Wednesday, October 17, 2012

Frases assassinas - VII

No fundo, bem no fundo, estão a imolar-se países para que a Banca se salve. Pune-se o consumidor, o junkie mais que inveterado, mas poupa-se o dealer, a bem do negócio. Só a corrupção passiva merece, assim, repreensão e castigo. A activa passa por virtude empresarial e mais valia económica.

Gamado ao Dragão

Wednesday, October 10, 2012

Comprar um pouco de prazer...!


Uma criança está dentro do carro do seu pai, quando avista duas prostitutas na rua...
- Pai, quem são aquelas senhoras?
O pai, meio embaraçado, responde:
- Não interessa, filho... Olha, antes, para esta loja... Já viste os brinquedos, tão lindos?
- Sim, sim, já vi. Mas... quem são as senhoras e o que fazem ali, paradas?
- São... são... São senhoras que vendem na rua.
- Ah, sim?! Mas, vendem o quê?
Pergunta, admirado, o garoto.
- Vendem... vendem... Sei lá... vendem um pouco de prazer!
O garoto começa a reflectir sobre o que o pai lhe disse, e, quando chega a casa, abre a sua carteira com a intenção de ir comprar um pouco de prazer. Está com sorte! Pode comprar 25 Euros de prazer! No dia seguinte, vai ver uma prostituta e pergunta-lhe:
- Desculpe, minha senhora, mas pode-me vender 25 Euros de prazer, por favor?
A mulher fica admirada, e, por momentos, não sabe o que dizer, como a vida está difícil, ela aceita, leva o garoto para sua casa e prepara-lhe seis tortas de morango.
Já era tarde, quando o garoto chegou a casa.
O pai, preocupado pela demora do filho, pergunta-lhe onde ele tinha estado.
O garoto olha para o pai e diz:
- Fui ver as senhoras que nós vimos ontem, para comprar um pouco de prazer!
O pai fica amarelo!
E... e então... como é que se passou?
- Bom, com as quatro primeiras não tive dificuldade. Com a quinta levei quase uma hora, tive que empurrar com o dedo, mas comi-a, mesmo assim. Com a sexta foi com muito sacrifício! No fim, estava todo lambuzado...Até derramei creme, por todo o chão, mas fui convidado a voltar amanhã... Posso ir?
O pai caiu de costas...

Sunday, October 07, 2012

Just Kids 2

C'était l'été de la mort de Coltrane, l'été de l'amour et des émeutes, quand une rencontre fortuite à Brooklyn guida deux jeunes gens dans la vie de bohème, sur la voie de l'art. Patti Smith et Robert Mapplethorpe avaient vingt ans; elle deviendrait poète et performeuse, il serait photographe.
À cette époque d'intense créativité, les univers de la poésie, du rock and roll et du sexe s'entrechoquent. Le couple fréquente la cour d'Andy Warhol, intègre au Chelsea Hotel une communauté d'artistes et de marginaux hauts en couleur, croise Allen Ginsberg, Janis Joplin, Lou Reed...
 
... "Nous avions notre travail, et notre amour. Nous n'avions pas d'argent pour aller voir des concerts ou des films, pas d'argent pour acheter des disques, mais nous passions et repassions inlassablement ceux que nous avions. Nous écoutions Madame Butterfly chanté par Eleanor Steber. A Love Supreme. Between the Buttons. Joan Baez et Blonde on Blonde. Robert m'a fait découvrir ses albums préférés - Vanilla Fudge, Tim Buckley, Tim Hardin - et son History of Motown a fourni la bande-son de nos nuits de liesse commune"
 
Parte do posfacio e extracto do livro "Just Kids" de Patti Smith

Music was my first love...


Just Kids 1


Tuesday, September 18, 2012

Music was my first love...


Faleceu em Mafra, com 79 anos de idade, o grande cantor, poeta e antifascista Luiz Goes, uma das referências do fado/canção de Coimbra...

Tuesday, September 11, 2012

Há 11 anos, o horror em directo...

 

Puxão de orelhas a Pedro Passos Coelho


CARTA AO PRIMEIRO-MINISTRO DE PORTUGAL
 
Exmo. Senhor Primeiro Ministro

Hesitei muito em dirigir-lhe estas palavras, que mais não dão do que uma pálida ideia da onda de indignação que varre o país, de norte a sul, e de leste a oeste. Além do mais, não é meu costume nem vocação escrever coisas de cariz político, mais me inclinando para o pelouro cultural. Mas há momentos em que, mesmo que não vamos nós ao encontro da política, vem ela, irresistivelmente, ao nosso encontro. E, então, não há que fugir-lhe.

Para ser inteiramente franco, escrevo-lhe, não tanto por acreditar que vá ter em V. Exa. qualquer efeito — todo o vosso comportamento, neste primeiro ano de governo, traindo, inescrupulosamente, todas as promessas feitas em campanha eleitoral, não convida à esperança numa reviravolta! — mas, antes, para ficar de bem com a minha consciência. Tenho 82 anos e pouco me restará de vida, o que significa que, a mim, já pouco mal poderá infligir V. Exa. e o algum que me inflija será sempre de curta duração. É aquilo a que costumo chamar “as vantagens do túmulo” ou, se preferir, a coragem que dá a proximidade do túmulo. Tanto o que me dê como o que me tire será sempre de curta duração. Não será, pois, de mim que falo, mesmo quando use, na frase, o “odioso eu”, a que aludia Pascal.

Mas tenho, como disse, 82 anos e, portanto, uma alongada e bem vivida experiência da velhice — a minha e da dos meus amigos e familiares. A velhice é um pouco — ou é muito – a experiência de uma contínua e ininterrupta perda de poderes. “Desistir é a derradeira tragédia”, disse um escritor pouco conhecido. Desistir é aquilo que vão fazendo, sem cessar, os que envelhecem. Desistir, palavra horrível. Estamos no verão, no momento em que escrevo isto, e acorrem-me as palavras tremendas de um grande poeta inglês do século XX (Eliot): “Um velho, num mês de secura”... A velhice, encarquilhando-se, no meio da desolação e da secura. É para isto que servem os poetas: para encontrarem, em poucas palavras, a medalha eficaz e definitiva para uma situação, uma visão, uma emoção ou uma ideia.

A velhice, Senhor Primeiro Ministro, é, com as dores que arrasta — as físicas, as emotivas e as morais — um período bem difícil de atravessar. Já alguém a definiu como o departamento dos doentes externos do Purgatório. E uma grande contista da Nova Zelândia, que dava pelo nome de Katherine Mansfield, com a afinada sensibilidade e sabedoria da vida, de que V. Exa. e o seu governo parecem ter défice, observou, num dos contos singulares do seu belíssimo livro intitulado The Garden Party: “O velho Sr. Neave achava-se demasiado velho para a primavera.” Ser velho é também isto: acharmos que a primavera já não é para nós, que não temos direito a ela, que estamos a mais, dentro dela... Já foi nossa, já, de certo modo, nos definiu. Hoje, não. Hoje, sentimos que já não interessamos, que, até, incomodamos. Todo o discurso político de V. Exas., os do governo, todas as vossas decisões apontam na mesma direcção: mandar-nos para o cimo da montanha, embrulhados em metade de uma velha manta, à espera de que o urso lendário (ou o frio) venha tomar conta de nós. Cortam-nos tudo, o conforto, o direito de nos sentirmos, não digo amados (seria muito), mas, de algum modo, utilizáveis: sempre temos umas pitadas de sabedoria caseira a propiciar aos mais estouvados e impulsivos da nova casta que nos assola. Mas não. Pessoas, como eu, estiveram, até depois dos 65 anos, sem gastar um tostão ao Estado, com a sua saúde ou com a falta dela. Sempre, no entanto, descontando uma fatia pesada do seu salário, para uma ADSE, que talvez nos fosse útil, num período de necessidade, que se foi desejando longínquo. Chegado, já sobre o tarde, o momento de alguma necessidade, tudo nos é retirado, sem uma atenção, pequena que fosse, ao contrato anteriormente firmado. É quando mais necessitamos, para lutar contra a doença, contra a dor e contra o isolamento gradativamente crescente, que nos constituímos em alvo favorito do tiroteio fiscal: subsídios (que não passavam de uma forma de disfarçar a incompetência salarial), comparticipações nos custos da saúde, actualizações salariais — tudo pela borda fora. Incluindo, também, esse papel embaraçoso que é a Constituição, particularmente odiada por estes novos fundibulários. O que é preciso é salvar os ricos, os bancos, que andaram a brincar à Dona Branca com o nosso dinheiro e as empresas de tubarões, que enriquecem sem arriscar um cabelo, em simbiose sinistra com um Estado que dá o que não é dele e paga o que diz não ter, para que eles enriqueçam mais, passando a fruir o que também não é deles, porque até é nosso.

