem que alguma vez percebesses que é a ti que eu quero e procuro. A remax, a century 21, a Era, essas imobiliárias de betão, deveriam ajudar-me a procurar alguém igual a ti, em vez de um t2 com vista para o mar, de um andar com 5 assoalhadas, de jardins sustentáveis e condomínios fechados e o diabo a quatro. O melhor vendedor da remax que se chama Nuno Gomes, se fosse mesmo o melhor da Europa como dizem que é, poderia ajudar-me nisto: A procurar alguém igual a ti, colocando em todos os outdoors de Lisboa que têm para o efeito, um anúncio em letras grandes à qual se juntaria a tua foto que diria “Procura-se mulher igual a esta”. E posto isto, deixaria o seu habitual número para lhe chegassem propostas e em todas elas, eu, com tudo o que tinha, hipotecava o que houvesse, desde o recheio da casa, à minha modesta conta ordenado, à minha roupa, aos meus haveres, às minhas acções, desde as boas às más, desde o meu quarto à sala de estar, a este escritório, a este computador, a esta camisa que uso, a este teclado com que agora te escrevo.

Procuro alguém igual a ti, peço-te ajuda para isso, não quero interromper a tua vida nem mudá-la, nem sequer fazer perder-te muito mais tempo, desde que me garantas que me arranjas alguém igual a ti. Mas tem que ser igual, exactamente igual. Promete-me isso, quero esse riso na minha vida, quero essas provocações parvas, quero esse teu voluntarismo desinteressado, quero essa cara, esses olhos, esse cabelo, esse foda-se na ponta da língua. Mas não te quero a ti que tens mais que fazer. Esta carta é um pedido de ajuda por isso, porque não é a ti que eu quero, quero isso sim, alguém como tu, alguém que nunca a Remax saberá encontrar.

Fernando Alvim

Mestre Jigoro Kano dixit


Saturday, April 20, 2013

Hum... acho que tem a ver com a postagem anterior


Poema (com bolinha vermelha no canto superior direito)

Para foder

"Para foder, nestes tempos que correm, parece que é preciso um escafandro. As pessoas pensam muito em foder. E sofrem muito quando não fodem. Quem não pensa em foder está fodido. Mas as pessoas fodem e não são felizes.”

in Obra > Adília Lopes

Saturday, April 13, 2013

História de loiros!

José era louro, estúpido e muito tímido, mas arranjou uma namorada num dia de inspiração.
Um dia, saíram de carro para um passeio pela Costa da Caparica.
Depois de andarem alguns kms, o José ganhou coragem e pôs a mão nas pernas dela.
E ela disse: se quiseres, podes ir mais longe...
Animado, José foi até à Fonte da Telha...

Music was my first love...


Friday, April 05, 2013

Lá vem besteira!

Apresenta-se no palco um homem com um crocodilo.
Depois de agradecer os aplausos, o homem pega num cacetete, dá uma leve
pancada na cabeça do crocodilo e este abre a boca.O homem abre a calça, ajoelha-se e coloca o pênis na boca do crocodilo.

 Começam a rufar os tambores e o público faz silêncio total.
O homem então dá segunda cacetada na cabeça do crocodilo..Este começa a fechar a boca lentamente.
-- Uaaahhh!!! - ouve-se a platéia.O crocodilo, quando está quase a fechar a boca totalmente, pára!!!
Na platéia o silêncio é geral. Apenas se ouve o rufar dos tambores.O homem dá uma terceira paulada na cabeça do crocodilo e este abre
totalmente a boca.
O público explode em aplausos e a orquestra começa a tocar.O homem põe-se de pé, fecha a calça, e num tom desafiador pergunta aos
espectadores:
-- Alguém é capaz de fazer isto?

Aí, responde uma LOURA da platéia:
-- Eu faço!!! Só não gosto que me batam na cabeça. 

Thursday, April 04, 2013

Music was my first love...


Por isso esta noite fiz esta canção para resolver o meu problema de expressão

Wednesday, March 27, 2013

Os europeus comem muito queijo... depois esquecem-se "das coisas"

"União Europeia morreu em Chipre"...?

Quando as tropas norte-americanas libertaram os campos de extermínio nas áreas conquistadas às tropas nazis, o general Eisenhower ordenou que as populações civis alemãs das povoações vizinhas fossem obrigadas a visitá-los. Tudo ficou documentado. Vemos civis a vomitarem. Caras chocadas e aturdidas, perante os cadáveres esqueléticos dos judeus que estavam na fila para uma incineração interrompida. A capacidade dos seres humanos se enganarem a si próprios, no plano moral, é quase tão infinita como a capacidade dos ignorantes viverem alegremente nas suas cavernas povoadas de ilusões e preconceitos. O povo alemão assistiu ao desaparecimento dos seus 600 mil judeus sem dar por isso. Viu desaparecerem os médicos, os advogados, os professores, os músicos, os cineastas, os banqueiros, os comerciantes, os cientistas, viu a hemorragia da autêntica aristocracia intelectual da Alemanha. Mas em 1945, perante as cinzas e os esqueletos dos antigos vizinhos, ficaram chocados e surpreendidos. Em 2013, 500 milhões de europeus foram testemunhas, ao vivo e a cores, de um ataque relâmpago ao Chipre. Todos vimos um povo sob uma chantagem, violando os mais básicos princípios da segurança jurídica e do estado de direito. Vimos como o governo Merkel obrigou os cipriotas a escolher, usando a pistola do BCE, entre o fuzilamento ou a morte lenta. Nos governos europeus ninguém teve um só gesto de reprovação. A Europa é hoje governada por Quislings e Pétains. A ideia da União Europeia morreu em Chipre. As ruínas da Europa como a conhecemos estão à nossa frente. É apenas uma questão de tempo. Este é o assunto político que temos de discutir em Portugal, se não quisermos um dia corar perante o cadáver do nosso próprio futuro como nação digna e independente.

