Sunday, September 10, 2023

Da série: Grandes Crónicas

 O TRAUMA DA MORADA

Um dos grandes problemas da nossa sociedade é o trauma da morada. Por exemplo, há uns anos, um grande amigo meu, que morava em Sete Rios, comprou um andar em Carnaxide.
Fica pertíssimo de Lisboa, é agradável, tem árvores e cafés. Só tinha um problema. Era em Carnaxide.
Nunca mais ninguém o viu.
Para quem vive em Lisboa, tinha emigrado para a Mauritânia!
Acontece o mesmo com todos os sítios acabados em -ide, como Carnide e Moscavide. Rimam com Tide e com Pide e as pessoas não lhes ligam pevide.
Um palácio com sessenta quartos em Carnide é sempre mais traumático do que umas águas-furtadas em Cascais. É a injustiça do endereço.
Está-se numa festa e as pessoas perguntam, por boa educação ou por curiosidade, onde é que vivemos. O tamanho e a arquitectura da casa não interessam. Mas morre imediatamente quem disser que mora em Massamá, Brandoa, Cumeada, Agualva-Cacém, Abuxarda, Alfornelos, Murtosa, Angeja… ou em qualquer outro sítio que soe à toponímia de Angola.
Para não falar na Cova da Piedade, na Coina, no Fogueteiro e na Cruz de Pau. (...)
Ao ler os nomes de alguns sítios – Penedo, Magoito, Porrais, Venda das Raparigas, compreende-se porque é que Portugal não está preparado para estar na Europa.
De facto, com sítios chamados Finca Joelhos (concelho de Avis) e Deixa o Resto (Santiago do Cacém), como é que a Europa nos vai considerar?
Compreende-se logo que o trauma de viver na Damaia ou na Reboleira não é nada comparado com certos nomes portugueses.
Imagine-se o impacte de dizer "Eu sou da Margalha" (Gavião) no meio de um jantar.
Veja-se a cena num chá dançante em que um rapaz pergunta delicadamente "E a menina de onde é?", e a menina diz: "Eu sou da Fonte da Rata" (Espinho).
Já para não falar em “Picha”, no concelho de Pedrógão Grande e de “Rata”, em Arruda dos Vinhos, Beja, Castelo de Paiva, Espinho, Maia, Melgaço, Montemor-o-Novo, Santarém, Santiago do Cacém e Tondela.
Temos, assim, em Portugal, uma “Picha” para 11 “Ratas”. O que vale é que mesmo ao lado da “Picha”, temos a “Venda da Gaita”...
E ainda existe “Colhões”, perto de Coimbra.
E suponhamos que, para aliviar, o senhor prossiga, perguntando "E onde mora, presentemente?", Só para ouvir dizer que a senhora habita na Herdade da Chouriça (Estremoz).
É terrível. O que não será o choque psicológico da criança que acorda, logo depois do parto, para verificar que acaba de nascer na localidade de Vergão Fundeiro?
Vergão Fundeiro, que fica no concelho de Proença-a-Nova, parece o nome de uma versão transmontana do “Garganta Funda”.
Aliás, que se pode dizer de um país que conta não com uma Vergadela (em Braga), mas com duas, contando com a Vergadela de Santo Tirso?
Será ou não exagerado relatar a existência, no concelho de Arouca, de uma Vergadelas?
É evidente, na nossa cultura, que existe o trauma da "terra".
Ninguém é do Porto ou de Lisboa.
Toda a gente é de outra terra qualquer. Geralmente, como veremos, a nossa terra tem um nome profundamente embaraçante, daqueles que fazem apetecer mentir.
Qualquer bilhete de identidade fica comprometido pela indicação de naturalidade que reze Fonte do Bebe e Vai-te (Oliveira do Bairro).
É absolutamente impossível explicar este acidente da natureza a amigos estrangeiros ("I am from the Fountain of Drink and Go Away...").
Apresente-se no aeroporto com o cartão de desembarque a denunciá-lo como sendo originário de Filha Boa.
Verá que não é bem atendido. Não há limites. Há até um lugar chamado Cabrão, no concelho de Ponte de Lima !!!
Urge proceder à renomeação de todos estes apeadeiros.
Há que dar-lhes nomes civilizados e europeus, ou então parecidos com os nomes dos restaurantes giraços, tipo : Não Sei, A Mousse é Caseira.
Vai Mais um Rissol. (...)
Também deve ser difícil arranjar outro país onde se possa fazer um percurso que vá da Fome Aguda à Carne Assada (Sintra) passando pelo Corte Pão e Água (Mértola), sem passar por Poriço (Vila Verde), e acabando a comprar rebuçados em Bombom do Bogadouro (Amarante), depois de ter parado para fazer um chichi em Alçaperna (Lousã).
Crónica de Miguel Esteves Cardoso

Wednesday, August 09, 2023

R.I.P. Sixto Rodriguez (10.07.1942 - 08.08.2023)

Sixto Rodriguez - Sugar Man

Tuesday, July 25, 2023

Wednesday, June 07, 2023

Keep on rolling

Faz hoje 60 (sessenta!!!) anos que os Rolling Stones editaram o primeiro single, um "cover" de Chuck Berry: Come On!
Longa vida aos dinossauros do Rock!...