Já alguém, aludindo à mesma falta de sensibilidade de que V. Exa. dá provas, em relação à velhice e aos seus poderes decrescentes e mal apoiados, sugeriu, com humor ferino, que se atirassem os velhos e os reformados para asilos desguarnecidos, situados, de preferência, em andares altos de prédios muito altos: de um 14º andar, explicava, a desolação que se comtempla até passa por paisagem. V. Exa. e os do seu governo exibem uma sensibilidade muito, mas mesmo muito, neste gosto. V. Exas. transformam a velhice num crime punível pela medida grande. As políticas radicais de V. Exa, e do seu robôtico Ministro das Finanças — sim, porque a Troika informou que as políticas são vossas e não deles... — têm levado a isto: a uma total anestesia das antenas sociais ou simplesmente humanas, que caracterizam aqueles grandes políticos e estadistas que a História não confina a míseras notas de pé de página.

Falei da velhice porque é o pelouro que, de momento, tenho mais à mão. Mas o sofrimento devastador, que o fundamentalismo ideológico de V. Exa. está desencadear pelo país fora, afecta muito mais do que a fatia dos velhos e reformados. Jovens sem emprego e sem futuro à vista, homens e mulheres de todas as idades e de todos os caminhos da vida — tudo é queimado no altar ideológico onde arde a chama de um dogma cego à fria realidade dos factos e dos resultados. Dizia Joan Ruddock não acreditar que radicalismo e bom senso fossem incompatíveis. V. Exa. e o seu governo provam que o são: não há forma de conviverem pacificamente. Nisto, estou muito de acordo com a sensatez do antigo ministro conservador inglês, Francis Pym, que teve a ousadia de avisar a Primeira Ministra Margaret Thatcher (uma expoente do extremismo neoliberal), nestes termos: “Extremismo e conservantismo são termos contraditórios”. Pym pagou, é claro, a factura: se a memória me não engana, foi o primeiro membro do primeiro governo de Thatcher a ser despedido, sem apelo nem agravo. A “conservadora” Margaret Thatcher — como o “conservador” Passos Coelho — quis misturar água com azeite, isto é, conservantismo e extremismo. Claro que não dá.

Alguém observava que os americanos ficavam muito admirados quando se sabiam odiados. É possível que, no governo e no partido a que V. Exa. preside, a maior parte dos seus constituintes não se aperceba bem (ou, apercebendo-se, não compreenda), de que lavra, no país, um grande incêndio de ressentimento e ódio. Darei a V. Exa. — e com isto termino — uma pista para um bom entendimento do que se está a passar. Atribuíram-se ao Papa Gregório VII estas palavras: “Eu amei a justiça e odiei a iniquidade: por isso, morro no exílio.” Uma grande parte da população portuguesa, hoje, sente-se exilada no seu próprio país, pelo delito de pedir mais justiça e mais equidade. Tanto uma como outra se fazem, cada dia, mais invisíveis. Há nisto, é claro, um perigo.

De V. Exa., atentamente,

 
Eugénio Lisboa

Sunday, September 09, 2012

Coincidências democráticas intemporais

Já repararam que quando alguém critica o governo, seja um bispo, um responsável desportivo, um empresário “vermelho”, um chefe dos bombeiros, uma autarca mais atrevido, vinte e quatro horas depois, aparece alguma notícia danosa, verdadeira ou falsa, populista ou insidiosa, a atacar a sua reputação e os seus motivos?

Os homens livres deveriam preocupar-se com a coincidência.
 
José Pacheco Pereira in Abrupto

Music was my first love...


Wednesday, September 05, 2012

Music was my first love...


 
Para mim o grupo-revelação de 2011

Lugar

Há uma rosa no solitário da janela, champagne nos copos, Verdi no ar. O relógio parou. Eu leio-te o desejo nos olhos, tu lês-me Borges depois do amor. O lugar, que importa? Pode ser uma mansarda em Montmartre, uma villa em Scirmione, uma caverna em Matmata, uma cabine no Expresso do Oriente, uma cubata no Quénia ou um mosteiro suspenso nos Himalaias. Ou pode ser simplesmente o nosso quarto, com o mundo inteiro aos pés. O lugar somos nós, onde quer que estejamos.

Ana Vidal

Saturday, September 01, 2012

It's the Law!

Law of Mechanical Repair – After your hands become coated with grease, your nose will begin to itch and you’ll have to pee.

Law of Gravity – Any tool, nut, bolt, screw, when dropped, will roll to the least accessible place in the universe.

Law of Probability – The probability of being watched is directly proportional to the stupidity of your act.

Law of Random Numbers – If you dial a wrong number, you never get a busy signal – and someone always answers.

Variation Law – If you change lines (or traffic lanes), the one you were in will always move faster than the one you are in now (works every time).

Law of the Bath – When the body is fully immersed in water, the telephone rings.

Law of Close Encounters – The probability of meeting someone you know INCREASES dramatically when you are with someone you don’t want to be seen with.

Law of the Result – When you try to prove to someone that a machine won’t work, IT WILL!!!

Law of Biomechanics – The severity of the itch is inversely proportional to the reach.

Law of the Theater & Hockey Arena – At any event, the people whose seats are furthest from the aisle, always arrive last. They are the ones who will leave their seats several times to go for food, beer, or the toilet and who leave early before the end of the performance or the game is over. The folks in the aisle seats come early, never move once, have long gangly legs or big bellies and stay to the bitter end of the performance. The aisle people also are very surly folk.

The Coffee Law – As soon as you sit down to a cup of hot coffee, your boss will ask you to do something which will last until the coffee is cold.

Murphy’s Law of Lockers – If there are only 2 people in a locker room, they will have adjacent lockers.

Law of Physical Surfaces – The chances of an open-faced jelly sandwich landing face down on a floor, are directly correlated to the newness and cost of the carpet or rug.

Law of Logical Argument – Anything is possible IF you don’t know what you are talking about.

Brown’s Law of Physical Appearance – If the clothes fit, they’re ugly.

Oliver’s Law of Public Speaking –A CLOSED MOUTH GATHERS NO FEET!!!

Wilson’s Law of Commercial Marketing Strategy - As soon as you find a product that you really like, they will stop making it.

Doctors’ Law – If you don’t feel well, make an appointment to go to the doctor, by the time you get there you’ll feel better.. But don’t make an appointment, and you’ll stay sick.

Thanks to Bits and Pieces

Music was my first love...