Viriato Soromenho Marques, no DN

Monday, March 25, 2013

O amor é f...


Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço.(...)Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não dá para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. (...)

Miguel Esteves Cardoso, "Elogio ao amor".

Saturday, March 09, 2013

Curtas mas boas!

Un mari à sa femme:
- Tu peux me dire une phrase qui énerve et qui fait plaisir en même temps?
Sa femme:
- OK, tu es le meilleur au lit parmi tes amis!


In "Blague de merde" 

Friday, March 08, 2013

Às mulheres da minha vida


 
"Woman" by John Lennon 

Matriz 
Nascem predestinadas, portadoras de um gene que as domina toda a vida: o do embalo. Por isso têm macia e lisa a pele dos braços e do colo, quente aconchego que cedo aprendem a oferecer. Embalam bonecas e bichos, mães extremosas de palmo e meio que afinam gestos futuros e marcam territórios de conforto e protecção. Embalam irmãos, primos e companheiros de brincadeiras quando lhes secam, com beijos e sorrisos, as lágrimas de uma injustiça ou de um desaire. Embalam sonhos românticos, adolescendo na certeza de que haverá um mundo perfeito à sua espera, feito de perfeitas metades que se unirão por artes de magia. E quando o mundo se lhes revela sem máscaras, embalam a desilusão e seguem em frente. Embalam os seus homens - frágeis botes enfrentando intempéries - uma vida inteira. Fazem-se portos seguros, acolhendo exauridos náufragos ou heróis vitoriosos, esquecidas das suas próprias viagens. Embalam os filhos, ai, como embalam os filhos para sempre. Embalam amigas, patrões, colegas e vizinhos, a menina da caixa do supermercado, a manicura ou o merceeiro viúvo que mal conhecem, só porque eles estão com ar de quem precisa de desabafar. Embalam netos e, neles, de novo os filhos, retomando um ciclo nunca quebrado, nunca traído. Embalam, finalmente, todos os amores vividos, as promessas antigas, os planos adiados, juntam-lhes memórias de tempos felizes e de tudo fazem uma manta quente com que agasalham os dias de solidão. Embalam saudades. Embalam a vida. Embalam o mundo.

Todas as mulheres são mães. Mesmo as que nunca o foram. Mesmo as que nunca o serão.
Quem as embala?

Texto  de Ana Vidal 

Saturday, March 02, 2013

Music was my first love...


"Grande Zeca..grande senhor!!! O meu avô lutou durante toda a sua vida, para os meus pais e para eu ter uma vida com direitos e igualdades..e eu juro avô..vou lutar até que a voz me doa..por mim..por ti..pelos meus pais..pelo meu país..pelos meus!!Seja em manifestações..seja em protestos..não vou ficar sentada no sofá a espera que alguém faça algo por mim, porque foi isso que tu me ensinaste..a lutar pelos meus direitos e pelos dos outros!! ♥ Aos meus dois avôs José e Julio..que descansem em paz!" ALEX PAPRY 

(Comentário à "Grândola Vila Morena" encontrado no Youtube, e que dedico aos jovens do meu país... Oxalá tenham força - e engenho - para concretizar tudo aquilo que ficou por fazer nos últimos 35 anos...)

Ah, pois é...


Saturday, February 23, 2013

El puente que nos separa

Dime cuál es el puente que separa 
tu vida de la mía,
en qué hora negra, en qué ciudad lluviosa,
en qué mundo sin luz está ese puente
y yo lo cruzaré.

Amalia Bautista

Sunday, February 03, 2013

Não acredito que os banqueiros façam estas coisas...

Após um estranho e longo silencio, em que o que aparecia relativo às malfeitorias bancárias se resumia ao BPN, BPP e em menor grau ao BCP, a imprensa começa timidamente a falar dos banqueiros de topo, aqueles que fazem e desfazem governos e que estão sempre ao lado do poder, de Salazar a Passos Coelho, passando pelos socialistas. Não me refiro ao que é ilegal, porque disso deve cuidar a justiça, mas dos "esquecimentos" que levam milhões lá para fora sem serem declarados ao fisco, para depois a memória melhorar, ou ser melhorada e o dinheiro regressar cá dentro com um pequeno imposto para pagar de bónus.
... ...
Não deviam os governantes dizer alguma coisa? Dever, deviam. Dizer, não dizem.

