Com a devida vénia, reproduzo na íntegra um belíssimo texto, publicado no facebook pelo meu amigo Zé Abranches, sobre o fundamentalismo das cozinhas "gourmet", "chefs", estrelas michelin e afins...!
"Estou cansado da religião dos chefs: restaurantes não são santuários
O melhor restaurante do mundo? Ora, ora: é o Eleven Madison Park, em Nova York. Parabéns, gente. A sério. Espero nunca vos visitar. Entendam: não é nada de pessoal. Acredito na vossa excelência. Acredito, como dizem os críticos, que a vossa mistura de "cozinha francesa moderna" com "um toque nova-iorquino" é perfeitamente comparável às 72 virgens que existem no paraíso corânico.
Mas eu estou cansado da religião dos chefs. Vocês sabem: a elevação da culinária a um reino metafísico, transcendental, celestial. Todas as semanas, lá aparece mais um chef, com a sua igreja, apresentando o cardápio como se fossem as sagradas escrituras.
Os ingredientes não são ingredientes. São "elementos". Uma refeição não é uma refeição. É uma "experiência". E a comida, em rigor, não é comida. É uma "composição".
Já estive em vários desses santuários. Quando a comida chegava, eu nunca sabia se deveria provar ou rezar. Os meus receios sacrílegos eram acentuados pelo próprio garçom, que depositava o prato na mesa e, em voz baixa, confidenciava o milagre que eu tinha à minha frente:
– Pato defumado com pétalas de tomate e essências de jasmim.
Escutava tudo com reverência, dizia um "obrigado" que soava a "amém" e depois aproximava o garfo trêmulo, com mil receios, para não perturbar o frágil equilíbrio entre as "pétalas" e as "essências".
Em raros casos, sua santidade, o chef, aparecia no final. Para abençoar os comensais. No dia em que beijei a mão de um deles, entendi que deveria apostatar.
E, quando não são santos, são artistas. Um pedaço de carne não é um pedaço de carne. É um "desafio". É o teto da Capela Sistina aguardando pelo seu Michelangelo.
Nem de propósito: espreitei o site do Eleven Madison Park. Tenho uma novidade para dar ao leitor: a partir de 11 de abril, o Eleven vai fazer uma "retrospectiva" (juro, juro) com os 11 melhores pratos dos últimos 11 anos.
"Retrospectiva." Eis a evolução da história da arte ocidental: a pintura rupestre de Lascaux; as esculturas gregas de Fídias; os vitrais da catedral gótica de Chartres; os quadros barrocos de Caravaggio; a tortinha de quiche de ovo do chef Daniel Humm.
Gosto de comer. Gosto de comida. Essas duas frases são ridículas porque, afinal de contas, sou português. E é precisamente por ser português que me tornei um ateu dos "elementos", das "composições" e das "essências". A religião dos chefs, com seu charme diabólico, tem arrasado os restaurantes da minha cidade.
Um deles, que fica aqui no bairro, servia uns "filetes de polvo com arroz do mesmo" que chegou a ser o barómetro das minhas relações amorosas: sempre que estava com uma namorada e começava a pensar no polvo, isso significava que a paixão tinha chegado ao fim.
Duas semanas atrás, voltei ao espaço que reabriu depois das obras. Estranhei: havia música ambiente e a iluminação reduzida imitava as casas de massagens da Tailândia (aviso: querida, se estiveres a ler esta crónica, juro que nunca estive na Tailândia).
Sentei-me. Quando o polvo chegou, olhei para o prato e perguntei ao dono se ele não tinha esquecido alguma coisa. "O quê?", respondeu o insolente. "O microscópio", respondi eu.
Ele soltou uma gargalhada e explicou: "São coisas do chef, doutor." "Qual chef?", insisti. Ele, encolhendo os ombros, respondeu com vergonha: "O Agostinho". O cozinheiro virou chef e o meu polvo virou calamares.
Infelizmente, essa corrupção disseminou-se pela pátria amada. Já escrevi sobre o crime na imprensa lusa. Ninguém acompanhou o meu pranto.
É a música ambiente que substituiu o natural rumor das conversas. É a iluminação de bordel que impede a distinção entre uma azeitona e uma barata. É o hábito chique de nunca deixar as garrafas na mesa, o que significa que o garçom só se apercebe da nossa sede "in extremis" quando existem tremores alcoólicos e outros sinais de abstinência. Meu Deus, onde vamos parar?
Não sei. Mas sei que já tomei providências: no próximo outono, tenciono aprender a caçar. Tudo serve: perdiz, lebre, javali. Depois, com uma fogueira e um espeto, cozinho o bicho como um homem pré-histórico.
O pináculo da civilização é tortinha de quiche de ovo do chef Daniel Humm? Então chegou a hora de regressar às cavernas de Lascaux."
Temas possíveis: música, humor, poesia, leituras/reflexões sociais, políticas e económicas (a ordem é irrelevante). Palavras que eu gosto e expressões fora de uso: real gana, por exemplo! Mais: aqui escreve-se à moda antiga, isto é, estou em desacordo com o "acordo" ortográfico.
Monday, June 04, 2018
Thursday, May 24, 2018
Music was my first love...
Sérgio Godinho - Grão da mesma mó
Thursday, May 03, 2018
O "Maio de 68" foi há cinquenta anos
- É proibido proibir!
- A imaginação ao poder!
- Seja realista, exija o impossível!...
Estas e outras frases tornaram-se célebres, no âmago dum movimento social que sem dúvida nos fez pensar de outra maneira, e nos criou a esperança - ou a ilusão? de acreditar que seria possível um mundo melhor...
- A imaginação ao poder!
- Seja realista, exija o impossível!...
Estas e outras frases tornaram-se célebres, no âmago dum movimento social que sem dúvida nos fez pensar de outra maneira, e nos criou a esperança - ou a ilusão? de acreditar que seria possível um mundo melhor...