Friday, August 31, 2012

Ainda há pessoas sérias...

Dois casais amigos jogam cartas a seguir ao jantar. Às tantas,  Nuno, o homem da casa, deixa cair acidentalmente o baralho ao chão.
Ao baixar-se por baixo da mesa para as apanhar, verifica que a Joana, a amiga visitante, não tem nada por baixo da saia e fica perturbado pela visão....
Um pouco depois, o Nuno vai à cozinha para buscar mais umas bebidas e a Joana acompanha-o para ajudar... De repente a Joana pergunta ao Nuno: "Notei que deves ter gostado do que viste quando estiveste debaixo da mesa. Por acaso estás interessado em experimentar? Basta que me dês 250 Euros e eu sou toda tua por uma tarde..."
O Nuno nem pensou duas vezes: "Claro que quero! Pode ser 6ª feira à tarde?
Pode ser em tua casa?" (...}, Sexta à tarde, o Nuno lá foi ter a casa da Joana, deu-lhe os 250 Euros como combinado, e seguiram-se duas horas de sexo escaldante....
Despediram-se visivelmente satisfeitos e uma hora depois chegou o Ricardo, melhor amigo do Nuno e marido da Joana.
Beijam-se como sempre, e o Ricardo pergunta à Joana: "O Nuno veio cá?"
A Joana ficou um pouco comprometida, com medo que ele desconfiasse de alguma coisa, mas respondeu "Sim".
Ricardo: "E deixou o dinheiro?"
Ela (ainda mais preocupada},: "Sim, 250 Euros....."
Ricardo: "Vês como ainda se pode confiar nos amigos!
Passou lá esta manhã no emprego e pediu-me os 250 Euros emprestados, prometeu que os pagaria sem falta ainda esta tarde.......... E cumpriu!

Sunday, August 26, 2012

Patti Smith passe entre les goutes






 
 
 


Patti Smith, samedi soir sur la grande scène du For Noise festival. Un concert magnifique, épargné par les averses et les rafales de vent...
Image: Chris Blaser

 


Après trois ans d’accalmie, le For Noise Festival a vécu sa 16e édition dans la pluie et le vent. Irritant pour les nerfs, mais pas catastrophique: 8000 personnes sont venues tremper les semelles dans la cuvette humide des quatre-vents.
 
Point d’orgue de cette édition, la New-yorkaise Patti Smith se produisait samedi soir devant un parterre très dense de kways mouillés. Le cadre intimiste du For Noise et une sonorisation hors pair n’ont pu que mettre en valeur la superbe prestation de la chanteuse, accompagnée de ses quatre musiciens. A 65 ans, la poétesse a fasciné son audience pendant une petite heure et demie, sans se départir d’un grand sourire communicatif. Avec ses mitaines, son veston trop grand et sa dégaine androgyne, la chanteuse s’est exécutée avec une classe sans pareille, sans oublier d’en appeler à la libération des Pussy Riot, avant d’entonner le poing levé un Ghost Dance («We Shall Live again») vibrant d’émotion.
 

25 de Agosto de 2012 - Lausana, Suíça

 
 

Monday, August 20, 2012

Será este o sentido da vida humana?

"... E finalmente você vai acordar e perceberá que é um velho reumático como eu!"

É costume dizer-se que não há duas sem três, por isso não resisti a divulgar o discurso do Presidente do Uruguai José Pepe Mujica, na Rio+20.
É um discurso politicamente incorrecto, certamente que fez aquecer as orelhas a muitos dos seus colegas governantes presentes nesse evento.
Estou convencido que, a pouco e pouco, cada vez mais pessoas vão tomando consciência do tipo de sociedade em que efectivamente vivemos, pois só assim poderemos tomar decisões racionais que nos permitam caminhar para um desenvolvimento verdadeiramente sustentável.



Sunday, August 19, 2012

Dedicado às nossas mulheres... que por vezes são umas chatas!


Porque é que são sempre os mesmos?

Resolvi postar este artigo de Pacheco Pereira, um pouco na sequência temática do anterior: embora com um conteúdo completamente diferente, claro, mas pensando bem, tem tudo a ver...!
Nota: sublinhados meus.

O relatório da CMVM, publicado com atraso, revela a acumulação de cargos em sociedades por um pequeno número de pessoas, sempre as mesmas aliás. Não se trata só dos seus “donos”, o argumento que o homem dos 73 lugares deu para justificar que qualquer ideia de boas práticas na governança das sociedades não se aplica às “dele”, mas aos 17 que acumulam lugares cada um em mais de 30 empresas. A isso deve-se acrescentar o que todos os dias se vai sabendo sobre a entrada ou a circulação de pessoas na administração das principais empresas portuguesas, com relações próximas com o poder político, por singular coincidência sempre os mesmos. Entre consultoras, grandes escritórios de advogados, entidades reguladoras, governo, banca, empresas públicas, “comissões de aconselhamento” do governo, há uma circulação intensa de…sempre os mesmos.
 
Proença de Carvalho é um exemplo típico: advogado de José Sócrates, presidente do Conselho de Curadores da Fundação Champalimaud, presidente do Conselho de Administração da Zon Multimedia, membro da Comissão de Vencimentos do BES – um interessante cargo -, “chairman” da Cimpor, ao todo, só no mundo empresarial, 27 cargos. Proença de Carvalho, como muitos outros neste universo de “sempre os mesmos”, não é “dono”, mas amigo dos “donos”.
 
Competência? Nalguns casos sim, noutros não. Mas não é a competência o critério fundamental. É a confiança. Estes são confiáveis, são dos “nossos”, são dos “mesmos”. Já foram testados mil e uma vezes, no governo, na banca, na advocacia de negócios, no comentário político nos media, e mostraram que estão lá para defender sem hesitações, os “nossos” interesses. Confiança é a palavra chave nos “sempre os mesmos”.
 
Artigo de José Pacheco Pereira, in Abrupto (agora dir-se-á Abruto?!)

Saturday, August 18, 2012

Un cañón en el culo

Si lo hemos entendido bien, y no era fácil porque somos un poco bobos, la economía financiera es a la economía real lo que el señor feudal al siervo, lo que el amo al esclavo, lo que la metrópoli a la colonia, lo que el capitalista manchesteriano al obrero sobreexplotado. La economía financiera es el enemigo de clase de la economía real, con la que juega como un cerdo occidental con el cuerpo de un niño en un burdel asiático. Ese cerdo hijo de puta puede hacer, por ejemplo, que tu producción de trigo se aprecie o se deprecie dos años antes de que la hayas sembrado. En efecto, puede comprarte, y sin que tú te enteres de la operación, una cosecha inexistente y vendérsela a un tercero que se la venderá a un cuarto y este a un quinto y puede conseguir, según sus intereses, que a lo largo de ese proceso delirante el precio de ese trigo quimérico se dispare o se hunda sin que tú ganes más si sube, aunque te irás a la mierda si baja. Si baja demasiado, quizá no te compense sembrarlo, pero habrás quedado endeudado sin comerlo ni beberlo para el resto de tu vida, quizá vayas a la cárcel o a la horca por ello, depende de la zona geográfica en la que hayas caído, aunque no hay ninguna segura. De eso trata la economía financiera.
...
Cuando el terrorista financiero compra o vende, convierte en irreal el trabajo genuino de miles o millones de personas que antes de ir al tajo han dejado en una guardería estatal, donde todavía las haya, a sus hijos, productos de consumo también, los hijos, de ese ejército de cabrones protegidos por los gobiernos de medio mundo, pero sobreprotegidos desde luego por esa cosa que venimos llamando Europa o Unión Europea o, en términos más simples, Alemania, a cuyas arcas se desvían hoy, ahora, en el momento mismo en el que usted lee estas líneas, miles de millones de euros que estaban en las nuestras.