The Rolling Stones - Come On

Friday, May 05, 2023

Japanese wisdom

 12 conselhos valiosos da cultura japonesa para viver melhor:

  1. Ikigai - Encontre um propósito na vida e siga-o.
  2. Hara hachi bu - Pare de comer quando estiver 80% satisfeito.
  3. Shinrin-yoku - Passe mais tempo em contato com a natureza.
  4. Kaizen - Busque a melhoria contínua em tudo o que faz.
  5. Wabi-sabi - Aprecie a beleza da imperfeição e simplicidade.
  6. Yūgen - Busque a compreensão profunda e misteriosa das coisas.
  7. Kintsugi - Encontre a beleza na reparação de objetos quebrados.
  8. Mono no aware - Esteja consciente da impermanência da vida e aprecie-a.
  9. Gambatte - Persista e dê o seu melhor em tudo o que fizer.
  10. Omotenashi - Trate os outros com hospitalidade e respeito.
  11. Shitsurai - Mantenha a ordem e a limpeza em seu ambiente.
  12. Omoiyari - Pratique a empatia e o cuidado com as outras pessoas.
       By Douglas Rann

Wednesday, March 22, 2023

Dia Mundial da Água

 

Declaração Universal dos Direitos da Água

1- A água faz parte do patrimônio do planeta;

2 – A água é a seiva do nosso planeta;

3 – Os recursos naturais de transformação da água em água potável são lentos, frágeis e muito limitados;

4 – O equilíbrio e o futuro de nosso planeta dependem da preservação da água e de seus ciclos;

5 – A água não é somente herança de nossos predecessores; ela é, sobretudo, um empréstimo aos nossos sucessores;

6 – A água não é uma doação gratuita da natureza; ela tem um valor econômico: precisa-se saber que ela é, algumas vezes, rara e dispendiosa e que pode muito bem escassear em qualquer região do mundo;

7 – A água não deve ser desperdiçada, nem poluída, nem envenenada;

8 – A utilização da água implica respeito à lei;

9 – A gestão da água impõe um equilíbrio entre os imperativos de sua proteção e as necessidades de ordem econômica, sanitária e social;

10 – O planejamento da gestão da água deve levar em conta a solidariedade e o consenso em razão de sua distribuição desigual sobre a Terra.


Saturday, November 19, 2022

Blond conversation

UN AVION EST EN vol VERS TORONTO, QUAND UNE BLONDE EN 2ème CLASSE SE LÈVE ET SE DÉPLACE VERS LA SECTION DE PREMIÈRE CLASSE ET S'ASSOIT.

L'HÔTESSE DE L'AIR LA REGARDE FAIRE ET DEMANDE À VOIR SON BILLET.

ELLE DIT ALORS À LA BLONDE QU'ELLE A PAYÉ POUR LA 2eme CLASSE ET QU'ELLE DEVRA S'ASSEOIR À L'ARRIÈRE.

LA BLONDE RÉPOND : "JE SUIS BLONDE, JE SUIS BELLE, JE VAIS À TORONTO ET JE RESTE ICI."

L'HÔTESSE DE L'AIR VA DANS LE COCKPIT ET DIT AU PILOTE ET AU COPILOTE QU'IL Y A UNE BIMBO BLONDE ASSISE EN PREMIÈRE CLASSE, QUI DOIT S'ASSEOIR EN 2eme CLASSE MAIS REFUSE D'Y RETOURNER.

LE COPILOTE RETOURNE VERS LA BLONDE ET ESSAIE D'EXPLIQUER QUE, PARCE QU'ELLE N'A PAYÉ QUE POUR une 2eme CLASSE , ELLE DEVRA RETOURNER À SON SIÈGE.

LA BLONDE RÉPOND : "JE SUIS BLONDE, JE SUIS BELLE, JE VAIS À TORONTO ET JE RESTE ICI."