Daniel Cohn-Bendit
"O mês de maio de 1968 revolucionou a França e também a Europa... Há cinquenta anos, esse movimento social de estudantes e trabalhadores mudou a história do velho continente.
Tudo começou com a mobilização dos estudantes parisienses, um movimento libertário essencialmente antiautoritário que denunciou, na época, o imperialismo em todas as suas formas, reivindicou a libertação da moral e desafiou a velha universidade e a sociedade de consumo que haviam conquistado França após 10 anos de prosperidade e o início do desemprego.
As manifestações foram seguidas de repressão policial. Entre maio e junho de 1968, contam-se pelo menos sete mortos, mais de 2.000 feridos e centenas de detenções.
O maio francês está alinhado com o que está a acontecer nos círculos de estudantes e trabalhadores em países como a Alemanha, Estados Unidos, México, Japão, Brasil, Checoslováquia e na China.
A causa estudantil atraiu a simpatia dos trabalhadores, inicialmente hostis ao movimento estudantil. A 13 de maio de 1968 iniciam a maior greve geral do século XX, superando a de 1936 da Frente popular. O país fica semanas paralisado."
In Euronews; o artigo completo aqui
Tuesday, May 01, 2018
Lost Voice Guy's HILARIOUS one-of-a-kind audition
Cómico e admirável: uma lição de vida
Monday, April 23, 2018
Friday, April 20, 2018
Sunday, April 15, 2018
Calinadas fardadas
Um amigo de longa data enviou-me estes "tesourinhos", que agora partilho...!
*Coisas que agentes da PSP e GNR escrevem em autos.
De chorar a rir… ou então não:
1. Um agente da PSP desloca-se à residência de um casal que anda desavindo e escreve no auto de notícia que: “o sr. x anda muito frustrado porque pagou cerca de 5 mil euros pelos implantes mamários da sua mulher e suspeita que outro cidadão está a usufruir desses dividendos”.
2. Escrevia um PSP num auto de notícia: “Numa ação de fiscalização, estando eu de arvorado ao carro patrulha, mandei parar o veículo supra identificado e pedi ao condutor os documentos pessoais e da viatura. Em resposta, disse-me aquele que se o autuasse me iria ao cú, o que fez três vezes.”
3. A GNR participa acidente e explica que “naquele local o asfalto da estrada era de terra batida”.
4. O gatuno era “herdeiro e vozeiro naquele tipo de condutas”.
5. Auto de notícia em que se diz que a ofendida foi encontrada em “lã-jeri”.
6. O arguido era “de raça nómada”.
7. Auto de notícia em que a GNR denuncia o furto de 24 galinhas das quais uma era galo.
8. O arguido resolve acabar o seu requerimento de uma forma cordial: ” Pede deferimento” e logo a seguir … “As minhas sinceras condolências”.
9. “O denunciado proferiu vários impropérios na Língua de Camões e também em língua francesa”
10. “O individuo trazia o produto estupefaciente junto do órgão genital masculino vulgo pénis”
11. Diligência de inquérito: “Solicite à PSP que, em 48h, diligencie por identificar o denunciado que se sabe ter cerca de 16 anos e usar boné”
12. Quem comete o crime de “borla” é um “borlista” profissional.
13. Auto de denúncia: “enquanto proferiam tais ameaças permitiam-se ainda chamar nomes ofensivos tais como “puta, vaca, jornalista, advogada, ladra, que era boa era para ir para a Ordem dos Advogados”.
14. Um arguido antes de bater no ofendido atirou-lhe com uma caixa em plástico, “nomeadamente um tampa-ruer”.
15. “O arguido atirou um paralelo-ipípado”.
16. “O arguido trazia uma techerte azul às riscas”.
17. “Os meliantes colocaram-se em fuga, ao volante de uma Picap”
18. Na sequência de uma queixa por crime de furto de um veículo, a GNR informa que recuperou a dita viatura, no entanto a mesma vinha cheia de moças.
19. Caso de uma averiguação de causa de morte em que foi determinada a “autópsia parcial” do cadáver.
20. Exmo. Sr. Procurador
Venho comunicar a V. Exa. que na EN que liga Penamacor ao Sabugal foi encontrado um cadáver morto, que pela fala parece ser espanhol…
Venho comunicar a V. Exa. que na EN que liga Penamacor ao Sabugal foi encontrado um cadáver morto, que pela fala parece ser espanhol…
Wednesday, March 28, 2018
Thursday, March 01, 2018
Is CRISPR a hope?
"Deng has advanced cancer of the esophagus, a common form of cancer in China. He went through radiation and chemotherapy, but the cancer kept spreading.
Now he's back at the hospital to get an experimental treatment. It involves using cells from his own immune system, known as T cells, after they have been taken out of his body and genetically altered in a lab by the gene-editing tool called CRISPR."
Será CRISPR a cura para o cancro...? O artigo completo aqui.
Now he's back at the hospital to get an experimental treatment. It involves using cells from his own immune system, known as T cells, after they have been taken out of his body and genetically altered in a lab by the gene-editing tool called CRISPR."
Será CRISPR a cura para o cancro...? O artigo completo aqui.
Tuesday, February 27, 2018
Pensamentos
"Meus amigos a vida é assim continuem a perder tempo em futilidades e maldades que o nosso fim é comum a todos, só diverge a hora... em vez de apontarem erros aos outros olhem primeiro para vocês.."
Assim falava o Padre... sacado no twitter via happiness1906
Assim falava o Padre... sacado no twitter via happiness1906
Saturday, February 10, 2018
Tuesday, January 23, 2018
Bestialidades
O bicho do caruncho foi acusado de assédio sexual: andava a comer a secretária...