Pode ler o artigo completo no El País

Saturday, August 11, 2012

Music was my first love...




Serge Reggiani, um dos meus intérpretes favoritos da chanson française... Intemporal!

Once and Again

"Começar de novo", assim era o título em português desta fabulosa série que passou no início do milénio na RTP2.
Fico espantado com a quantidade de "lixo" que as cadeias de televisão transmitem por essa Europa fora - não é só em Portugal - deixando na prateleira obras desta envergadura. Sou forçado a acreditar na existência de um propósito bem definido, estrategicamente concertado, para alienar a sociedade com programas tipo big brother e congéneres: não creio que tal seja apenas motivado pelo elevado índice de audiências que o "lixo" atrai...
O fio condutor é a história de amor entre Lily e Rick (... as histórias de Once and Again exploram a magia e a dificuldade de começar de novo uma relação, tendo uma dinâmica de famíla, divórcios , pais e filhos por detrás... assim "reza" a wikipéedia!), mas o ponto forte desta série assenta fundamentalmente nas relações entre as pessoas, nas suas fraquezas e virtudes, anseios e desilusões, e acima de tudo no relacionamento (em construção permanente) entre pais e filhos.
Neste momento já vou a meio da segunda temporada, e constato que os temas abordados continuam perfeitamente actuais.
Como agora se diz, trata-se de um case study. Para apreciadores!...



 

Monday, August 06, 2012

Elections... ou eleiçôes?!

Durante um jantar diplomático em Lisboa, oferecido ao decano dos embaixadores - que era japonês - sentou-se ao lado dele a mulher de um diplomata que ia ser transferido para o Japão. A conversa desenrolou-se em inglês. Às tantas, a mulher perguntou ao japonês:
- Sir, when do you have elections in Japan?
- Well, madam, evely molning...

Sunday, July 29, 2012

Music was my first love...


As soon as you're born they make you feel small
By giving you no time instead of it all
Till the pain is so big you feel nothing at all

A working class hero is something to be
A working class hero is something to be

They hurt you at home and they hit you at school
They hate you if you're clever and they despise a fool
Till you're so fucking crazy you can't follow their rules

A working class hero is something to be
A working class hero is something to be

When they've tortured and scared you for twenty odd years
Then they expect you to pick a career
When you can't really function you're so full of fear

A working class hero is something to be
A working class hero is something to be

Keep you doped with religion and sex and TV
And you think you're so clever and class less and free
But you're still fucking peasants as far as I can see

A working class hero is something to be
A working class hero is something to be

There's room at the top they are telling you still
But first you must learn how to smile as you kill
If you want to be like the folks on the hill

A working class hero is something to be
A working class hero is something to be

If you want to be a hero well just follow me
If you want to be a hero well just follow me

Looking for the meaning of life


George Gray

I have studied many times
The marble which was chiseled for me--
A boat with a furled sail at rest in a harbor.
In truth it pictures not my destination
But my life.
For love was offered me and I shrank from its disillusionment;
Sorrow knocked at my door, but I was afraid;
Ambition called to me, but I dreaded the chances.
Yet all the while I hungered for meaning in my life.
And now I know that we must lift the sail
And catch the winds of destiny
Wherever they drive the boat.
To put meaning in one's life may end in madness,
But life without meaning is the torture
Of restlessness and vague desire--
It is a boat longing for the sea and yet afraid.

Edgar Lee Masters, from "Spoon River Anthology"

Tuesday, July 10, 2012

Carta de despedida aos amigos

“Se por um instante Deus se esquecesse que sou uma marioneta de trapo e me oferecesse mais um pouco de vida, não diria tudo o que penso, mas pensaria tudo o que digo.
Daria valor às coisas não pelo que valem, mas pelo que significam.
Dormiria pouco, sonharia mais.
Entendo que por cada minuto que fechamos os olhos, perdemos 60 segundos de luz.
Andaria quando os outros páram, acordaria quando os outros dormem.
Ouviria quando os outros falam e como desfrutaria de um bom gelado de chocolate…
Se Deus me oferecesse um pouco de vida, vestir-me-ia de forma simples, deixando a descoberto não apenas o meu corpo, mas também a minha alma.
Meu Deus, se eu tivesse um coração, escreveria meu ódio sobre gelo e esperava que nascesse o sol.
Pintaria com um sonho de Van Gogh as estrelas de um poema de Benedetti, e uma canção de Serrat seria a serenata que oferecia à Lua.
Regaria as rosas com minhas lágrimas para sentir a dor dos seus espinhos e o beijo encarnado das suas pétalas…
Meu Deus, se eu tivesse um pouco mais de vida, não deixaria passar um só dia sem dizer às pessoas de quem gosto que gosto delas.
Convenceria cada mulher ou homem que é o meu favorito e viveria apaixonado pelo Amor.
Aos Homens, provar-lhes-ia como estão equivocados ao pensar que deixam de se apaixonar quando envelhecem, sem saberem que envelhecem quando deixam de se apaixonar.
A uma criança dar-lhe-ia asas, mas teria de aprender a voar sozinha.
Aos velhos, ensinar-lhes-ia que a morte não chega com a velhice, mas sim com o esquecimento.
Tantas coisas aprendi com vocês Homens…
Aprendi que todo o mundo quer viver em cima de uma montanha, sem saber que a verdadeira felicidade está na forma de subir a encosta.
Aprendi que quando um recém-nascido aperta com sua pequena mão, pela 1ª vez, o dedo de seu pai, o tem agarrado para sempre.
Aprendi que um Homem só tem direito a olhar outro de cima para baixo quando vai ajudá-lo a levantar-se.
São tantas as coisas que pude aprender com vocês, mas não me hão-de servir realmente de muito, porque quando me guardarem dentro dessa maleta, infelizmente estarei a morrer…”

Nota: texto que circula há anos pela internet, autoria polémica...

Sunday, July 08, 2012

Leitura obrigatória

Ler com a devida atenção a declaração de voto do Juiz do Tribunal Constitucional, Carlos Pamplona de Oliveira (a quem presto a minha homenagem pela coerência e isençâo demonstradas...) sobre um Acordão que "mexe" com a Constituiçâo Portuguesa, e que certamente vai ter consequências a curto prazo. Mais uma vez, é pena que o maior "sururu" se passe apenas na blogosfera: a nossa comunicação social assobia quase sempre para o lado, quando os assuntos "não vendem - ou então quando não convém a certos sectores da nossa política...
Como diz o Presidente da República, há limites para os esforço pedidos aos portugueses. Aonde é que eu já ouvi isto? Acho que tem tudo a ver!...