LE COPILOTE DIT AU PILOTE QU'IL DEVRAIT PROBABLEMENT FAIRE ATTENDRE LA POLICE QUAND ILS ATTERRIRONT POUR ARRÊTER CETTE FEMME BLONDE TÊTUE.

LE PILOTE DIT, "VOUS DITES QU'ELLE EST BLONDE? JE VAIS GÉRER CELA, JE SUIS MARIÉ À UNE BLONDE. JE PARLE BLONDE."

IL RETOURNE VERS LA BLONDE ET chuchote à son oreille, ET ELLE DIT, "OH, JE SUIS DÉSOLÉE." ET SE LÈVE ET RETOURNE À SON SIÈGE EN 2ème CLASSE .

L'hôtesse de l'air et le copilote sont émerveillés et lui demandent ce qu'il avait dit pour la faire bouger en toute simplicité.

"JE LUI AI DIT , 'LA PREMIÈRE CLASSE NE VA PAS À TORONTO."

Friday, October 14, 2022

Tuesday, August 23, 2022

Humanismo no estado puro

Eu (ainda) tenho uma doença.

"Não sei se estas palavras acabarão de uma forma triste ou alegre. Como quase sempre escrevo sem saber onde isto vai dar. Há dois anos que tenho uma doença que me conseguiu tirar a vontade de viver. Se eu queria morrer? Digamos que não me importava muito. Eu perdi a vontade de viver, porque perdi o sentido da minha vida. Perdi a inspiração, perdi a motivação, perdi a capacidade de fazer tudo aquilo que eu quero fazer, e aquilo que é a única coisa que eu realmente sei fazer: ajudar a salvar vidas. Perdi a conta aos fins de semana inteiros que passei em casa sozinho a chorar. Acho que posso dizer que tenho ou tinha uma carapaça emocional muito forte. Já há muito que não sei quantas pessoas me morreram nas mãos, nem quantas eu ajudei a salvar. Mulheres, crianças, inocentes, terroristas... tudo. Pessoas. E mesmo tendo as emoções esticadas quase ao limite do que o ser humano possa aguentar, quebrei com esta merda desta doença. Bati no fundo vezes e vezes sem conta, descobrindo sempre um fundo mais fundo, sem saber se seria esse o verdadeiro fundo. O sofrimento e as tristezas corroeram a minha alma. As réplicas das ondas de choque do sofrimento são inimagináveis. Uma de muitas foi ver como a tristeza mudou a minha personalidade... para pior, claro. A solidão, a desilusão, a peneira dos que achava amigos/as são simbióticos com o que a dor crónica me tem causado. Fiz muito mal a mim próprio ao sofrer as dores da dor, e pior, ao não conseguir evitar, não afundar comigo as pessoas que são a minha razão de existir. Foi o que mais me doeu até hoje, mas talvez tenha sido aí que tudo mudou. Viver a mim tristeza, eu suporto, mas magoar e destruir o sol e a lua da minha vida, eu não conseguirei suportar. E por isso escrevo este texto, e por isso volto a escrever.
Há 3 coisas que paulatinamente me têm trazido mais sorrisos, mais força, e mais clareza de espírito. A primeira é a vontade de fazer feliz as pessoas de quem eu mais gosto. Simples, e é tudo o que interessa nesta vida. A segunda é uma melhor compreensão da minha doença. Sou um homem da ciência e carrego a cruz de ser o gestor do meu processo clínico, o que poderia parecer uma vantagem, mas no meu coração não o é. Até prova em contrário, as minhas dores crónicas dos membros inferiores, altamente agravadas pelas posturas de sentado e de pé, são o resultado de uma infecção de uma bactéria que se chama Borrelia, e que mesmo depois de tratada deixou informação no meu sistema imunitário para fazer mal aos meus nervos periféricos e ao meu sistema nervoso central. Isto não tem cura, mas pelo menos tem cara. E agora, com mais convicção sei que tipo de estratégias terapêuticas podem ter alguma utilidade, e não menos importante, que portas é que não vale a pena abrir. Devo ter sido infectado por causa dos meus cães, e mesmo assim adoro-os e nunca pergunto “porquê eu?”, porque a vida é mesmo assim. A nossa existência é preciosa mas frágil, e a única certeza que temos é que as doenças acontecem e que vamos morrer. O que me leva ao terceiro ponto. Vamos todos morrer, mas e até lá o que fazer? O sentido da vida. Simples, mágico e todo poderoso. Não é estanque, certamente não é o mesmo para todos, e está sempre a precisar de ser nutrido e consagrado. Talvez nunca mais venha a conseguir voltar a ser médico, o que me parte o coração em pedacinhos. Talvez nunca mais consiga ir em missão, o que para mim é como se me matassem um filho... mas, e este “mas” é a sumula do que eu quero dizer: Eu vou continuar a lutar pelas vozes que trago no meu coração, e pelas promessas que outrora fiz a mim próprio quando estava na minha versão mais bonita.
Entristece-me ver um mundo de gente fútil, snob, egoísta, hipócrita, gananciosa e com enorme desprezo para com a sua própria família chamada humanidade. Mas eu tive a sorte, o privilégio e por isso carrego a responsabilidade, de ter visto, convivido e trabalhado com os melhores dos melhores. Os bons. Os humanos. Os genuínos. Os carinhosos. Os corajosos. Os lutadores por algo maior do que nós próprios, porque só vale a pena viver por algo que estamos dispostos a morrer... e é esse o meu norte, o meu Porto, a minha inspiração, o meu sentido da vida. Sabendo que nada vou conseguir, mas serei feliz a tentar. Nós somos o problema, e nós somos a solução. E a nossa visão de mundo depende mais dos nossos olhos, do que do mundo propriamente dito, e a felicidade está no nosso sentido poético de saber escolher a perspectiva para melhor ver. Dito isto, somos as emoções que cultivamos.
Vou escrever, vou pintar, vou aprender, vou sonhar, vou sorrir, vou ensinar... sei lá. Vou fazendo o que o meu coração me disser, batendo pelo caminho certo. E se gostas mais dos sapatos do que do caminho, é porque não mereces caminhar.
Tenho muitas desilusões amarradas na garganta, mas tenho também uma boa mão cheia de gente a quem eu devo a minha vida, e que me fazem chorar de boas emoções e sorrir quando fecho os olhos. Por esses, tudo farei.
Comecei este texto a chorar e acabo a sorrir. Adorava não ter esta doença, mas tenho. Dizer que estou bem seria demasiado floreado, mas estou melhor, e no caminho certo.
O tal caminho... o da bondade, e da integridade que são as maiores riquezas que podemos almejar conquistar... e eu vou á luta, fazer por merecer.
Para a minha mãe, cuja beleza não cabe neste universo."