("roubado" ao tuiteiro antoniosantos56)
("roubado" ao tuiteiro antoniosantos56)
Thursday, January 18, 2018
Estado assume mais buracos do Novo Banco
No dia internacional do riso (?!), esta história do Banco mau e do Banco bom - possivelmente mal contada - não é para rir.
Certo, certo é serem sempre os mesmos a pagar, ou seja, o Zé Povinho.
Embora o moderador seja algo suspeito, dadas as "calinadas" a que é atreito, vale a pena ver a entrevista na SIC Notícias, em particular a partir do minuto 30...
Certo, certo é serem sempre os mesmos a pagar, ou seja, o Zé Povinho.
Embora o moderador seja algo suspeito, dadas as "calinadas" a que é atreito, vale a pena ver a entrevista na SIC Notícias, em particular a partir do minuto 30...
Friday, January 05, 2018
Music was my first love...
Carlos Santana - Samba pa ti
Tuesday, January 02, 2018
BOM ANO NOVO 2018
Eles andam aí...!
Ah, e quando forem votar, lembrem-se desta "teia"...
"O novo secretário de Estado António Mendonça Mendes é irmão da deputada e dirigente máxima socialista Ana Catarina Mendes. Esta, por sua vez, é casada com o antigo ministro Paulo Pedroso.
Uma ligação excepcional na política portuguesa? Infelizmente, não.
Este absurdo é o corolário lógico dum sistema político dominado por laços familiares.
Uma ligação excepcional na política portuguesa? Infelizmente, não.
Este absurdo é o corolário lógico dum sistema político dominado por laços familiares.
No Governo, Parlamento e na alta administração pública, estamos cheios de casados, primos e cunhados. O ministro Eduardo Cabrita é casado com Ana Paula Vitorino, que também integra o Governo.
Já a secretária de Estado adjunta de António Costa, Mariana Vieira da Silva, é filha de outro Vieira da Silva o ministro da Segurança Social.
A titular da Justiça, Van Dunem, é casada com o ex-administrador da Caixa Geral de Depósitos, Eduardo Paz Ferreira.
A ex. ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, é filha de Alfredo José de Sousa, ex-provedor de Justiça.
Já a secretária de Estado adjunta de António Costa, Mariana Vieira da Silva, é filha de outro Vieira da Silva o ministro da Segurança Social.
A titular da Justiça, Van Dunem, é casada com o ex-administrador da Caixa Geral de Depósitos, Eduardo Paz Ferreira.
A ex. ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, é filha de Alfredo José de Sousa, ex-provedor de Justiça.
Ainda no atual Executivo, temos o secretário de Estado Waldemar de Oliveira Martins que é filho de Guilherme Oliveira Martins, ex-presidente do Tribunal de Contas e atual presidente do Conselho Fiscal da Caixa; este, por sua vez, é cunhado de Margarida Salema, que preside à Entidade das Contas e Financiamentos Políticos; esta é irmã da deputada Helena Roseta, casada com o ex-ministro Pedro Roseta, que é cunhado do também ex-ministro António Capucho.
Elisa Ferreira, administradora do Banco de Portugal, é casada com Freire de Sousa que preside à Comissão de Coordenação do Norte.
No Parlamento, também os cargos políticos se congeminam no lar, o mais romântico será constituído pelo casal de deputados Teresa Anjinho e Ricardo Leite.
Na Assembleia da República, cruzaram-se, ao longo dos últimos anos, mais familiares do que numa ceia de Natal:
Luís Menezes, filho de Luís Filipe Menezes, Nuno Encarnação, filho do ex-ministro Carlos Encarnação, todos do PSD; e os deputados Candal, pai Carlos e filho Afonso, ambos do PS; a que se juntam Paulo Mota Pinto, filho do anterior primeiro-ministro Mota Pinto e da ex-provedora da Santa Casa da Misericórdia, Fernanda Mota Pinto; Clara Marques Mendes, deputada, é filha e irmã de dois outros Marques Mendes, António e Luís. António foi eurodeputado, Luís ministro e líder parlamentar; Teresa Alegre Portugal era deputada na mesma bancada do seu irmão, o histórico dirigente socialista Manuel Alegre
A consanguinidade reina no.Reino Político. Paulo Portas, ex-ministro e líder do CDS, é primo do todo-poderoso socialista Jorge Coelho.
O ex-secretário de Estado de Passos Coelho, João Taborda da Gama, é filho do socialista Jaime Gama, antigo presidente do Parlamento.
António Campos, ex-ministro, é pai de Paulo Campos, deputado.
António Campos, ex-ministro, é pai de Paulo Campos, deputado.
O ex-ministro das Finanças Vítor Gaspar é primo do Conselheiro de Estado Francisco Louçã. E este é cunhado de Correia de Campos, presidente do Conselho Económico e Social e ex-ministro da Saúde.
A histórica presidente do Partido Socialista e ex-ministra dos governos de Guterres, Maria de Belém Roseira, é tia de Luísa Roseira, membro da Entidade Reguladora para a Comunicação Social.
A histórica presidente do Partido Socialista e ex-ministra dos governos de Guterres, Maria de Belém Roseira, é tia de Luísa Roseira, membro da Entidade Reguladora para a Comunicação Social.
Esta é uma lista interminável que se inscreve numa tradição que transitou do antigo regime. E que se manteve, transpondo - e suplantando até - a Revolução de Abril.
O ex-ministro da Cultura Manuel Maria Carrilho é filho de um governador civil de Viseu, nomeado pelo Governo de Salazar.
O presidente de Assembleia Constituinte da jovem democracia de Abril, Henrique de Barros, era cunhado do último chefe do Governo do velho fascismo, Marcelo Caetano. Em sua homenagem, o atual presidente da República herdou-lhe o nome. Marcelo Rebelo de Sousa é, ele próprio, filho de um ministro do Ultramar de Caetano.