O texto integral de Pacheco Pereira no Abrupto 

True

Sunday, January 20, 2013

Com os pés bem assentes no chão

Já no que diz respeito a economia, Portugal continua no "divisão" dos pesos pluma. No ranking das 250 maiores empresas de distribuição do mundo (dados de 2012), o nosso país está representado apenas por duas: Jerónimo Martins e SONAE, respectivamente em 81° e 145° lugar...

Fonte: Deloitte.
Pode consultar-se o estudo - por sinal muito interessante - "Les Champions de la distribuition 2012", em formato pdf, através deste link

Contra factos não há argumentos

Apesar da crise, do mau tempo (!) e da legítima ou infundada falta de fé no futuro - depende do ponto de vista -  há factos que são irrefutáveis: Portugal situa-se num honroso trigésimo lugar, nos países onde MELHOR se pode nascer... Mais, de 1988 até à actualidade, Portugal subiu 2 lugares no ranking, independentemente das condicionantes externas e internas que certamente impediram um melhor desempenho.
Em vez de estarmos constantemente a "olhar para o nosso umbigo", se calhar também era útil, até para a nossa autoestima, congratularmo-nos com aquilo que (ainda) temos de bom...



Just an old fashion relation...!

Tuesday, January 15, 2013

Mas afinal quem são os burlões?

Artur Baptista da Silva disse que era economista, professor catedrático e que trabalhava na ONU. Deu entrevistas e foi convidado para programas como este, na SIC: 


Só dias depois é que os jornalistas se lembraram de verificar se o Artur era tudo o que dizia ser. Não era nada. Por isso desataram a despejar notícias acerca do Artur, que é um terrível burlão e que até já esteve preso. Como se descobrir um burlão ainda fosse notícia. 

Eu não sei o que o Artur é, mas bom burlão não é certamente. Não parece ter ganho grande coisa com isto, cometeu o erro crasso de procurar exposição mediática – coisa que um burlão só pode fazer depois de eleito por algum partido – e a burla parece ter sido essencialmente imprimir um cartão de visita e inscrever-se na Academia do Bacalhau. De resto bastou dizer “nós na ONU” e esperar que ninguém olhasse bem para o cartão. Mais do que burlar, parece-me que o Artur só queria que lhe dessem ouvidos e, para isso, fez-se parecer importante. 

Nem me sinto especialmente enganado pelo Artur. Dele só ouvi o que está neste vídeo e pouco me rala se é da ONU. A história do Hypo Real Estate é duvidosa, porque dificilmente o governo alemão terá lucrado com a nacionalização de um banco falido, mas mais inverosímil ainda é a proposta do outro interveniente de que podemos repetir o que se fez em Portugal na década de 60, quando o crescimento ultrapassou os 6%. Nos cinquenta anos que passaram mudou muita coisa. O Artur disse também que 41% da dívida pública se deve à comparticipação portuguesa em projectos da UE. É uma simplificação enganadora mas o número não deve estar muito errado.
...
Leia o artigo completo no blogue Que Treta, com chamada para os links explicativos 

É fartar, vilanagem...

Goldman Sachs bankers to reward themselves a staggering £8.3billion in bonuses

The bank will be first to unveil its rewards - an average of £250,000 a person.
Increase, up from £230,000 last year, comes as families are struggling to make ends meet.
Calls for restraint by politicians, who used taxpayers' money to bail banks out, have fallen on  deaf ears.

O artigo completo no Daily Mail Online 

Sunday, January 13, 2013

Nada de confusões!

Na favela dois homens entram num barraco arrastando um cara pelos braços. Lá dentro, o  Djalmão, um negão enorme limpa as unhas com um facão.
- Djalmão, o chefe mandou você comer o cu desse cara aí, que é para ele aprender a não se meter a valente com o nosso pessoal.
- Pode deixar ele aí no cantinho que eu cuido dele daqui a pouco.
Quando o pessoal sai o rapaz diz:
- Ô seu Djalmão, faz isso comigo não, depois de enrabado minha vida vai acabar, etc..
- Cala a boca e fica quieto aí!

Pouco depois mais dois homens arrastando outro cara:
- Esse ai o chefe mandou você cortar as duas mãos e furar os olhos é para ele aprender a não tocar no dinheiro do gang.
- Deixa ele aí que eu já resolvo.

Daí a pouco chega outro pobre coitado:
- Djalmão, esse o chefe quer que você corte o bilau e a língua para ele não se meter com mais nenhuma mulher da favela!
- Já resolvo isso. Bota ele ali no cantinho junto com os outros.
Nisso o primeiro rapaz diz em voz baixa:
- Seu Djalmão, com todo respeito, só pro senhor não se confundir: o do cu sou eu, tá?

Music was my first love...