Gustavo Carona, in Facebook

Wednesday, August 17, 2022

Music was my first love...

"Ya sabes, cosas de viejos..."

20 Aniversario (palabras) - Patxi Andión

Monday, June 13, 2022

Um retrato do nosso SNS

"O DESCALABRO INTOLERÁVEL DO SNS

São muitas as razões que têm conduzido ao descalabro intolerável do SNS, a melhor conquista de Abril. O cidadão deve estar esclarecido relativamente aos factos, dados e doutrina que justificam a dramática agonia do SNS, para poder responsavelmente exigir a sua urgente reparação, que implica uma indispensável e profunda reforma. Passo a elencar um conjunto de razões que fundamentam e sustentam este meu parecer:
1. A verba do orçamento do Estado alocada à Saúde, é de cerca de 5% do PIB, em contraste com os 6.5% da média dos países da OCDE. A fracção consignada à promoção e prevenção da doença é insignificante e ridícula.
2. O SNS trabalha a baixo custo. As avaliações positivas referenciadas a nível internacional, decorrem em grande medida das fortes restrições financeiras suportadas pelos profissionais de saúde.
3. Os portugueses são, dentre os cidadãos europeus, os que mais pagam do seu bolso para garantir cuidados de saúde, para além da brutal carga de impostos.
4. Cerca de 1 em 10 portugueses não consegue comprar toda a medicação prescrita pelo seu médico.
5. Cerca de 40% dos portugueses dispõem de cobertura suplementar ( nomeadamente ADSE e Seguros), por falta de confiança no SNS ou receio de um atendimento não atempado.
6. Portugal é o segundo pior dos países europeus, quando se procede a uma avaliação subjectiva do estado de saúde dos cidadãos, mormente nos mais envelhecidos.
7. Projecções recentes evidenciam que em 2060 ocorrerá uma redução significativa na taxa de população, com cerca de 40% dos portugueses com idade superior a 65 anos. É fácil conjecturar sobre as consequências deste fenómeno, nomeadamente no âmbito da saúde.
8. Apesar deste alarmante aviso, Portugal continua a ser o país europeu com a pior cobertura nos cuidados de longa duração, só suplantado pela Polónia. Comparando com a média da OCDE ( 13% ), a média de cobertura da população entre nós é de 2.1%.
9. Com o aumento na longevidade, é inevitável o incremento nas doenças não transmissíveis. Assim, as doenças neurodegenerativas, cardiovasculares, metabólicas como a diabetes, oncológicas e outras, podem vir a ser potencialmente devastadoras, se nada for entretanto congeminado e precavido.
10. Continuamos na cauda da Europa nos resultados finais da prevalência e incidência da SIDA, sendo diagnosticadas tardiamente mais de metade das infecções. Por outro lado, Portugal apresenta dos piores resultados de toda a Europa no tocante à resistência a antibióticos e às infecções hospitalares.
11. No que respeita a recursos humanos, não tem havido a preocupação de valorizar e reter no SNS os profissionais de saúde. Muitos emigram ou transitam para o sector privado, por carência gritante de condições laborais. Por outro lado, existe uma distribuição irregular destes profissionais, acantonados preponderantemente em Lisboa, Porto e Coimbra. No restante território, a taxa de médicos, por exemplo, está abaixo da média da OCDE.
12. Quanto aos profissionais de enfermagem o cenário é ainda mais grave. Apenas dois terços da média europeia por milhar de habitantes. No serviço público, a relação enfermeiro/ médico é de 2.7 na OCDE, e de 1.3 em Portugal.
13. No nosso país, cerca de 2/3 dos profissionais de saúde labutam em hospitais ou em cuidados terciários, e só 1/3 nos cuidados primários. A porta de entrada não é o médico de família, como se afirma, passou a ser a urgência hospitalar. Um disparate.
14. A redução do horário laboral dos funcionários públicos para 35 horas semanais, repercutiu-se nefastamente na produtividade e despesa na saúde.
15. Aumentou escandalosamente o número de médicos «tarefeiros», com a agravante de muitos deles não serem especialistas , auferirem proventos superiores a médicos do quadro hospitalar não raro mais diferenciados, e não terem uma ligação permanente às instituições onde vão trabalhar.