O presidente de Assembleia Constituinte da jovem democracia de Abril, Henrique de Barros, era cunhado do último chefe do Governo do velho fascismo, Marcelo Caetano. Em sua homenagem, o atual presidente da República herdou-lhe o nome. Marcelo Rebelo de Sousa é, ele próprio, filho de um ministro do Ultramar de Caetano.
E é neste quadro de sucessão dinástica que Portugal, uma arruinada República, mantém uma Corte decrépita, dominada por umas poucas dezenas de famílias que estão agarradas ao poder público e às benesses que este proporciona.
Para aceder ao poder, não será necessário grande consistência política ou ideológica ou sequer sentido de interesse público. Em primeiro lugar, o que prevalece, são os laços de sangue.
Para aceder ao poder, não será necessário grande consistência política ou ideológica ou sequer sentido de interesse público. Em primeiro lugar, o que prevalece, são os laços de sangue.
Afinal o que falta para Portugal se transformar em Monarquia?"
"Roubado" ao ماريو مارتينز, In facebook
Sunday, December 10, 2017
Frases soltas
AS PALAVRAS E EU
Gásto os dias a experimentar logares e posições para as palavras. É uma paciencia de que eu gósto. É o meu gôsto.
Tudo se passa aqui pelas palavras--todos os gôstos.
Collei algumas d'estas paciencias com palavras. São estas as palavras que trago aqui. Ainda não estão promptas--são pedaços de coisas, aqui e alli, como um rapaz novo, como uma rapariga nova. Como os cavallos quando ainda são petizes--vê-se já que se trata de um cavallo, mas tambem se vê que ainda não está concluido. As pernas cresceram mais depressa do que a espinha. A cabeça muito grande é que já está do tamanho em que ha-de ficar. Tudo se aguenta de pé provisoriamente--ainda não está prompto, vê-se perfeitamente que ainda não é tudo.
Agarrei uma mancheia de palavras e espalhei-as em cima da meza. Ficaram n'esta posição:
Almada Negreiros in "A invenção do dia claro"
Gásto os dias a experimentar logares e posições para as palavras. É uma paciencia de que eu gósto. É o meu gôsto.
Tudo se passa aqui pelas palavras--todos os gôstos.
Collei algumas d'estas paciencias com palavras. São estas as palavras que trago aqui. Ainda não estão promptas--são pedaços de coisas, aqui e alli, como um rapaz novo, como uma rapariga nova. Como os cavallos quando ainda são petizes--vê-se já que se trata de um cavallo, mas tambem se vê que ainda não está concluido. As pernas cresceram mais depressa do que a espinha. A cabeça muito grande é que já está do tamanho em que ha-de ficar. Tudo se aguenta de pé provisoriamente--ainda não está prompto, vê-se perfeitamente que ainda não é tudo.
Agarrei uma mancheia de palavras e espalhei-as em cima da meza. Ficaram n'esta posição:
Almada Negreiros in "A invenção do dia claro"
Sunday, November 19, 2017
Saturday, November 18, 2017
Saturday, November 11, 2017
Music was my first love...
Cat Stevens - Father and son
Sunday, October 29, 2017
Frase do dia
Listen to the advice of older people. Not because they're right, but because they have the most experience being wrong
Saturday, October 21, 2017
Tuesday, September 26, 2017
Morreu um homem bom
Nesta sociedade de "mastiga e deita fora" pouco realce foi dado à morte de D. Manuel Martins, bispo de Setúbal entre 1975 e 1998; um Homem que não tinha "papas na língua" e que incomodava frequentemente o status quo instalado. Sempre politicamente incorrecto, como agora se diz...
R.I.P. 20.01.1927 - 24.09.2017
D. Manuel Martins explicava que o chamavam de "Bispo Vermelho porque ocupava espaços de onde a igreja nunca devia ter saído". in TSF
R.I.P. 20.01.1927 - 24.09.2017
D. Manuel Martins explicava que o chamavam de "Bispo Vermelho porque ocupava espaços de onde a igreja nunca devia ter saído". in TSF
Sunday, September 24, 2017
Music was my first love...
Antonio Vivaldi - Four Seasons *Autumn* - Frederíeke Saeijs
Friday, September 22, 2017
E assim damos as boas vindas ao Outono
Em 2017, o Equinócio de Outono, ocorre no dia 22 de Setembro às 20h02 (tempo universal), 21h02 em Portugal continental e na Região Autónoma da Madeira, e às 20h02 na Região Autónoma dos Açores. Este instante marca o início do Outono no Hemisfério Norte. Esta estação prolonga-se até ao próximo Solstício que ocorre no dia 21 de Dezembro às 16h28 em Portugal continental.
...
in OBSERVATÓRIO ASTRONÓMICO DE LISBOA
...
in OBSERVATÓRIO ASTRONÓMICO DE LISBOA
Sunday, June 18, 2017
Dia negro para Portugal
"Num ponto da situação às 19h do dia 18 de Junho de 2017, estão contabilizados 61 mortos, 62 feridos, 5 aldeias evacuadas, o incêndio de Pedrogão Grande mantém-se com quatro frentes ativas e o IC8 voltou a ser cortado."
TSF online, a notícia completa aqui
O perigo continua à espreita, pois passadas 24h o incêndio mais trágico da nossa história recente permanece incontrolável...
Decretados 3 dias de luto nacional.
No rescaldo desta tragédia, seria bom repensar com seriedade as políticas para o desenvolvimento do interior, em vez do tradicional (e repetido até à exaustão) bla bla bla de medidas de combate à desertificação. JÁ CHEGA de boas intenções!...
TSF online, a notícia completa aqui
O perigo continua à espreita, pois passadas 24h o incêndio mais trágico da nossa história recente permanece incontrolável...
Decretados 3 dias de luto nacional.
No rescaldo desta tragédia, seria bom repensar com seriedade as políticas para o desenvolvimento do interior, em vez do tradicional (e repetido até à exaustão) bla bla bla de medidas de combate à desertificação. JÁ CHEGA de boas intenções!...