Como diz a outra, eu hoje acordei assim

Sunday, January 06, 2013

We are an amazing species living in an amazing time

 
Does Our Planet Need a Stroke of Insight?

"What this means is that the mean little voice inside my head, the one that is critical of self or others and judges everyone and everything in a negative way, is a part of my neurocircuitry. The question is, what say do I have in who and how I want to be in the world. Do I have the power to choose being kind over being judgmental? Do we have the power to be open rather than based in our fear? Of course we do, and the better we understand the choices we have been making, either consciously or unconsciously, the more say we will have in the world we create. Neurocircuitry may be neurocircuitry, but we don't have to run on automatic.
... ...
I am a true believer that the next step in our human evolution is upon us, and we are becoming more balanced in not only how we live inside our own heads but in how we treat our planet. When we live our lives through the intention of our right minds, and use the skill sets of both minds to achieve our goals, we become a whole-brained and more balanced society. Change is never easy, and there will always be those who fall behind. But overall, I am encouraged by where we are, and the direction we are heading."
Dr. Jill Bolte Taylor 

Artigo completo (em inglês) do "Huffington Post" aqui. Através deste link, há a opção de visionamento deste clip com legendas em português.

Desta "cepa" já não há!


Saturday, January 05, 2013

O "top" da carreira de limpa-vidros!


Eu amo tudo o que foi


Eu amo tudo o que foi,
Tudo o que já não é,
A dor que já me não dói,
A antiga e errônea fé,
O ontem que dor deixou,
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia.

Fernando Pessoa, 1931 

Wednesday, January 02, 2013

Foi apenas há trinta anos que TUDO mudou

Time machine of the year

Magazine Man of the Year was actually… the Computer. First time it was a non-human & was titled “Machine of the Year” (on issue dated Jan. 3, 1983). Imagine that, just 30 years ago!

Thanks to Bits & Pieces  

Music was my first love...


Histórias de "músicos"!

Tinha acabado de chegar ao Alentejo uma excursão de espanhóis.
Ao verem um  alentejano, o guia comunicou aos passageiros:
- Ahora me voy hablar con ese português... - e foi ter com o  alentejano:
- Hola, como te llamas?
- Toino...
- Yo también me llamo António ! Cual és tu profesión?
- Sou músico...
- Yo también soy musico... Y que tocas?
- Toco trompete, e tu?
- Yo también toco trompete. Una vez fue a la Fiesta de Nuestra Señora de los Remédios y toqué tan bien, que a Señora bajó del andor y empezó a llorar.
E replicou o alentejano:
- E ê fui uma vez à Festa do Senhor dos Passos e toquei tan bem, tan bem, que o Senhor largou a cruz, agarrou-se a mim e disse-me:
'Ah, g'anda Toino, tocaste melhor que o cabrão do espanhol que fez chorar a minha mãezinha!

Esta "história" é dedicada ao Sr Carolino Tapadejo, alentejano de gema, grande associativista e antigo Presidente da Câmara de Castelo de Vide, que fez o favor de me honrar com a sua desinteressada amizade, e que me orientou na descoberta do nosso magnífico Alentejo e da alma das suas gentes!... 

Pode ser que seja melhor por isso


Sunday, December 30, 2012

Happy New Year!...


Mais um ano chegando ao fim. Ele passa tão rápido, que a gente nem vê. E assim os dias passam e deles restam apenas as diversas lembranças que estarão sempre vivas dentro dos nossos corações. Memórias desses vários momentos que vivemos nesses 12 meses. Houve tantas coisas. Boas e ruins. Houve lágrimas e também muitos sorrisos, alguns de felicidade e outros até mesmo para esconder a tristeza. Houve brigas e erros, mas também muitos abraços e acertos. Mas agora reveja tudo que passou nesse ano, e você vai perceber que ele valeu à pena. E quando der 00:00 no relógio e o show de fogos começar, anunciando o início de 2013, olhe para trás, mas não procure por mágoas e arrependimentos, perceba que muitas foram as quedas e obstáculos, mas também inúmeros momentos alegres que provavelmente compensam todas as situações de infelicidade. As tristezas? Deixa-as para trás, afinal, está chegando um ano novo, uma oportunidade para você esquecer tudo aquilo que o incomoda e lhe faz mal. As pessoas que ama? Cuide bem delas para que permaneçam para sempre. E as promessas? Por mais que as façamos, muitas vezes não conseguimos cumpri-las, então, não pense em prometer algo ao ano novo, apenas aproveite e faça aquilo que for possível. E que venha 2013, e seja melhor que 2012.
Óptimo Ano Novo para todos vós!...

In A Alma Sente 

Music was my first love...

                                  Ask the angels who they're calling...

Feliz Aniversário, Patti Smith!...



Happy birthday, Patti! My special friend of the good and the bad moments!
Thank you so much for everything that you gave to me and to all the people that loves you!
From the bottom of my heart, I wish you a very nice day!


Tuesday, December 25, 2012

Urbanidades

"O urbanista de hoje, para ser autêntico, deve partir do princípio profundamente humano de que uma cidade não são apenas as casas, ruas, avenidas, praças, etc., antes a comunidade que nela vive e convive, com os seus diversos grupos, suas instituições, seu modo de viver, suas tradições e seus costumes."