16. Actualmente, cerca de 1,2 milhões portugueses não têm médico de família.
17. Entre 2020 e 2025 centenas de médicos entram na reforma.
18. Actualmente, cerca de metade das unidades de saúde primárias são USF, nas quais os profissionais são remunerados em função dos resultados, sendo a outra metade integrada por UCSP. Segundo os dados apurados, os resultados são melhores no primeiro modelo, podendo deste modo ocorrer desigualdades na qualidade dos cuidados prestados.
19. No tocante aos cuidados assegurados pelo SNS no domicílio, o desempenho tem sido deficitário.
20. Aumenta de forma chocante o número de doentes em lista de espera, ultrapassando os tempos definidos por lei e clinicamente aceitáveis, conforme relatórios do Tribunal de Contas e da Entidade Reguladora da Saúde, pelo que se avolumam as queixas sobre o mau funcionamento do SNS. Há especialidades médicas e cirúrgicas com tempos de espera de um, dois ou três anos.
21. De acordo com fontes oficiais, no ano de 2018, 30% das pessoas que morreram enquanto se encontravam em lista de espera, tinham já ultrapassado os tempos máximos da resposta devida.
22. Cerca de 2,8 milhões de portugueses têm um seguro de saúde, e há 1.2 milhões de beneficiários da ADSE, para não falar de outros sub-sistemas que recorrem ao sector privado da saúde. Donde, o SNS está a responder apenas a cerca de 60% da população e mesmo assim com progressiva quebra de qualidade.
23. Um estudo recente da OCDE ao procurar prever a realidade dos serviços de saúde dos seus Estados-membros em 2060, em termos da sua sustentabilidade, aponta para o facto de Portugal se confrontar desde já com um desafio: ou continua a fazer tudo como até agora e caminha para uma potencial despesa superior a 14% do PIB, o que se traduz numa insustentabilidade financeira do SNS, ou desenvolve urgentemente as reformas adequadas a garantir um SNS robusto, sem quebra dos seus princípios fundacionais.
Além disso:
24. A medicina personalizada e humanizada, cedeu paulatinamente lugar a uma medicina mecanizada, robotizada, sem alma. Os Serviços clínicos têm sido crescentemente congeminados pela tutela como estações de serviço que vendem saúde a retalho, ou oficinas de reparação técnica e mecânica de mazelas da máquina humana, ou fabriquetas de produção robotizada e acelerada de remendos para tapar e despachar uma maleita, mas não para cuidar do doente.
25. Congelaram escandalosamente as carreiras dos profissionais de saúde. E não existe uma avaliação rigorosa exigente e fiável do desempenho dos profissionais e das Instituições.
26. Como escandalosa é a nomeação para as Chefias por critérios de afinidade política, e não por mérito e competência.
27. Quando entrei para os HUC, na década de sessenta, com cerca de 600 camas, existiam dois administradores. Actualmente, segundo me informam, há mais de 50 elementos no quadro orgânico de gestão!!!
28. Um problema grave que se arrasta há anos no SNS tem a ver com o sub-financiamento crónico e gestão da dívida. A maioria do investimento de capital tem servido para abater a dívida acumulada, e não para solucionar problemas estruturais, como a substituição de equipamento obsoleto ou a construção de novas unidades de saúde. Acresce a isto, a fragilidade dos modelos de gestão e a ausência de autonomia concedida aos gestores da dívida.
29. Os profissionais de saúde, nomeadamente a classe médica e de enfermagem, não são culpados deste descalabro, como é óbvio. Têm indiscutível competência e merecem o aplauso público. Em meu entender, deviam ser mais reivindicativos e exigentes, porque lhes sobeja autoridade moral e profissional.
30. Intolerável é ver que se pretenda lançar mais alguns milhões sobre o SNS, delapidando dinheiro dos contribuintes, sem a mínima ideia dos objectivos a prosseguir. É um sinal inequívoco de despudorada e arrogante incompetência que vigora na Saúde, e que tem de ser urgentemente banida. Basta!"