Sunday, June 04, 2017
Music was my first love...
Paul Desmond - Poor butterfly
Saturday, May 13, 2017
O Papa Francisco em Portugal
"A Bendita por ter acreditado (...) ou (...) a 'Santinha' a quem se recorre para obter favores a baixo preço?" é uma das frases que marca o discurso do Papa Francisco, esta noite, na Capelinha das Aparições. O chefe da igreja católica perguntou no Santuário que Maria procuram os peregrinos e reiterou em Fátima que os católicos devem ser marianos (12 maio 2017).
A notícia na íntegra, in TSF
Sunday, May 07, 2017
Dizem que é o Dia da Mãe
Mãe!
Vem ouvir a minha cabeça a contar historias ricas que ainda não viageie. Traze tinta encarnada para escrever estas coisas! Tinta côr de sangue, sangue! verdadeiro, encarnado!
Mãe! passa a tua mão pela minha cabeça!
Eu ainda não fiz viagens e a minha cabeça não se lembra senão de viagens! Eu vou viajar.
Tenho sêde! Eu prometo saber viajar.
Quando voltar é para subir os degraus da tua casa, um por um. Eu vou aprender de cór os degraus da nossa casa. Depois venho sentar-me a teu lado. Tu a cosêres e eu a contar-te as minhas viagens, aquellas que eu viagei, tão parecidas com as que não viagei, escritas ambas com as mesmas palavras.
Mãe! ata as tuas mãos às minhas e dá um nó-cego muito apertado! Eu quero ser qualquer coisa da nossa casa. Como a meza. Eu tambem quero ter um feitio, um feitio que sirva exactamente para a nossa casa, como a meza.
Mãe! passa a tua mão pela minha cabeça!
Quando passas a tua mão na minha cabeça é tudo tão verdade!
Tenho sêde! Eu prometo saber viajar.
Quando voltar é para subir os degraus da tua casa, um por um. Eu vou aprender de cór os degraus da nossa casa. Depois venho sentar-me a teu lado. Tu a cosêres e eu a contar-te as minhas viagens, aquellas que eu viagei, tão parecidas com as que não viagei, escritas ambas com as mesmas palavras.
Mãe! ata as tuas mãos às minhas e dá um nó-cego muito apertado! Eu quero ser qualquer coisa da nossa casa. Como a meza. Eu tambem quero ter um feitio, um feitio que sirva exactamente para a nossa casa, como a meza.
Mãe! passa a tua mão pela minha cabeça!
Quando passas a tua mão na minha cabeça é tudo tão verdade!
Almada Negreiros in "A Invenção do Dia Claro"
Tuesday, April 25, 2017
O espírito de Abril
Patti Smith - People have the power
Monday, April 24, 2017
Da estupidez e outros contos
A entrevista, aparentemente transmitida pela SIC Notícias, merece divulgação:
"Rapaz, francês, formado em direito, 23 anos, entrevistado:
- É francês?
- Sim, a minha mãe é emigrante portuguesa e aqui em França conheceu o meu pai, um emigrante espanhol, eu já nasci cá.
- Em quem vai votar?
- Na Marine Le Pen.
- Porquê?
- porque ela é contra a emigração e eu acho muito bem, porque nós não queremos cá emigrantes."
Postado por Ana Perpétuo, in Facebook
"Rapaz, francês, formado em direito, 23 anos, entrevistado:
- É francês?
- Sim, a minha mãe é emigrante portuguesa e aqui em França conheceu o meu pai, um emigrante espanhol, eu já nasci cá.
- Em quem vai votar?
- Na Marine Le Pen.
- Porquê?
- porque ela é contra a emigração e eu acho muito bem, porque nós não queremos cá emigrantes."
Postado por Ana Perpétuo, in Facebook
Saturday, April 22, 2017
Thursday, April 13, 2017
Sabedoria do mundo
Não fiques em terreno plano.
Não subas muito alto.
O mais belo olhar sobre o mundo
Está a meia encosta.
Friedrich Nietzsche, in "A Gaia Ciência"
Não subas muito alto.
O mais belo olhar sobre o mundo
Está a meia encosta.
Friedrich Nietzsche, in "A Gaia Ciência"
Friday, March 24, 2017
Para memória futura
O Governo prevê investir 38 milhões de euros nos 19 quilómetros do Itinerário Complementar (IC6) entre Tábua e Oliveira do Hospital, iniciativa cujo projecto de execução será lançado até Julho, foi anunciado esta sexta-feira.
Em nota de imprensa, a Infra-estruturas de Portugal diz que, "ponderados os dados de procura de tráfego, condicionalismos técnicos e disponibilidade financeira, foi decidido avançar numa primeira fase com o desenvolvimento do troço entre o Nó de Tábua e o Nó da Folhadosa numa extensão de cerca de 19 quilómetros, num investimento estimado em cerca de 38 milhões de euros".
In jornal "Público". O artigo completo aqui
Em nota de imprensa, a Infra-estruturas de Portugal diz que, "ponderados os dados de procura de tráfego, condicionalismos técnicos e disponibilidade financeira, foi decidido avançar numa primeira fase com o desenvolvimento do troço entre o Nó de Tábua e o Nó da Folhadosa numa extensão de cerca de 19 quilómetros, num investimento estimado em cerca de 38 milhões de euros".
Wednesday, March 22, 2017
Concurso dos cromos europeus
O Governo alemão apoiou o presidente do Eurogrupo, Jeroem Dijsselbloem, após as declarações deste acusando os países do sul da Europa de gastarem dinheiro em "copos e mulheres".
In TSF
In TSF
Ou como se diz em Portugal, putas e vinho verde...!
Monday, March 13, 2017
Tuesday, February 28, 2017
Music was my first love...