DECLARAÇÃO DE VOTO
1. Em meu entender, a Constituição protege especialmente o sistema de segurança social, no qual inclui o regime de pensões de proteção da velhice e invalidez, "independentemente do setor de atividade em que tiver sido prestado" – artigo 63º, em especial o seu n.º 4. Isso significa que, em princípio, a redução do montante das pensões já fixadas é proibida, por representar uma restrição a um direito constitucionalmente garantido. Ainda assim, em caso de emergência nacional é possível suspender esse direito, embora por um período limitado, até "ao pronto restabelecimento da normalidade constitucional" (n.º 4 do artigo 19º da Constituição). Ora a verificação de uma situação de emergência nacional levaria a considerar outros cortes na despesa do Estado, designadamente, as decorrentes de cerimoniais e de despesas de representação protocolar, antes de reduzir o montante das pensões de proteção da velhice e invalidez.
2. Nos termos dos n.ºs 1 e 4 do artigo 282º da Constituição, o julgamento do Tribunal Constitucional que declara a inconstitucionalidade com força obrigatória geral, como é o caso presente, "produz efeitos desde a entrada em vigor da norma declarada inconstitucional", a menos que fundamentadas razões de interesse público de excecional relevo exijam que o efeito da declaração de inconstitucionalidade tenha alcance mais restrito.
O Governo não estava impedido de apresentar ao Tribunal Constitucional as suas razões quanto à não inconstitucionalidade das normas em causa.
Não o fez.
Para além disso, precavendo a hipótese de julgamento adverso, teria até o dever de invocar, se as houvesse, as razões de excecional interesse público que, em seu entender, imporiam uma restrição dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade.
Também não o fez.
Perante tais omissões, o Tribunal não pode afirmar – com a segurança e o rigor que lhe são exigidos – que há razões de excecional interesse público que impõem uma restrição dos efeitos do seu julgamento, pois fá-lo com base na mera suposição do "perigo" de insolvabilidade do Estado como decorrência da normal vigência dos efeitos do seu julgamento, circunstância que, como se viu, não foi sequer invocada pelo órgão a quem cabe, em primeira linha, a defesa de um tal interesse.
Não acompanhei, por isso, a restrição de efeitos decidida pelo Tribunal. - Carlos Pamplona de Oliveira.

"Gamado", com a devida vénia, a André Couto http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/

Music was my first love...

Saturday, July 07, 2012

A entrevista, em síntese (ou mais um exemplo de como os génios são pessoas simples...)



Pequena homenagem a Patti Smith

A DUAS MÃOS

Vou dizer-te uma coisa, e tu vais prometer-me que não a dizes a ninguém, a ninguém. Vou dizer-te uma coisa, e tu juras que não acreditas nela. Vou dizer-te uma coisa, porque tenho uma indomável vontade de te dizer coisas, muitas coisas, de dia, de noite e entre os dois. Todos os dias.

Vou contar-te um segredo, e tu vais prometer-me que o guardas para ti, só para ti. Vou contar-te um segredo, e tu juras que fazes dele um rio, um mar, um mundo. Vou contar-te um segredo, porque tenho uma indomável vontade de transformar palavras em flores, para que as uses ao peito num bouquet colorido, de dia, de noite e entre os dois. Todos os dias. E quero que só tu saibas que essas flores são palavras, e que essas palavras são o meu segredo.

(Nota: O primeiro parágrafo não é da minha autoria. O segundo é a resposta ao desafio que me foi posto por essas palavras.)

Ana Vidal

Sunday, July 01, 2012

Ontem já era tarde... acho eu!

Merkel Secures Vote for Euro Treaties

As expected, more than two-thirds of the lawmakers in Germany's parliament moved on Friday to approve the permanent euro rescue fund, the European Stability Mechanism, and a fiscal pact long championed by Chancellor Angela Merkel. However, the treaties still face a review by the country's highest court before they can be ratified
(....)
What's more, the bailout fund will be allowed to pump money directly into struggling European banks rather than pushing countries deeper into debt by loaning the money to governments themselves in exchange for austerity commitments. However, this can only happen after a single European banking supervision mechanism -- under the auspices of the ECB -- has been established, which could take some time.
(....)
Italian Prime Minister Mario Monti and Spanish Prime Minister Mariano Rajoy were able to secure the concessions by threatening to torpedo the €120 billion ($150 billion) European Union growth pact originally proposed by French President François Hollande, who had promised voters during his recent presidential campaign to secure a growth component to complement Merkel's fiscal pact. Even if experts doubt whether the growth pact will have much of an effect, Merkel had promised the successful passage of the pact to the opposition back home, as well as support for a financial transaction tax, in exchange for their support in ratifying the ESM and the fiscal pact in Friday's votes.

In SPIEGELONLINE

Para quem quiser ler o artigo na íntegra, clicar aqui

Music was my first love...

Saturday, June 30, 2012

2 Rapidinhas... para rir!

Why is santa claus always so happy?
He knows where all of the bad girls live!
________________________________

The nervous young bride became irritated by her husband's lusty advances on their wedding night and reprimanded him severely."I demand proper manners in bed," she declared, "just as I do at the dinner table!"Amused by his wife's formality, the groom smoothed his rumpled hair and climbed quietly between the sheets. "Is that better?" he asked, with a hint of a smile."Yes," replied the girl, "much better.""Very good, darling," the husband whispered."Now would you be so kind as to please pass the pussy."

source: http://www.jokebuddha.com

Saturday, June 16, 2012

Saturday, June 02, 2012

A graxa

...
A graxa é um instituição nacional aprendida nos bancos da escola, o aluno mais querido do professor é o graxista, o jovem mais promissor nas jotas partidárias o graxista, o funcionário público ou empregado mais promissor é o graxista. A graxa é não só uma das qualidades mais apreciadas neste país como é também uma instituição nacional praticada ao mais alto nível. É pena que sendo tão importante para o funcionamento das instituições nacionais e para o relacionamento humano e organizacional não tenha sido ainda devidamente estudada por sociólogos, gestores, cientistas políticos, psicólogos e até por médicos ortopedistas pois, como se sabe, deverá haver uma forte correlação entre a graxa e a grande incidência de bicos de papagaio.
...

In O Jumento; o artigo completo aqui

Thursday, May 17, 2012

A trapeira do Job


Isto que eu vou dizer vai parecer ridículo a muita gente.