 UM TEXTO DO PROF. DINIZ FREITAS

Tuesday, May 17, 2022

Sunday, April 24, 2022

25 de Abril SEMPRE!...

 "...Preocupem-se é com aqueles que querem sepultar o que eu ajudei a construir"

Monday, April 11, 2022

Music was my first love...

      


             Singin' in the rain - Gene Kelly


     E já lá vão 70 anos... mas permanece actual!

Sunday, April 03, 2022

In memoriam

 

    Associação Agostinho da Silva

Agostinho partiu faz hoje 28 anos, e no entanto permanece sempre actual, hoje mais do que nunca vale a pena divulgar o seu pensamento.

“(…) os povos chamados industrializados têm produzido muita máquina e têm destruído muita pessoa. Espero que os portugueses produzam menos máquinas, mas saibam mais desenvolver pessoas! Aquilo que se tem que fazer hoje no mundo não é mais coisas do que aquelas que se têm feito. O que é preciso é criar no mundo as condições necessárias para que as pessoas possam brotar delas próprias, para que gente que tem morrido aos milhões sem nunca realmente ter vivido a sua própria vida não tenha mais esse destino daqui por diante, possa viver vida completa. Isso é que é importante!”
Agostinho da Silva, in Antónia de Sousa, Diálogos com Agostinho da Silva. O Império acabou. E agora?, Casa das Letras, 2006, 6ª edição, p.33.

Sunday, February 06, 2022

A universidade da vida?

 

    Fanado nas *redes sociais*

Porque é que precisamos de dormir?

"As Duffy said, being awake causes an accumulation of cellular byproducts and other neurological junk. The purpose of sleep, it seems, is to give your brain’s glymphatic system an opportunity to get rid of that junk. “The universal biological need for sleep across multiple species may, at least in part, reflect the need for glymphatic clearance,” the Trends authors wrote."

Um artigo muito interessante de Markham Heid, vale a pena ler na íntegra.

Saturday, January 15, 2022

Rir é o melhor remédio!

Motoboy a 140 km/h . na Av. Brasil...
De repente, deu de encontro com um passarinho e não conseguiu desviar: Pahhh!!!
Pelo retrovisor, o cara ainda viu o bichinho dando várias piruetas no asfalto até ficar estendido. Não contendo o remorso ecológico, ele parou a moto e voltou para socorrer o bichinho.
O passarinho estava lá, inconsciente, quase morto.
Era tal a angústia do motoboy que ele recolheu a pequena ave, levou-a ao veterinário, foi tratada e medicada, comprou uma gaiola e a levou para casa, tendo o cuidado de deixar um pouquinho de pão e água para o acidentado.
No dia seguinte, o passarinho recupera a consciência.
Ao despertar, vendo-se preso, cercado por grades, com o pedaço de pão e a vasilha de água no canto, o bicho põe as asinhas na cabeça e grita:
PUT* QUE PARIU, MATEI O MOTOQUEIRO!! !

Tuesday, November 02, 2021

Ehhh... Touro lindo!

"Para todos os efeitos, os touros não sofrem maus tratos... portanto.... espetar um animal por recreação e gáudio de uns quantos mentecaptos reunidos num circo romano, até que o animal, vencido pelo cansaço, dor, humilhação, com os pulmões perfurados e a sangrar pelas narinas, termine o entretém proporcionado às abéculas acéfalas de boas famílias, dedicadas à indústria da tortura bovina desde o tempo dos reis, para finalmente ser abatido fora da arena e veja desta forma o fim do seu sofrimento dito recreativo e cultural... é considerado normal... É isso?