Jethro Tull - Thick as a brick (full album)
Wednesday, February 22, 2017
Quem não é por nós é contra nós...
Em muitas coisas sou "bota de elástico" ou, como agora se costuma dizer, politicamente incorrecto. No caso concreto dos homossexuais e "afins" (lgbt and so on), há muito considero que têm protagonismo a mais. Ou pelo menos procuram-no constantemente...
Nao sou liminarmente contra, entenda-se: acho que cada um (uma) deve procurar a felicidade do modo que mais lhe aprouver ou se sentir inclinado para tal. É pacífico, ponto.
Já no que toca a manifestações, constantes exigências e atropelos dos mais elementares direitos dos que não integram esta "onda" crescente, os chamados normais ou heteros, acho também que já é tempo de sairmos do silêncio e começarmos a levantar a voz, pois corremos o risco de muito em breve nos virmos a tornar - nós próprios - uma minoria.
Esta minha reflexão vem a propósito desta notícia, que a seguir parcialmente reproduzo:
Nao sou liminarmente contra, entenda-se: acho que cada um (uma) deve procurar a felicidade do modo que mais lhe aprouver ou se sentir inclinado para tal. É pacífico, ponto.
Já no que toca a manifestações, constantes exigências e atropelos dos mais elementares direitos dos que não integram esta "onda" crescente, os chamados normais ou heteros, acho também que já é tempo de sairmos do silêncio e começarmos a levantar a voz, pois corremos o risco de muito em breve nos virmos a tornar - nós próprios - uma minoria.
Esta minha reflexão vem a propósito desta notícia, que a seguir parcialmente reproduzo:
Candice Wiggins says 98 percent of WNBA is gay, claims she was bullied for being straight
“Me being heterosexual and straight, and being vocal in my identity as a straight woman was huge,” Wiggins said. “I would say 98 percent of the women in the WNBA are gay women. It was a conformist type of place. There was a whole different set of rules they (the other players) could apply. […]
“People were deliberately trying to hurt me all of the time. I had never been called the B-word so many times in my life than I was in my rookie season. I’d never been thrown to the ground so much. The message was: ‘We want you to know we don’t like you.’” […]
Quem quiser, pode ler na íntegra aqui.“It comes to a point where you get compared so much to the men, you come to mirror the men,’ she said. “So many people think you have to look like a man, play like a man to get respect. I was the opposite. I was proud to a be a woman, and it didn’t fit well in that culture.”
Saturday, February 18, 2017
Sunday, January 22, 2017
Saturday, January 21, 2017
Music was my first love...
Adriano Correia de Oliveira - O senhor morgado
Sunday, January 15, 2017
Saturday, January 07, 2017
Wednesday, January 04, 2017
Break On Through (To the Other Side)
... E já lá vão 50 anitos!

The Doors will celebrate their 50th anniversary with a special ceremony in Los Angeles proclaiming January 4th to be "Day of the Doors."
Artigo completo na revista Rolling Stone

Artigo completo na revista Rolling Stone
Friday, December 30, 2016
Happy 70th birthday, dear Patti...!
Balanço do ano
2016 ano em que duas instituições de referência fecharam em Portugal: a Cornucópia onde toda a gente ia e estava sempre vazia, e o Elefante Branco onde ninguém ia e estava sempre cheio...
Zé Abranches dixit...!
Zé Abranches dixit...!
Thursday, December 29, 2016
Music was my first love...
Eagles - Hotel California
Sunday, December 18, 2016
Quando um Homem Quiser
Tu que dormes à noite na calçada do relentonuma cama de chuva com lençóis feitos de vento
tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento
és meu irmão, amigo, és meu irmão
E tu que dormes só o pesadelo do ciúme
numa cama de raiva com lençóis feitos de lume
e sofres o Natal da solidão sem um queixume
és meu irmão, amigo, és meu irmão
numa cama de raiva com lençóis feitos de lume
e sofres o Natal da solidão sem um queixume
és meu irmão, amigo, és meu irmão
Natal é em Dezembro
mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
é quando um homem quiser
Natal é quando nasce
uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto
que há no ventre da mulher
mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
é quando um homem quiser
Natal é quando nasce
uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto
que há no ventre da mulher
Tu que inventas ternura e brinquedos para dar
tu que inventas bonecas e comboios de luar
e mentes ao teu filho por não os poderes comprar
és meu irmão, amigo, és meu irmão
tu que inventas bonecas e comboios de luar
e mentes ao teu filho por não os poderes comprar
és meu irmão, amigo, és meu irmão
E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei
fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei
pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei
és meu irmão, amigo, és meu irmão
fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei
pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei
és meu irmão, amigo, és meu irmão
José Carlos Ary dos Santos, in "As Palavras das Cantigas"
Music was my first love...
The Doors - Light my fire
Monday, November 28, 2016
Estado d'Alma
Sou cruel como pessoa
não sei ser amável
nem sei mais ser delicado.
Meu limite como ser humano não existe mais,
me tornei um animal.
Só me resta ainda o prazer de escrever
e este posso usar como quiser
neste não preciso ser cruel,
não preciso ser humano
posso simplesmente ser eu
verdadeiro ou falso
já não sei mais
escrevo e me contradigo
sou bom, sou mau.
Sou santo, sou demônio
sou crente, sou descrente.
Não creio mais na humanidade
não creio em salvação para este mundo.
Procuro mas não encontro,
soluções ou saída para esta anarquia.
Não tenho mais heróis
nem lembro se já tive um dia.
Talvez eu tivesse sim
era uma heroína, uma mulher, minha mãe.
Mas ela também já estou perdendo
ela já esta partindo
seu tempo na terra está terminando
então não preciso mais, continuar humano.
Posso ser mesmo um simples animal
Angel of the Night
Só me resta ainda o prazer de escrever
e este posso usar como quiser
neste não preciso ser cruel,
não preciso ser humano
posso simplesmente ser eu
verdadeiro ou falso
já não sei mais
escrevo e me contradigo
sou bom, sou mau.