Arq° Mário de Oliveira, num artigo de 1965 

Monday, December 24, 2012

Music was my first love...


A mais bonita canção de Natal!
                     The most beautiful Christmas's song!
                                          La plus belle chanson de Noël!...

Boas Festas!...


Presépio em Monsaraz, Portugal

Sunday, December 23, 2012

TEDTalks: Como defender a Terra dos asteróides

Falando de coisas sérias, em contraponto com o tão anunciado "fim do mundo", vale a pena ouvir este cientista dissertar sobre os perigos REAIS a que o nosso planeta está sujeito, e o que se está a fazer para nos defendermos. Em linguagem muito acessível, e num tom por vezes cómico, Phil Plait consegue cativar uma vasta audiência, com informação bastante actual sobre a ameça concreta que os asteróides representam para a Terra.


Pode-se optar por legendas em português, ou uma das restantes 32 línguas disponíveis.

Sunday, December 09, 2012

Ler, ouvir e divulgar, por um futuro melhor para todos

Nos dias que correm a quantidade de informação que nos chega é de tal ordem, que todo o cuidado é pouco na sua interpretação e análise. Quero com isto dizer que muitas vezes as aparências iludem, ou seja, um determinado artigo que à primeira vista parece ser relevante e com um conteúdo bem estruturado, por vezes não é mais do que aquilo que estamos à espera de ler e ouvir, pecando por falta de contraditório e/ou fontes fidedignas, ou pouco credíveis.
Mas essa é uma preocupação e um cuidado que a todos nós compete, e não têm que ser substituídos por uma qualquer CENSURA (está tudo desmontado aqui), por mais vantagens e boas intenções de que ela transborde...
Há artigos que, pela sua importância, sustentação, profundidade de análise e, sobretudo, pela sua actualidade, têm a obrigação de ser divulgados o mais possível. Acredito muito sinceramente que, como cidadãos responsáveis que somos, QUANTO MAIS BEM INFORMADOS E CONSCIENTES estivermos acerca da difícil realidade que todos estamos a viver, bem como das suas causas e origens, mais facilmente nos uniremos a fim de se pôr termo à monstruosidade de que estamos a ser alvo, enquanto povo e enquanto nação.



..."A previsão (ONU) é de que, se não forem tomadas medidas (...) nos próximos 3 meses, a situação na Europa do Sul, em termos sociais, tornar-se-á implosiva e incontrolável..." é a opinião das Nações Unidas, em 17 de Novembro de 2012.

Artur Baptista da Silva é o coordenador em Portugal do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), e baseia todo o seu discurso em dados estatísticos credíveis, reconhecidos internacionalmente, quer por Portugal quer pela (des)União Europeia.

Garanto-vos que vale a pena ver esta apresentação na íntegra. Se bem que um pouco longa, é constituída por duas partes, e está elaborada numa linguagem quase sempre clara e perfeitamente compreensível pelo comum dos cidadãos, ou seja, não é, de todo, o economês a que infelizmente já estamos habituados. Está lá tudo, muito bem explicado e fundamentado: as origens dos nossos males, os interesses instalados por detrás de falsas solidariedades, os sucessivos erros desde a entrada de Portugal para a então CEE e os diferentes culpados... Não se limitando a criticar e a constatar o porquê do termos chegado a este beco sem saída, Artur Baptista da Silva / ONU aponta para possíveis saídas, através de poupanças de carácter financeiro e alterações da política fiscal que tem sido seguida (ou que nos tem sido imposta, vá-se lá saber...).




Basta de austeridade! Já chega de ouvirmos a afirmação - mil vezes repetida - de que temos vivido acima das nossas possibilidades. Talvez os políticos o tenham feito depois do 25 de Abril, os banqueiros de certeza que o fizeram e continuam a fazer (a eles TUDO lhes é permitido, até dizer baboseiras como as que temos que AGUENTAR), mas não venham atirar-nos com mais areia para os olhos.

Na Suíça, país onde actualmente vivo e trabalho, creio que nada disto seria possível, porque aqui existe consciência cívica, por tudo e por nada fazem referendos junto da população, os dirigentes e governantes normalmente demitem-se das suas funções, quando há casos de suspeição, já que não se sentem confortáveis para continuar a ocupar os seus lugares até se apurar se realmente houve ou não algum ilícito. Não quero com isto dizer que este país não tem defeitos, mas acho que Portugal tem muito que aprender com os suíços no que diz respeito a Democracia Directa.
Acima de tudo e de todos continuo a amar Portugal, orgulho-me de ser português, apesar de não ter orgulho nenhum - bem pelo contrário - em certos portugueses que se têm governado e nos continuam a (des)governar.

Saturday, December 08, 2012

Gandamaluco!