De boas famílias sou eu, Foda-se, que nunca vi no sofrimento alheio uma forma de diversão!!!!!!!!!!"

Rita Mendonça Gomes, in Facebook, em 2 de novembro de 2018

Monday, October 11, 2021

Pensamentos

"Je pense qu'en vieillissant, on commence à prendre conscience de la valeur du temps que l'on passe ensemble. Ce n'est pas une question de cadeau ou d'action de grande envergure, c'est juste une question de partager ce que l’on a de plus cher, notre temps."

Sheree McDonald

Monday, October 04, 2021

Rir (ainda) é o melhor remédio!

Un petit lapin court dans la jungle quand il aperçoit une girafe en train de se rouler un pétard. Le lapin s'arrête et dit a la girafe :
- Girafe, mon amie, ne fume pas ce pétard et viens plutôt courir avec moi pour garder la forme.
La girafe réfléchit une minute et décide de jeter son pétard pour suivre le lapin. Ils courent à présent ensemble, lorsqu'ils voient un éléphant qui s'apprête à sniffer de la coke. Le lapin s'approche de l'éléphant et lui dit :
- Ami éléphant, arrête de sniffer de la coke et viens courir avec nous pour maintenir ta forme.
Ni une, ni deux, l'éléphant balance son miroir et sa paille et suit les deux autres. En route, les trois animaux rencontrent un lion prêt à s'injecter de l'héroïne. Et le lapin de lui dire :
- Lion, compagnon, ne te pique plus. Viens plutôt courir avec nous. Tu vas voir que ça fait du bien.
Le lion s'approche du lapin et lui colle une baffe si énorme que le lapin s'en retrouve complètement assommé. Les autres animaux, choqués, se révoltent contre le lion :
- Pourquoi as-tu fait ça ? Ce lapin ne cherchait qu'à nous aider.
Et le lion répond :
- Ce connard m'oblige toujours à courir comme un fou dans la jungle à chaque fois qu'il prend de l'ecstasy.

In BLAGUE DE MERDE (Facebook)

Sunday, September 19, 2021

Serviço Público

"Nos últimos dias tenho lido tantos disparates sobre as vacinas que utilizam RNAm que vou tentar fazer aquilo que a DGS já devia ter feito e explicar, de forma mesmo MUITO simples, como é que estas vacinas funcionam.

PONTOS PRÉVIOS:
1. O coronavírus tem uma proteína, chamada Spike, que lhe permite acoplar-se às células humanas.
2. O RNAm (o "m" é de mensageiro) é uma espécie de livro de instruções que explica às células como produzir proteínas.
A VACINA
1. Em laboratório, os cientistas criam um RNAm sintético programado para ensinar as nossas células a produzir essa proteína Spike igual à do vírus.
2. Quando somos vacinados esse RNAm começa a "ensinar" as nossas células musculares (a vacina é dada num músculo) e elas começam a produzir proteínas Spike.
3. O nosso sistema imunitário reconhece as proteínas Spike como invasoras e começa a produzir anticorpos e células T para as eliminar.
4. As proteínas Spike são eliminadas pelo nosso sistema imunitário, o RNAm que nos foi injectado destrói-se (tem uma vida bastante curta) e nós ficamos com o nosso sistema imunitário apto a combater uma infecção por coronavírus.
OUTROS DADOS IMPORTANTES:
1. Nas vacinas convencionais o que é injectado no nosso corpo é o próprio vírus bastante enfraquecido ou morto. Claramente as vacinas com RNAm são uma vantagem uma vez que nenhum vírus nos é inoculado e a pequena parte dele que é replicada é produzida por nós próprios.
2. O grande problema em relação a esta vacina é não sabermos ainda quanto tempo esta imunidade dura. Sabemos que estamos protegidos enquanto o nosso sistema imunitário se lembrar como eliminou as proteínas Spike. Poderão ser seis meses, um ano, ou muito mais. Mas isso só saberemos com o tempo.
3. Para quem fica paranóico por ser injectado com RNAm sintético, lembrem-se que se forem infectados por coronavírus ele vos deixa lá o RNA dele TODINHO. Não só um bocadinho para produzir uma proteína específica mas o raio do RNA todo.
4. Isto não tem nada a ver com ADN. Zero. Nicles. O nosso ADN cá vai continuar. Os morenos vão continuar morenos. Os bonitos vão continuar bonitos. E os negacionistas da ciência vão continuar burros que nem uma porta.
Pronto, espero que a explicação (bastante simplificada) tenha sido perceptível. E também espero que a DGS e o MS se encarreguem de explicar isto aos portugueses, de preferência com uma linguagem simples e acessível e com um bom comunicador a transmitir a mensagem."
Fonte do texto : A mãe imperfeita ( Blogue Pessoal )

Autor: Ricardo Cruz

Friday, September 10, 2021

"Há mais vida para além..."

