Associação Agostinho da Silva
Agostinho partiu faz hoje 28 anos, e no entanto permanece sempre actual, hoje mais do que nunca vale a pena divulgar o seu pensamento.
Temas possíveis: música, humor, poesia, leituras/reflexões sociais, políticas e económicas (a ordem é irrelevante). Palavras que eu gosto e expressões fora de uso: real gana, por exemplo! Mais: aqui escreve-se à moda antiga, isto é, estou em desacordo com o "acordo" ortográfico.
Agostinho partiu faz hoje 28 anos, e no entanto permanece sempre actual, hoje mais do que nunca vale a pena divulgar o seu pensamento.
"As Duffy said, being awake causes an accumulation of cellular byproducts and other neurological junk. The purpose of sleep, it seems, is to give your brain’s glymphatic system an opportunity to get rid of that junk. “The universal biological need for sleep across multiple species may, at least in part, reflect the need for glymphatic clearance,” the Trends authors wrote."
Um artigo muito interessante de Markham Heid, vale a pena ler na íntegra.
"Para todos os efeitos, os touros não sofrem maus tratos... portanto.... espetar um animal por recreação e gáudio de uns quantos mentecaptos reunidos num circo romano, até que o animal, vencido pelo cansaço, dor, humilhação, com os pulmões perfurados e a sangrar pelas narinas, termine o entretém proporcionado às abéculas acéfalas de boas famílias, dedicadas à indústria da tortura bovina desde o tempo dos reis, para finalmente ser abatido fora da arena e veja desta forma o fim do seu sofrimento dito recreativo e cultural... é considerado normal... É isso?
"Je pense qu'en vieillissant, on commence à prendre conscience de la valeur du temps que l'on passe ensemble. Ce n'est pas une question de cadeau ou d'action de grande envergure, c'est juste une question de partager ce que l’on a de plus cher, notre temps."
Sheree McDonald
"Nos últimos dias tenho lido tantos disparates sobre as vacinas que utilizam RNAm que vou tentar fazer aquilo que a DGS já devia ter feito e explicar, de forma mesmo MUITO simples, como é que estas vacinas funcionam.
Nesta data ficamos todos mais pobres, com a partida do político português quiçá mais honesto, íntegro e coerente com as suas convicções, que nos ensinou a "construir pontes" e respeitar aqueles que pensam diferente de nós.
Diz quem privou com ele, que era senhor de um humor espontâneo e muito presente no dia a dia. Lutou até ao fim pelos sonhos e ideais em que acreditava, desde os tempos das lutas estudantis em prol da liberdade e do progresso, asfixiados pela longa ditadura de 48 anos.
Era amigo de longa data (desde os tempos do MES - Movimento de Esquerda Socialista - ou talvez até antes) do falecido historiador César de Oliveira (de quem era compadre), antigo deputado da Assembleia da República e Presidente da Câmara de Oliveira do Hospital (e que ainda hoje é recordado como referência no poder autárquico da nossa região), com quem tive a honra de privar.
Obrigado, Presidente Jorge Sampaio, por ter sido um exemplo e uma referência na minha contínua aprendizagem dos valores da política, da integridade, do civismo e do humanismo.
"Les réseaux sociaux ont donné le droit à la parole à des légions d'imbéciles qui avant ne parlaient qu'au bar et ne causaient aucun tort à la collectivité. On les faisait taire tout de suite. Aujourd'hui ils ont le même droit de parole qu'un prix Nobel."
Umberto Eco
This town ain't big enough for both of us - Sparks
Miguel Torga - A Criação do Mundo
Miramar, 12 de Agosto de 1967 – Sessenta anos. Felizmente que ninguém deu pela conta, e pude calmamente, secretamente, meditar na significação deste dia crucial. Até há pouco, ia contando. Trinta, quarenta, cinquenta… Não era a juventude , evidentemente, mas havia ainda pano para mangas. Mais vinte , mais quinze…Tempo de sobra, enfim. Agora é que toda a ilusão se desvaneceu. Nem quarteirão, nem dúzia. Inexorável, a razão apenas me promete a decadência e o desenlace, no molho amargo de que tudo está feito e por fazer. É essa, de resto, a grande lição de humildade que a vida nos dá , se a esclerose não lavrou de mais e consente ao espírito o resgate duma lúcida contrição. Vamos seguindo confiados pela estrada fora. De repente, olhamos para trás , e que terramoto de ilusões! O que parecia grande mede um palmo, o que julgávamos sólido abana, o que dava a impressão de voar, patinha. Incrédulos, esfregamos os olhos. Mas não há dúvida. Desacertos sobre desacertos, erros palmares, ingenuidades confrangedoras. O saco de viagem abarrotado de falências. E de nada vale perguntar se as coisas se poderiam passar de outra maneira. Os factos são irreversíveis. No meu caso, então, só por milagre. Comecei mal e tarde. Enquanto outros partiram do saber, eu parti do sofrimento. Nenhuma porta se me abriu sem eu a arrombar. Lutei contra a pobreza, lutei contra a ignorância , lutei contra a idade, lutei contra os homens, lutei contra Deus, lutei contra mim. Uma infância rolada, de bola à mercê dos pontapés do mundo, uma juventude esfalfada, de estafeta atrasado na maratona da cultura , uma maturidade crispada, de indesejável na pátria. A criança desaninhada e perplexa nas encruzilhadas do destino, o rapaz a tentar a ferro e fogo fazer-se gente , o homem cercado de incompreensões. De maneira que era praticamente impossível que a árvore desse outros frutos. Tudo se conjugou nela e fora dela para um Outono sáfaro, que verifico nesta singeleza despida de ilusões. E triste , mas não há voltas a dar-lhe. Resta-me apenas uma consolação: embora derrotado, consegui chegar ao fim da aventura na pureza com que a iniciei, e remir pela consciência dum velho poeta a sangrar a inocência dum jovem poeta de versos de pé quebrado.