Para contrariar um pouco o bota-abaixismo e a falta de horizontes instalados nos media e na nossa sociedade. Com pronúncia do norte!
"... e depois há uma coisa mágica, e insubstituível, que é procurar gatos pretos, em quartos pretos onde não há gatos pretos, e encontrá-los!... E isto é que é gerar oportunidades de negócio!".
Sublime!  

Thursday, December 06, 2012

Devaneios de um dragão!


Diálogo  com um padre

 
Padre- Então, meu filho, porque queres tu tornar-te católico?

Dragão - Bem, padre... Estou a ficar velho e, pelo sim, pelo não, convém acautelar a reforma celeste. Não descontei toda a vida, mas não poderia agora entrar num  programa rápido de compensações e prestações caridosas por atacado?

Padre - Meu filho, a Providência Divina não é bem igual à Previdência Social, graças a Deus:

Dragão - Pena. Todavia, olhe,  para começar, acredito em Deus!...

Padre - Pois, meu filho, mas isso é irrelevante. Compete-te acreditar é na Santa Madre Igreja. É isso que faz de ti um católico. A Igreja é a concessionária estatal de Deus na terra. Fora Dela, não serás nunca um crente, mas um contrabandista da fé, um evadido aos impostos celestiais!...

Dragão - Ah... já  agora, escute cá, ó padre: se somos praticamente da mesma idade, porque teima em aperfilhar-me? Não faria mais sentido chamar-me "irmão", ou "meu irmão"?
... 
 Continua aqui

Saturday, December 01, 2012

Porque a SIDA existe


Conjurados precisam-se... de novo!

Para memória futura: 1° de Dezembro sempre 

Tudo começou em finais do séc. XVI: o Rei de Portugal era Dom Sebastião. Em 1578, Dom Sebastião morreu na batalha de Alcácer-Quibir, no norte de África. Portugal ficou, assim, sem Rei, pois Dom Sebastião era muito novo e ainda não tinha filhos, não havia herdeiros directos para a Coroa Portuguesa. Assim, quem subiu ao trono foi o Cardeal D. Henrique, que era tio-avô de Dom Sebastião. Mas só reinou durante dois anos porque nem todos estavam de acordo com ele como novo Rei.(...) Em 1580, nas Cortes de Tomar, Filipe II, Rei de Espanha, foi escolhido como o novo Rei de Portugal. A razão para a escolha foi simples: Filipe II era filho da Infanta Dona Isabel e também neto do Rei português Dom Manuel, por isso tinha direito ao trono. Durante 60 anos, viveu-se em Portugal um período que ficou conhecido na História como “Domínio Filipino”. Depois do reinado de Filipe II (I de Portugal), veio a governação de Filipe III (II de Portugal) e Filipe III (de Portugal). Estes Reis governavam Portugal e Espanha ao mesmo tempo, como um só país. Os portugueses acabaram por revoltar-se contra esta situação. Os impostos aumentavam; a população empobrecia; os burgueses ficavam afectados nos seus interesses comerciais; a nobreza estava preocupada com a perda dos seus postos e rendimentos; o Império português era ameaçado por Ingleses e Holandeses e os Reis Filipinos nada faziam. E, no dia 1 de Dezembro de 1640, puseram fim ao reinado do Rei espanhol. Eram apenas quarenta homens, "Os Conjurados", um grupo de valentes portugueses, que se organizaram clandestinamente durante o domínio dos espanhóis sobre Portugal, na sua maioria da nobreza portuguesa, cujo objectivo era o de destituir a Dinastia dos Filipes e proclamar um Rei português.
Assim, invadiram o palácio da Duquesa de Mântua, atiraram Miguel de Vasconcelos pela janela causando-lhe a morte, e proclamaram El-Rei Dom João IV, aos gritos de "Liberdade". O povo e toda a Nação portuguesa acorreu logo a apoiar a revolução, Restauração da Independência, e assim, D. Filipe III, IV de Espanha, que se encontrava já a braços com uma revolução na Catalunha, não teve como retomar o poder em Portugal. 
Aquele que ficou reconhecido como tendo sido o grande impulsionador da conspiração foi João Pinto Ribeiro. O Palácio dos Almadas tornou-se então conhecido pelos acontecimentos históricos que nele se passaram, nomeadamente o papel de alguns membros da família Almada no movimento da Restauração de 1640. Hoje conhecido pelo Palácio da Independência ou Sociedade Histórica da Independência de Portugal (SHIP).
Foi assim que Portugal recuperou a sua independência, sendo Dom João IV, Duque de Bragança, aclamado Rei, com o cognome de "O Restaurador".

"Gamado" ao blogue do Duque de Bragança

Monday, November 26, 2012

Imperfeições

Se eu pudesse novamente viver a vida...
Na próxima...trataria de cometer mais erros...
Não tentaria ser tão perfeito...
Relaxaria mais...
Teria menos pressa e menos medo.

Jorge Luiz Borges

Tuesday, November 20, 2012

It's a shame...

O Estado, bem como os PARASITAS que se governam às custas dele, HÁ MUITO TEMPO QUE PERDERAM A VERGONHA!