Mas houve um tempo em que as pessoas se lembravam, ainda, da época da infância, da primeira caneta de tinta-permanente, da primeira bicicleta, da idade adulta, das vezes em que se comia fora, do primeiro frigorífico e do primeiro televisor, do primeiro rádio, de quando tinham ido ao estrangeiro.
Houve um tempo em que, nos lares, se aproveitava para a refeição seguinte o sobejante da refeição anterior, em que, com ovos mexidos e a carne ou peixe restante, se fazia "roupa velha". Tempos em que as camisas iam a mudar o colarinho e os punhos do avesso, assim como os casacos, e se tingia a roupa usada, tempos em que se punham meias-solas com protectores. Tempos em que ao mudar-se de sala se apagava a luz, tempos em que se guardava o "fatinho de ver a Deus e à sua Joana".
E não era só no Portugal da mesquinhez salazarista. Na Inglaterra dos Lordes, na França dos Luíses, a regra era esta. Em 1945 passava-se fome na Europa, a guerra matara milhões e arrasara tudo quanto a selvajaria humana pode arrasar.
Houve tempos em que se produzia o que se comia e se exportava. Em que o País tinha uma frota de marinha mercante, fábricas, vinhas, searas.
Veio depois o admirável mundo novo do crédito. Os novos pais tinham como filhos uns pivetes tiranos, exigindo malcriadamente o último modelo de mil e um gadgets e seus consumíveis, porque os filhos dos outros também tinham. Pais que se enforcavam por carrões de brutal cilindrada para os encravarem no lodo do trânsito e mostrarem que tinham aquela extensão motorizada da sua potência genital. Passou a ser tempo de gente em que era questão de pedigree viver no condomínio fechado, e sobretudo dizê-lo, em que luxuosas revistas instigavam em couché os feios a serem bonitos, à conta de spas e de marcas, assim se visse a etiqueta, em que a beautiful people era o símbolo de status como a língua nos cães para a sua raça.
Foram anos em que o Campo se tornou num imenso ressort de Turismo de Habitação, as cidades uma festa permanente, entre o coktail party e a rave. Houve quem pensasse até que um dia os Serviços seriam o único emprego futuro ou com futuro.
O país que produzia o que comíamos ficou para os labregos dos pais e primos parolos, de quem os citadinos se envergonhavam, salvo quando regressavam à cidade dos fins de semana com a mala do carro atulhada do que não lhes custara a cavar e às vezes nem obrigado.
O país que produzia o que se podia transaccionar, esse, ficou com o operariado da ferrugem, empacotados como gado em dormitórios, e que os víamos chegar mortos de sono logo à hora de acordarem, as casas verdadeiras bombas-relógio de raiva contida, descarregada nos cônjuges, nos filhos, na idiotização que a TV tornou negócio.
Sob o oásis dos edifícios em vidro, miragem de cristal, vivia o mundo subterrâneo de quantos aguentaram isto enquanto puderam, a sub-gente. Os intelectuais burgueses teorizavam, ganzados de alucinação, que o conceito de classes sociais tinha desaparecido. A teoria geral dos sistemas supunha que o real era apenas uma noção, a teoria da informação substituía os cavalos-força da maquinaria pelos megabytes de RAM da computação universal. Um dia os computadores tudo fariam, o Ser-Humano tornava-se um acidente no barro de um oleiro velho e tresloucado que, caído do Céu, morrera pregado a dois paus, e que julgava chamar-se Deus, confundindo-se com o seu filho e mais uma trinitária pomba.
Às tantas, os da cidade começaram a notar que não havia portugueses a servir à mesa, porque estávamos a importar brasileiros, que não havia portugueses nas obras, porque estávamos a importar negros e eslavos.
A chegada das lojas-dos-trezentos já era alarme de que se estava a viver de pexibeque, mas a folia continuava. A essas sucedeu a vaga das lojas chinesas, porque já só havia para comprar «balato». Mas o festim prosseguia e à sexta-feira as filas de trânsito em Lisboa eram o caos e até ao dia quinze os táxis não tinham mãos a medir.
Fora disto, os ricos, os muito ricos, viram chegar os novos ricos. O ganhão alentejano viu sumir o velho latifundário absentista pelo novo turista absentista com o mesmo monte mais a piscina e seus amigos, intelectuais, claro, e sempre pela reforma agrária, e vai um uísque de malte, sempre ao lado do povo, e já leu o New Yorker?
A agiotagem financeira, essa, ululava. Viviam do tempo, exploravam o tempo, do tempo que só ao tal Deus pertencia, mas, esse, Nietzsche encontrara-o morto em Auschwitz. Veio o crédito ao consumo, a Conta-Ordenado, veio tudo quanto pudesse ser o ter sem pagar. Porque nenhum Banco quer que lhe devolvam o capital mutuado, quer é esticar ao máximo o lucro que esse capital rende.
Aguilhoando pela publicidade enganosa os bois que somos nós todos, os Bancos instigavam à compra, ao leasing, ao renting, ao seja como for desde que tenha e já, ao cartão, ao descoberto-autorizado.
Tudo quanto era vedeta deu a cara, sendo actor, as pernas, sendo futebolista, ou o que vocês sabem, sendo o que vocês adivinham, para aconselhar-nos a ir àquele Balcão bancário buscar dinheiro, vendermos-nos ao dinheiro, enforcarmos-nos na figueira infernal do dinheiro. Satanás ria. O Inferno começava na terra.
Claro que os da política do poder, que vivem no pau de sebo perpétuo do fazer arrear, puxando-os pelos fundilhos, quantos treparam para o poder, querem a canalha contente. E o circo do consumo, a palhaçada do crédito servia-os. Com isso comprávamos os plasmas mamutes onde eles vendiam à noite propaganda governamental e, nos intervalos, imbelicidades e telefofocadas, que entre a oligofrenia e a debilidade mental a diferença é nula. E, contentes, cretinamente contentinhos, os portugueses tinham como tema de conversa a telenovela da noite, o jogo de futebol do dia e da noite e os comentários políticos dos "analistas" que poupavam os nossos miolos de pensarem, pensando por nós.
Estamos nisto.
Este fim-de-semana a Grécia pode cair. Com ela a Europa.
Que interessa? O Império Romano já caiu também e o mundo não acabou. Nessa altura, em Bizâncio, discutia-se o sexo dos anjos. Talvez porque Deus se tivesse distraído com a questão teológica, talvez porque o Diabo tenha ganho aos dados a alma do pobre Job na sua trapeira. O Job que somos grande parte de nós.

José António Barreiros, advogado

Sunday, May 13, 2012

Triste realidade


O Engraxanço e o Culambismo Português

Noto com desagrado que se tem desenvolvido muito em Portugal uma modalidade desportiva que julgara ter caído em desuso depois da revolução de Abril. Situa-se na área da ginástica corporal e envolve complexos exercícios contorcionistas em que cada jogador procura, por todos os meios ao seu alcance, correr e prostrar-se de forma a lamber o cu de um jogador mais poderoso do que ele.
Este cu pode ser o cu de um superior hierárquico, de um ministro, de um agente da polícia ou de um artista. O objectivo do jogo é identificá-los, lambê-los e recolher os respectivos prémios. Os prémios podem ser em dinheiro, em promoção profissional ou em permuta. À medida que vai lambendo os cus, vai ascendendo ou descendendo na hierarquia.
Antes do 25 de Abril esta modalidade era mais rudimentar. Era praticada por amadores, muitos em idade escolar, e conhecida prosaicamente como «engraxanço». Os chefes de repartição engraxavam os chefes de serviço, os alunos engraxavam os professores,os jornalistas engraxavam os ministros, as donas de casa engraxavam os médicos da caixa, etc... Mesmo assim, eram raros os portugueses com feitio para passar graxa. Havia poucos engraxadores. Diga-se porém, em abono da verdade, que os poucos que havia engraxavam imenso.
Nesse tempo, «engraxar» era uma actividade socialmente menosprezada. O menino que engraxasse a professora tinha de enfrentar depois o escárnio da turma. O colunista que tecesse um grande elogio ao Presidente do Conselho era ostracizado pelos colegas.Ninguém gostava de um engraxador.

Hoje tudo isso mudou. O engraxanço evoluiu ao ponto de tornar-se irreconhecível. Foi-se subindo na escala de subserviência, dos sapatos até ao cu. O engraxador foi promovido a lambe-botas e o lambe-botas a lambe-cu. Não é preciso realçar a diferença, em termos de subordinação hierárquica e flexibilidade de movimentos, entre engraxar uns sapatos e lamber um cu. Para fazer face à crescente popularidade do desporto, importaram-se dos Estados Unidos, campeão do mundo na modalidade, as regras e os estatutos da American Federation of Ass-licking and Brown-nosing.Os praticantes portugueses puderam assim esquecer os tempos amadores do engraxanço e aperfeiçoarem-se no desenvolvimento profissional do Culambismo.

(...) Tudo isto teria graça se os culambistas portugueses fossem tão mal tratados e sucedidos como os engraxadores de outrora. O pior é que a nossa sociedade não só aceita o culambismo como forma prática de subir na vida, como começa a exigi-lo como habilitação profissional. O culambismo compensa. Sobreviver sem um mínimo de conhecimentos de culambismo é hoje tão difícil como vencer na vida sem saber falar inglês.

Miguel Esteves Cardoso, in 'Último Volume'

Saturday, May 12, 2012

Music was my first love...


A melhor versão de sempre de "City of New Orleans", o verdadeiro hino da América!

Por falar em aumentos...