 


Jorge Sampaio (18.09.1939 - 10.09.2021)
Ex-Presidente da República de Portugal

Nesta data ficamos todos mais pobres, com a partida do político português quiçá mais honesto, íntegro e coerente com as suas convicções, que nos ensinou a "construir pontes" e respeitar aqueles que pensam diferente de nós.

Diz quem privou com ele, que era senhor de um humor espontâneo e muito presente no dia a dia. Lutou até ao fim pelos sonhos e ideais em que acreditava, desde os tempos das lutas estudantis em prol da liberdade e do progresso, asfixiados pela longa ditadura de 48 anos.

Era amigo de longa data (desde os tempos do MES - Movimento de Esquerda Socialista - ou talvez até antes) do falecido historiador César de Oliveira (de quem era compadre), antigo deputado da Assembleia da República e Presidente da Câmara de Oliveira do Hospital (e que ainda hoje é recordado como referência no poder autárquico da nossa região), com quem tive a honra de privar.

Obrigado, Presidente Jorge Sampaio, por ter sido um exemplo e uma referência na minha contínua aprendizagem dos valores da política, da integridade, do civismo e do humanismo.

Sunday, September 05, 2021

As redes sociais e a imbecilidade inerente

"Les réseaux sociaux ont donné le droit à la parole à des légions d'imbéciles qui avant ne parlaient qu'au bar et ne causaient aucun tort à la collectivité. On les faisait taire tout de suite. Aujourd'hui ils ont le même droit de parole qu'un prix Nobel."

Umberto Eco


Monday, August 16, 2021

Friday, August 13, 2021

A vida (tal como ela é)

Miguel Torga - A Criação do Mundo

Miramar, 12 de Agosto de 1967 – Sessenta anos. Felizmente que ninguém deu pela conta, e pude calmamente, secretamente, meditar na significação deste dia crucial. Até há pouco, ia contando. Trinta, quarenta, cinquenta… Não era a juventude , evidentemente, mas havia ainda pano para mangas. Mais vinte , mais quinze…Tempo de sobra, enfim. Agora é que toda a ilusão se desvaneceu. Nem quarteirão, nem dúzia. Inexorável, a razão apenas me promete a decadência e o desenlace, no molho amargo de que tudo está feito e por fazer. É essa, de resto, a grande lição de humildade que a vida nos dá , se a esclerose não lavrou de mais e consente ao espírito o resgate duma lúcida contrição. Vamos seguindo confiados pela estrada fora. De repente, olhamos para trás , e que terramoto de ilusões! O que parecia grande mede um palmo, o que julgávamos sólido abana, o que dava a impressão de voar, patinha. Incrédulos, esfregamos os olhos. Mas não há dúvida. Desacertos sobre desacertos, erros palmares, ingenuidades confrangedoras. O saco de viagem abarrotado de falências. E de nada vale perguntar se as coisas se poderiam passar de outra maneira. Os factos são irreversíveis. No meu caso, então, só por milagre. Comecei mal e tarde. Enquanto outros partiram do saber, eu parti do sofrimento. Nenhuma porta se me abriu sem eu a arrombar. Lutei contra a pobreza, lutei contra a ignorância , lutei contra a idade, lutei contra os homens, lutei contra Deus, lutei contra mim. Uma infância rolada, de bola à mercê dos pontapés do mundo, uma juventude esfalfada, de estafeta atrasado na maratona da cultura , uma maturidade crispada, de indesejável na pátria. A criança desaninhada e perplexa nas encruzilhadas do destino, o rapaz a tentar a ferro e fogo fazer-se gente , o homem cercado de incompreensões. De maneira que era praticamente impossível que a árvore desse outros frutos. Tudo se conjugou nela e fora dela para um Outono sáfaro, que verifico nesta singeleza despida de ilusões. E triste , mas não há voltas a dar-lhe. Resta-me apenas uma consolação: embora derrotado, consegui chegar ao fim da aventura na pureza com que a iniciei, e remir pela consciência dum velho poeta a sangrar a inocência dum jovem poeta de versos de pé quebrado.


Diário X
Imagem: Miguel Torga com a filha (Professora Dr. Clara Rocha) retirado da Fotobiografia de Miguel Torga.