"Foi a doença e o hospital, que por várias vezes pontuaram a minha vida, que me fizeram conhecer a vida e o trabalho da enfermagem. As horas intermináveis de serviço, a atenção cuidada aos doentes, a capacidade de sorrir e animar um paciente mesmo quando o cansaço já se lhe adivinha nos olhos. A atenção profissional aos sinais clínicos, às campaínhas, aos gemidos de dor, a insónia para que aqueles que cuidam possam descansar, os actos clínicos cautelosos, explicados, rigorosos, cumprindo-se enquanto profissionais e cidadãos. São a parte mais decisiva de toda a organização do sistema de saúde. Nas suas mãos morrem muitos. Das suas mãos renascem para a vida muitos mais, enquanto o médico chega ou não chega. São o verdadeiro sangue da vida hospitalar. O apoio primeiro. O primeiro olhar. E, por vezes, a última palavra. São homens e mulheres com as mãos mergulhadas na dimensão maior da sua existência, reparando, tratando, cuidando de doentes, de convalescentes, de moribundos.
Nunca lhes agradeceremos tudo aquilo que merecem, centrado que está o olhar nas decisões do médico. Mas são a essência das nossas expectativas de sobrevivência quando nos confrontamos com a doença.
Pagar-lhes 3,95 euros à hora não é apenas tratá-los mal. É sujeitá-los à humilhação e à miséria. É transformar seres humanos, superiormente qualificados, em indigentes a quem se dá a esmola para que não morram de fome. É uma vergonha que os envergonha e nos envergonha. É um País não ter respeito por si próprio embora esteja de braços abertos ao intermediário. Aos parasitas. Um estado que permite isto deveria ser pago à vergastada."

Francisco Moita Flores
(sublinhados meus)

Saturday, November 17, 2012

Levantai hoje de novo...

"Nota máxima para tão brilhante quão patriótico desabafo" é um dos comentários feitos a esta magnífica peça do Dragão, que não resisti a postar na íntegra, tal é a qualidade do texto. Para quem gostar do estilo, há mais por aqui, embora por vezes as verdades se tornem incómodas, pois dizem directamente respeito a todos nós, portugueses.



 
As Forças Armadas também reduzidas ao queixume. Queixam-se que o governo está a colocá-las num beco. Se pensarmos que são as primeiras responsáveis pela colocação do país em hasta, depois a saque e, finalmente, em liquidação geral, de que se queixam, afinal, as Forças Armadas? De estarem a ser conduzidas ao beco? Deviam queixar-se de si próprias. Afinal, até são uns privilegiados, auferem dum certo tratamento deferencial: o restante país está a ser conduzido ao matadouro. Para já, da esperança; depois, logo se vê.

Há uma diferença entre as Forças Armadas (e todos aqueles que passaram pelas fileiras) e o resto da população civil, dos doutorecos às madames-a-dias: é que aqueles, ao contrário destes, juraram a bandeira, juraram defender a soberania nacional e, se necessário, dar a vida pela pátria dos seus filhos e dos seus antepassados. Portanto quando sabotam, quando colaboram, quando desertam do seu dever, a infâmia da cobardia diante do inimigo é agravada da ignomínia da traição e do estigma do perjúrio. Por alturas de 74 ainda existia, e justamente, a pena de morte na lei portuguesa: no código de Justiça Militar. Pelo crime de Alta-Traição. Claro que foi imediatamente abolida. Afinal, a alta-traição tornava-se a ocupação principal da oficialada em obediência doravante, como lapidarmente timbrou António José saraiva, às vísceras e não à bandeira. A Alta, a Baixa, a Média e todas quantas estivessem ao dispor da conveniência do momento e do capricho peludo.

Escutam-se histórias verídicas de timorenses exilados na Austrália, após a invasão Indonésia, que respeitavam a bandeira portuguesa hasteada à porta das suas casas ao ponto de não pisarem a sua sombra. Se a possuissem, os militares portugueses, deviam experimentar o zénite da vergonha perante esta gente longínqua mas digna. No tempo e na história. Porque a verdade é que a desonra duma bandeira é tanto maior quando é canibalmente perpretada por aqueles que juraram defendê-la. Mas pedir vergonha a quem abjurou a honra é pedir água a um penedo.

Não compete às Forças Armadas servir Governos - compete a ambos, Forças Armas e Governo servir a Pátria, nesta se consolidando os vivos e os mortos; o presente, o passado e o futuro. Mas o que aconteceu nestes últimos anos foi a perversão mais rasteira e desprezível disso: foi as Forças armadas e os Governos, em regime de necrófagos, a servirem-se do corpo mutilado, exangue e prostituído da Pátria.

Proclamam agora, em repenicado assomo corporativo, que as Forças Armadas não servem o governo, mas a Soberania Nacional. A última vez que arvoraram assomos destes, varreram, duma assentada, o governo e a Soberania. Agora, se varrerem, varrem o quê? Governo não se avista, apenas desgoverno recalcitrante e revezado; Soberania também não; por conseguinte as Forças Armadas, das duas uma: ou se varrem a si próprias, e não será pouca a mancha conspurcante que varrem (e a valente poupança prós contribuintes); ou varrem coisa nenhuma, que é a soma exacta do desgoverno e da suja subserviência financeira actuais.