EMPREGADA PEDINDO AUMENTO:
- Madame, estou precisando de um aumento.
A senhora muito chateada pergunta:
- Maria, porque você acha que merece um
aumento? Você só está aqui há 3 meses.
... - Madame, há três razões porque eu acho que
mereço um aumento.. Em primeiro lugar, eu
passo as roupas melhor do que a senhora.
- Quem foi que disse isso?
- Foi o patrão quem disse. Em segundo lugar,
eu cozinho melhor do que a senhora.
- Que absurdo, quem disse isso?
- Foi o patrão quem disse. Em terceiro lugar
eu sou melhor na cama que a senhora.
- Filha da Puta. Foi meu marido quem disse
isso também?
- Não madame, foi o motorista...
- E... QUANTO VOCÊ QUER DE AUMENTO?...

Thursday, May 10, 2012

Fala do Homem Nascido

Venho da terra assombrada,
do ventre de minha mãe;
não pretendo roubar nada
... nem fazer mal a ninguém.

Só quero o que me é devido
por me trazerem aqui,
que eu nem sequer fui ouvido
no acto de que nasci.

Trago boca para comer
e olhos para desejar.
Com licença, quero passar,
tenho pressa de viver.
Com licença! Com licença!
Que a vida é água a correr.
Venho do fundo do tempo;
não tenho tempo a perder.

Minha barca aparelhada
solta o pano rumo ao norte;
meu desejo é passaporte
para a fronteira fechada.
Não há ventos que não prestem
nem marés que não convenham,
nem forças que me molestem,
correntes que me detenham.

Quero eu e a Natureza,
que a Natureza sou eu,
e as forças da Natureza
nunca ninguém as venceu.

Com licença! Com licença!
Que a barca se fez ao mar.
Não há poder que me vença.
Mesmo morto hei-de passar.
Com licença! Com licença!
Com rumo à estrela polar.

António Gedeão, in 'Teatro do Mundo'

Tuesday, May 08, 2012

Na "mouche"

"A austeridade tal como a definem não tem sentido. Pode haver uma certa austeridade, sim, mas devia começar no governo. A austeridade deveria começar no governo e não nas pessoas e, sobretudo, não nos pobres e nos desempregados."

Mário Soares, em entrevista ao jornal i

Sunday, April 29, 2012

Dá que pensar...

Questões que deveriam ser abordadas nos telejornais... só que, se calhar, não interessa!

Ora aqui temos, em síntese, um conjunto de questões pertinentes, com quem ninguém se parece preocupar... e que nos afectará a todos, mais cedo ou mais tarde!

"Outro erro histórico será o de privatizar a Segurança Social e o Sistema Nacional de Saúde. Estes senhores não sabem que nos EUA milhões de americanos perderam as suas poupanças e foram lançadas na pobreza em resultado da falência de algumas companhias de seguros e de bancos? Será que não sabem que uma em cada três famílias fica insolvente em resultado das elevadíssimas despesas do sistema de saúde privado americano? Então não sabem que as despesas de saúde do tão "eficiente" sistema privado americano é duas vezes superior ao sistema de saúde público alemão ou sueco e três vezes superior ao Sistema Nacional de Saúde? Porque insistem no erro? Porque não reformam o cancro nacional que são as PPP? Onde estão as reformas fundamentais para a modernização e revitalização da economia nacional? Porque não abrem a economia fortemente oligopolizada e cartelizada à concorrência? Porque não baixam os impostos às depauperadas pequenas e médias empresas? Porque não introduzem moralidade no sistema e põem fim aos indevidos privilégios de alguns influentes? Porque são sempre os mais vulneráveis a pagar? Pois, disto nem se ouve falar. "
Domingos Ferreira, in jornal Público, via http://ladroesdebicicletas.blogspot.com/

Tuesday, March 27, 2012

Saturday, March 24, 2012

Senhor, encolhi o país...

"...Há várias coisas que se estão a passar sob o manto da austeridade necessária que nada têm a ver nem com a austeridade, nem com a necessidade. Basta ler o que escrevi nos últimos anos para não ter dúvida nenhuma de que de há muito penso que um "ajustamento", como agora se diz, mesmo muito severo, seria inevitável e necessário. Nenhuma dúvida se me colocou de que esse "ajustamento" iria afectar muitos portugueses no seu nível de vida, e que não se podia escapar a esse destino, nem a bem, nem a mal. Foi a mal, com a troika a bater à porta. Mas depois deu-se uma sucessão de acontecimentos, que, esses sim, podiam ter ocorrido de outra maneira. Há várias coisas que estão a acontecer que deveriam merecer uma maior atenção de toda a gente sensata e moderada, a começar por aqueles que ainda chamam social-democrata ao seu partido.

...
A ideia de que pode haver uma "democratização da economia", signifique lá isso o que significar, não tem nenhuma correspondência com a realidade. A destruição maciça de empresas, a entrega de participações, bens, recursos à banca, quer directamente, quer por via intermediária do fisco, acompanha o desemprego como meio de embaratecer o trabalho. Em complemento deste processo, e com ele associada, há uma enorme redistribuição de poder, resultado de uma brutal e rápida concentração de poder de decisão e de recursos nas mãos de um grupo cada vez mais pequeno de pessoas, que circulam numa elite que sempre foi muito fechada, mas que agora ainda o é mais. As redes interiores do poder, que circulam entre os grupos económicos, o poder político, a grande advocacia de negócios, alguns think tanks, empresas de consultadoria, conselhos de administração das fundações mais poderosas, reguladores e, de um modo geral, todos os lugares de nomeação estatal, em "grupos de trabalho", "comissões de acompanhamento", etc. estão cada vez mais entregues "sempre aos mesmos". A razão é que as relações de confiança nestes momentos de crise são mais importantes do que tudo o resto, seja a competência e mérito, seja a renovação, sejam mesmo os valores propagados da competição e da liberdade económica. E os "mesmos" já deram provas de lealdade e serviço. ..."

José Pacheco Pereira, in Abrupto ( leia aqui o texto na íntegra )

Sr. Ministro, precisamos de merda...


Fanado aqui

Sunday, February 26, 2012

Ontem: parece que foi ainda há tão pouco tempo...!


Poder & Associados

 
As grandes sociedades de advogados transformaram-se em autênticos ministérios-sombra.

As grandes sociedades de advogados adquiriram uma dimensão e um poder tal que se transformaram em autênticos ministérios-sombra.

É dos seus escritórios que saem os políticos mais influentes e é no seu seio que se produz a legislação mais importante e de maior relevância económica.

Estas sociedades têm estado sobre-representadas em todos os governos e parlamentos.

São seus símbolos o ex-ministro barrosista Nuno Morais Sarmento, do PSD, sócio do mega escritório de José Miguel Júdice, ou a centrista e actual super-ministra Assunção Cristas, da sociedade Morais Leitão e Galvão Teles.

Aos quais se poderiam juntar ministros de governos socialistas como Vera Jardim ou Rui Pena.

Alguns adversários políticos aparentes são até sócios do mesmo escritório. Quando António Vitorino do PS e Paulo Rangel do PSD se confrontam num debate, fazem-no talvez depois de se terem reunido a tratar de negócios no escritório a que ambos pertencem.

Algumas destas poderosas firmas de advogados têm a incumbência de produzir a mais importante legislação nacional. São contratadas pelos diversos governos a troco de honorários milionários. Produzem diplomas que por norma padecem de três defeitos.

São imensas as regras, para que ninguém as perceba, são muitas as excepções para beneficiar amigos; e, finalmente, a legislação confere um ilimitado poder discricionário a quem a aplica, o que constitui fonte de toda a corrupção.

Como as leis são imperceptíveis, as sociedades de jurisconsultos que as produzem obtêm aqui também um filão interminável de rendimento.