Sou santo, sou demônio
sou crente, sou descrente.
Não creio mais na humanidade
não creio em salvação para este mundo.
Procuro mas não encontro,
soluções ou saída para esta anarquia.
Não tenho mais heróis
nem lembro se já tive um dia.
Talvez eu tivesse sim
era uma heroína, uma mulher, minha mãe.
Mas ela também já estou perdendo
ela já esta partindo
seu tempo na terra está terminando
então não preciso mais, continuar humano.
Posso ser mesmo um simples animal
Angel of the Night
Friday, November 18, 2016
If dogs run free
Sunday, November 13, 2016
So long, Leonard...
Leonard Cohen - Going home
R.I.P. (21.09.1934 - 07.11.2016)
R.I.P. (21.09.1934 - 07.11.2016)
Saturday, November 12, 2016
Friday, October 28, 2016
The divine voice
When Leonard Cohen was twenty-five, he was living in London, sitting in cold rooms writing sad poems. He got by on a three-thousand-dollar grant from the Canada Council for the Arts. This was 1960, long before he played the festival at the Isle of Wight in front of six hundred thousand people. In those days, he was a Jamesian Jew, the provincial abroad, a refugee from the Montreal literary scene. Cohen, whose family was both prominent and cultivated, had an ironical view of himself.
He was a bohemian with a cushion whose first purchases in London were an Olivetti typewriter and a blue raincoat at Burberry. Even before he had much of an audience, he had a distinct idea of the audience he wanted. In a letter to his publisher, he said that he was out to reach “inner-directed adolescents, lovers in all degrees of anguish, disappointed Platonists, pornography-peepers, hair-handed monks and Popists.”
He was a bohemian with a cushion whose first purchases in London were an Olivetti typewriter and a blue raincoat at Burberry. Even before he had much of an audience, he had a distinct idea of the audience he wanted. In a letter to his publisher, he said that he was out to reach “inner-directed adolescents, lovers in all degrees of anguish, disappointed Platonists, pornography-peepers, hair-handed monks and Popists.”
In "The New Yorker"
O artigo completo aqui.
Saturday, October 15, 2016
Music was my first love...
UB40 - Can't help falling in love
Thursday, October 13, 2016
Excelente escolha
BOB DYLAN (Robert Allen Zimmerman) - Prémio Nobel da Literatura 2016
Announcement of the Nobel Prize in Literature 2016
Thursday, October 06, 2016
Da série: "Engolir o sapo"
António Guterres, ex-primeiro ministro de Portugal, esconjurado por toda a direita e arredores (até por muito bom democrata dentro do próprio PS), neste belo dia de 6 de Outubro de 2016 passou de besta a bestial (o contrário dos treinadores que caem em desgraça)

"Por unanimidade e aclamação. O Conselho de Segurança das Nações Unidas escolheu o antigo primeiro-ministro português para liderar a organização. Decisão terá de ser ratificada pela AG da ONU" in TSF

"Por unanimidade e aclamação. O Conselho de Segurança das Nações Unidas escolheu o antigo primeiro-ministro português para liderar a organização. Decisão terá de ser ratificada pela AG da ONU" in TSF
Wednesday, September 28, 2016
SAGITTARIUS
The Promiscuous One (November 22 to December 21)
Spontaneous. High appeal. Rare to find. Great when found. Loves being in long relationships. So much love to give. A loner most of the time. Loses patience easily and will not take crap. If in a bad mood stay FAR away. Gets offended easily and remembers the offense forever. Loves deeply but at times will not show it, feels it is a sign of weakness. Has many fears but will not show it. VERY private person. Defends loved ones with all their abilities. Can be childish often. Not one to mess with. Very pretty. Very romantic. Nice to everyone they meet. Their Love is one of a kind. Silly, fun and sweet. Have own unique appeal. Most caring person you will ever meet! Amazing in bed!!! Not the kind of person you want to mess with- you might end up crying...
Spontaneous. High appeal. Rare to find. Great when found. Loves being in long relationships. So much love to give. A loner most of the time. Loses patience easily and will not take crap. If in a bad mood stay FAR away. Gets offended easily and remembers the offense forever. Loves deeply but at times will not show it, feels it is a sign of weakness. Has many fears but will not show it. VERY private person. Defends loved ones with all their abilities. Can be childish often. Not one to mess with. Very pretty. Very romantic. Nice to everyone they meet. Their Love is one of a kind. Silly, fun and sweet. Have own unique appeal. Most caring person you will ever meet! Amazing in bed!!! Not the kind of person you want to mess with- you might end up crying...
Sunday, September 18, 2016
Vivemos num mundo à beira do colapso
We live in a world on the verge of collapse
The Lie We Live - para ver, reflectir e partilhar...
Tuesday, August 23, 2016
Queria que os Portugueses
Queria que os portugueses
tivessem senso de humor
e não vissem como génio
todo aquele que é doutor
sobretudo se é o próprio
que se afirma como tal
só porque sabendo ler
o que lê entende mal
todos os que são formados
deviam ter que fazer
exame de analfabeto
para provar que sem ler
teriam sido capazes
de constituir cultura
por tudo que a vida ensina
e mais do que livro dura
e tem certeza de sol
mesmo que a noite se instale
visto que ser-se o que se é
muito mais que saber vale
até para aproveitar-se
das dúvidas da razão
que a si própria se devia
olhar pura opinião
que hoje é uma manhã outra
e talvez depois terceira
sendo que o mundo sucede
sempre de nova maneira
alfabetizar cuidado
não me ponham tudo em culto
dos que não citar francês
consideram puro insulto
se a nação analfabeta
derrubou filosofia
e no jeito aristotélico
o que certo parecia
deixem-na ser o que seja
em todo o tempo futuro
talvez encontre sozinha
o mais além que procuro.