Situação absurda e atroz? Sem dúvida. E de quem a principal responsabilidade por este sórdido desenlace? De quem, em primeira instância, o desencadeou: as Forças Armadas, nem mais.

Quem escreve estas duras linhas é um fascista, um retrógado? Fascista é essa estupidez que vos oprime! Fascista, mesmo, é essa cobardia que vos tolhe e despotiza! Fascista, absolutamente fascista, é essa irresponsabilidade soberaníssima, essa frivolidade venal, esse bandulho cruel que vos arrastam e escravizam! E retrógado é quem recambia um país de oitocentos anos ao caos, à balbúrdia, ao neo-feudalismo, ao tribalismo sectário, à partidarite devorista e, por fim, à insolvência e à esmola internacional.

Mas já que ostentam a soberania Nacional deviam então saber que a nação está acima de regimes, governos e partidos. E que a patrulha dessa fronteira, a defesa desse imperativo competiam às Forças Armadas. Não, exactamente, dando tiros, mas exercendo a firmeza e influência que evitam esses extremos, tanto quanto golpadas e revolucinhas. Mas que portentos nobres e elevados desarrincaram as Força armadas, no seu momento MFA? Apearam um mau governo e instalaram o governo nenhum, logo seguido do desgoverno crónico. A título da descolonização, a debandanda pusilânime e criminosa. A título de democracia, umas ditadurazinhas a prazo, uma Desunião nacional aos molhos e aos votos, uma demofagia sectóide, um neofeudalismo insaciável! De tal modo que em vez do tão vituperado colonialismo imperial, passámos ao neo-colonialismo doméstico. A título de desenvolvcimento, betão e asfalto, shoppings e telenovelas, publicidade e propaganda, extermínio da indústria, da agricultura, das pescas, exportação desenfreada de Dívida e, para condecoração na história, três bancarrotas exuberantes, a últimas das quais e presente, anunciadora da extinção, pura e simples, do país, sem honra, sem dignidade, sem coluna, sem independência e sem moeda.

Nestes últimos trinta anos a Soberania foi esquartejada, pesada e vendida a retalho como numa loja de secos e molhados. Tudo à revelia do próprio povo - inimputável encartado fora as periódicas, inócuas e cada vez mais despovoadas peregrinaçãos fúnebres (às urnas); pior, à revelia do próprio Interesee Nacional e do Futuro das gerações. E o que fizeram as Forças Armadas nesse tempo todo? Assistiram zombificadas ao comércio. Coadjuvaram pachorrentamnte nos fretes. Serviram a Pátria? Não; serviram de moço de mercearia. Viajaram pelo mundo, do Kosovo ao Afganistão, a entregar cestos de enlatados anglo-saxónicos e, tão pouco, bacalhaus: hamburgueres, hot-dogs, pizzas!... Fugiram da defesa do Império Português para descambarem em cipaios do Império Americano. E nem sequer necessários, apenas folclóricos!...

Pelo que agora aflige-vos o quê? O beco sem saída da vossa insustabilidade? Mas aonde julgáveis que conduzia a alameda festiva da vossa inconsequência, da vossa impostura e da vossa deserção - ao parque de diversões da sempiterna vida fácil?

Acordais, finalmente? Retirais a cabeça avestruza do buraco maravilhoso, onde visões fascinantes vos entretinham, e que fazeis? Cantais "Grandola. Vila Morena". Mais ainda? Não chega? Não basta? Está aí a terra prometida da fraternidade. Dentro do buraco, caras aves corredoras, provavelmente avistáveis o próspero país dos cangurus, lá nos antípodas. Mas aqui fora, à superfície, são trinta e tal anos de fraterndade grandula, ou seja, prosperidade para alguns e a conta do regabofe para os outros todos. Tínhamos ainda alguma esperança que despertásseis alterados, que a ave corredora desse lugar ao homem firme. Que cantasseis o hino, as vezes que fossem precisas, bem alto, até à rouquidão. Sempre o hino! Até que as palavras não fossem meras palavras, mas convocatória aos vivos e aos mortos, ao passado e ao futuro, à vida contra a morte, ao levantamente contra a submissão, à coragem contra o medo, a Portugal, todo, inteiro, justo, para que se erga da lama e do lixo onde foram despejá-lo, para que se levante da vala imunda onde o planeiam sepultado!

Esta, parece-me, não é coisa nem ocasião de somenos. É a ultima oportunidade que tendes, e a mais dramática, para lavardes a honra da instituição militar, entretanto convertida em tapete de estrebaria, na antecâmara de um albergue espanhol. O povo sempre foi capaz de sacrificar-se para que o Pátria viva; o que não está disposto é a deixar-se enterrar junto com ela. E é mil vezes preferível que as armas acudam ao povo antes que o povo se veja obrigado a pegar em armas.