Emitem pareceres para as mais diversas entidades a explicar os erros que eles próprios introduziram nas leis. E voltam a ganhar milhões. E, finalmente, conhecedoras de todo o processo, ainda podem ir aos grupos privados mais poderosos vender os métodos de ultrapassar a Lei, através dos alçapões que elas próprias introduziram na legislação.

As maiores sociedades de advogados do país, verdadeiras irmandades, constituem hoje o símbolo maior da mega central de negócios em que se transformou a política nacional.

Paulo Morais, Professor Universitário
 

Será que daqui a poucos anos isto vai ser banal?


Via

Textos para reflexão: que futuro para a igreja católica?

O Papa e as intrigas no Vaticano

«Dizia-me uma vez em Bruxelas, admirado e pesaroso, um ilustre teólogo da Universidade de Lovaina (Joseph Ratzinger até o cita num dos seus livros sobre Jesus de Nazaré; não é herege): "Como é que foi possível o movimento desencadeado por Jesus, essa figura simples e amiga dos pobres, que acabou crucificado, desembocar no Vaticano, com um Papa chefe do Estado?" Entende-se, quando se estuda a História, mas é preciso reconhecer a tremenda ambiguidade da situação e o perigo constante de traição da mensagem cristã.

Hoje, concretamente, como já aqui chamei a atenção, citando o livro de Hans Küng, Ist die Kirche noch zu retten? (A Igreja ainda tem salvação?), a Igreja Católica, a maior, a mais poderosa, a mais internacional Igreja, essa grande comunidade de fé, está "realmente doente", "sofre do sistema romano de poder", que se caracteriza pelo monopólio da verdade, pelo juridicismo e clericalismo, pelo medo do sexo e da mulher, pela violência espiritual.

Ora, a Igreja não pode entender-se como um aparelho de poder ou uma empresa religiosa; só como povo de Deus e comunidade do Espírito nos diferentes lugares e no mundo. O papado não tem de desaparecer, mas o Papa não pode ser visto como "um autocrata espiritual", antes como o bispo que tem o primado pastoral, vinculado colegialmente com os outros bispos.

A Igreja tem de fortalecer as suas funções nucleares: oferecer aos homens e mulheres de hoje a mensagem cristã, de modo compreensível, sem arcaísmos nem dogmatismos escolásticos, e celebrar os sacramentos, sem esquecer o dever de assumir as suas responsabilidades sociais, apresentando à sociedade, sem partidarismos, opções fundamentais, orientações para um futuro melhor.

Não se trata de acabar com a Cúria Romana, mas de reformá-la segundo o Evangelho. Essa reforma implica humildade evangélica (renúncia a títulos como: Monsignori, Excelências, Reverências, Eminências...), simplicidade evangélica, fraternidade evangélica, liberdade evangélica. E é necessário mais pessoal profissional, acabando com o favoritismo. De facto, esta Igreja é altamente hierarquizada e ao mesmo tempo caótica. Quem manda no Vaticano? "Conselheiros independentes haverá poucos." Precisa-se de transparência nas finanças da Igreja.

Acima de tudo e em primeiro lugar, é preciso voltar a Jesus Cristo, ao que ele foi, é, quis e quer. De facto, em síntese, a Igreja é a comunidade dos que acreditam em Cristo: "A comunidade dos que se entregaram a Jesus Cristo e à sua causa e a testemunham com energia como esperança para o mundo. A Igreja torna-se crível, se disser a mensagem cristã não em primeiro lugar aos outros, mas a si mesma e, portanto, não pregar apenas, mas cumprir as exigências de Jesus. Toda a sua credibilidade depende da fidelidade a Jesus Cristo."

Problema maior é a Cúria. O cardeal Walter Kasper, referindo o actual péssimo clima no Vaticano, que causa "confusão" entre os fiéis, disse que Bento XVI anda "muito triste". E tem razões para isso. O paradoxo é este: o papado é a última monarquia absoluta do Ocidente, mas o Papa não controla a Cúria. Duas cartas do núncio apostólico nos Estados Unidos denunciam corrupção ao mais alto nível no Vaticano. Agora, em finais de pontificado, começaram já as intrigas maquiavélicas e as lutas pelo poder, no sentido de manobrar a sucessão, tendo-se chegado até a falar numa conspiração para matar o Papa.

Neste contexto, o Papa lembrou, no passado Sábado, aos novos cardeais que "domínio e serviço, egoísmo e altruísmo, posse e dádiva, interesse próprio e generosidade: estas lógicas profundamente opostas confrontam-se em todas as épocas e em todos os lugares. E não há dúvida nenhuma sobre a via escolhida por Jesus". Recomendou que "renunciem ao estilo mundano de poder e de glória". "O serviço de Deus e a doação de si é a lógica da fé, que está em contradição com o estilo mundano."

Desculpem, Reverências e Eminências, mas a Igreja não vai com púrpura, barretes cardinalícios e intrigas de poder. Só com o Evangelho.» [DN]

Autor: Anselmo Borges.

"Roubado" aqui

Saturday, February 11, 2012

(Des)Acordo Ortográfico

«Vasco Graça Moura (que a intelectualidade oficiosa viu com desconfiança ser nomeado presidente do CCB), teve a coerência, a coragem e a dignidade de repor em uso no CCB o português que falamos e escrevemos e não aquele a que o Acordo Ortográfico nos quer à força converter. António José Seguro – a quem jamais se conheceu uma causa que fosse – resolveu fazer deste acto de resistência cívica um desafio à autoridade do Governo e do Estado. Se, porém, se desse ao trabalho de pensar para lá da baba política, Seguro poderia meditar sobre a validade jurídica de um tratado que apenas algumas partes ratificaram e poderia questionar-se sobre as razões que levaram Moçambique e Angola a recusarem o tratado que, supostamente, lhes era destinado, antes de mais. E poderia ainda reflectir sobre o teor do editorial do oficioso “Jornal de Angola”, desta quarta-feira, quando se justifica a recusa da aceitação do AO dizendo que “não queremos destruir essa preciosidade (a língua portuguesa) que herdámos inteira e sem mácula” e que “se queremos que o português seja uma língua de trabalho na ONU, devemos, antes de mais, respeitar a sua matriz e não pô-la a reboque do difícil comércio das palavras. Há coisas na vida que não podem ser submetidas a negócios”. Veja, António José Seguro: são as nossas ex-colónias que recusam abandonar a língua que nós lhe levámos e que agora traímos. Quererá você também dar uma lição aos angolanos, nesta matéria?»

Miguel Sousa Tavares in Semanário "Expresso" 11/02/2012

Sunday, February 05, 2012

28.01.2012: the pain is so big I don't feel nothing at all...

Dor: inesperado murro no estômago - dos grandes - daqueles que alteram para sempre a nossa vida... falta de ar... impotência... stress constante...

Sunday, January 08, 2012

I'm not an alcoholic...!

Terapia de grupo...!


Quatro pacientes estão reunidos.
O terapeuta pede que todos se apresentem, digam qual é sua actividade e que comentem porque a exercem.
O primeiro diz:
- Chamo-me Francisco, sou médico porque me agrada tratar da saúde e cuidar das pessoas.
O segundo apresenta-se:
- Chamo-me Ângelo. Sou arquitecto porque me preocupa a qualidade de vida das pessoas e como vivem.
A terceira diz:
- Chamo-me Maria e sou lésbica. Sou lésbica porque adoro mamas e rabos femininos e fico louca só de pensar em fazer sexo com mulheres.
Faz-se um silêncio e então o quarto diz:
- Sou o Manuel Joaquim e até há pouco achava que era pedreiro, mas acabo de descobrir que sou é lésbica...