Agostinho da Silva (1906-1994)
Wednesday, August 10, 2016
Music was my first love...
Miles Davis - Kind of Blue (1959, complete album)
Saturday, July 23, 2016
Politicians are awesome...
Monday, July 11, 2016
SOMOS ASSIM, NÓS, OS PORTUGUESES
Quem somos nós, afinal, os portugueses? Como podemos definir-nos?
Olhando o habitual pessimismo que domina as nossas conversas do dia a dia, somos um povo que lamenta sê-lo. Que se compara negativamente, quase com fanatismo, com todos os outros... mesmo com aqueles que, racionalmente, sabemos terem carências mais profundas do que nós.
Somos um povo bipolar. Do pessimismo que nos caracteriza habitualmente, passamos por euforias dum otimismo inexplicável e absurdo. Não somos nada, e somos tudo. Os trabalhadores mais mal pagos, mas também aqueles que desenrascam situações que mais ninguém consegue.
Somos desprezados pelas nossas próprias elites, que lamentam ser filhas de tão inculto país. Que nem entendem que o seu "snobismo" é, ele mesmo, próprio da maneira de pensar desse mesmo país. Elites que apregoam a sua superioridade cultural, e que desistem de tornar acessível essa mesma cultura ao povo de onde saíram.
Somos "foleiros" e "pimbas". Somos o que somos. Mas, se é verdade que sucumbimos facilmente ao populismo e à demagogia, se nos entusiasmamos por motivos fúteis, se só vemos as glórias desportivas e quase ignoramos as glórias do pensamento e da ciência, também temos uma coisa que poucos mais terão. Porque temos uma consciência coletiva duma persistência notável. Não somos homogéneos nem disciplinados. Somos, simplesmente, portugueses. Sentimentais. Por vezes, violentos. Os brandos costumes são um dos mitos mais falaciosos que nos foram impostos.
Não consigo dizer exatamente o que somos. Não creio que sejamos mais do que vulgares seres humanos, nem piores nem melhores que tantos outros. Mas somos. Simplesmente, somos.
É inútil protestar contra o vulgarismo de enchermos ruas e praças por um feito desportivo. Somos tantos a fazer isso, tantos a rebentar de alegria, que, mesmo que o escondamos, envergonhados, com medo das opiniões dos comentadores sempre críticos que dominam o nosso panorama cultural, não podemos negar que somos parte de um todo cujas características são muito próprias.
Somos também um fenómeno cultural. Que tem medo de se olhar ao espelho. Somos uma Olivença que, como a verdadeira, olhou para si e descobriu eu não se matam sentimentos por decreto.
Somos inexoravelmente portugueses. Tenhamos a coragem de o admitir. Não para criar impérios. Mas para ganharmos a autoestima necessária para olharmos os outros povos como iguais. Com culturas que respeitamos.
Só nos falta respeitar a nossa. Que está em nós. Que nos enche o peito de orgulho, mas que tem de ser mais constante.
Cumpra-se Portugal!
Estremoz, 11 de julho de 2016
Carlos Eduardo da Cruz Luna (in Facebook)
Olhando o habitual pessimismo que domina as nossas conversas do dia a dia, somos um povo que lamenta sê-lo. Que se compara negativamente, quase com fanatismo, com todos os outros... mesmo com aqueles que, racionalmente, sabemos terem carências mais profundas do que nós.
Somos um povo bipolar. Do pessimismo que nos caracteriza habitualmente, passamos por euforias dum otimismo inexplicável e absurdo. Não somos nada, e somos tudo. Os trabalhadores mais mal pagos, mas também aqueles que desenrascam situações que mais ninguém consegue.
Somos desprezados pelas nossas próprias elites, que lamentam ser filhas de tão inculto país. Que nem entendem que o seu "snobismo" é, ele mesmo, próprio da maneira de pensar desse mesmo país. Elites que apregoam a sua superioridade cultural, e que desistem de tornar acessível essa mesma cultura ao povo de onde saíram.
Somos "foleiros" e "pimbas". Somos o que somos. Mas, se é verdade que sucumbimos facilmente ao populismo e à demagogia, se nos entusiasmamos por motivos fúteis, se só vemos as glórias desportivas e quase ignoramos as glórias do pensamento e da ciência, também temos uma coisa que poucos mais terão. Porque temos uma consciência coletiva duma persistência notável. Não somos homogéneos nem disciplinados. Somos, simplesmente, portugueses. Sentimentais. Por vezes, violentos. Os brandos costumes são um dos mitos mais falaciosos que nos foram impostos.
Não consigo dizer exatamente o que somos. Não creio que sejamos mais do que vulgares seres humanos, nem piores nem melhores que tantos outros. Mas somos. Simplesmente, somos.
É inútil protestar contra o vulgarismo de enchermos ruas e praças por um feito desportivo. Somos tantos a fazer isso, tantos a rebentar de alegria, que, mesmo que o escondamos, envergonhados, com medo das opiniões dos comentadores sempre críticos que dominam o nosso panorama cultural, não podemos negar que somos parte de um todo cujas características são muito próprias.
Somos também um fenómeno cultural. Que tem medo de se olhar ao espelho. Somos uma Olivença que, como a verdadeira, olhou para si e descobriu eu não se matam sentimentos por decreto.
Somos inexoravelmente portugueses. Tenhamos a coragem de o admitir. Não para criar impérios. Mas para ganharmos a autoestima necessária para olharmos os outros povos como iguais. Com culturas que respeitamos.
Só nos falta respeitar a nossa. Que está em nós. Que nos enche o peito de orgulho, mas que tem de ser mais constante.
Cumpra-se Portugal!
Estremoz, 11 de julho de 2016
Carlos Eduardo da Cruz Luna (in Facebook)
Sunday, July 10, 2016
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