Monday, June 04, 2018

Restaurantes não são santuários!

Com a devida vénia, reproduzo na íntegra um belíssimo texto, publicado no facebook pelo meu amigo Zé Abranches, sobre o fundamentalismo das cozinhas "gourmet", "chefs", estrelas michelin e afins...!

"Estou cansado da religião dos chefs: restaurantes não são santuários
O melhor restaurante do mundo? Ora, ora: é o Eleven Madison Park, em Nova York. Parabéns, gente. A sério. Espero nunca vos visitar. Entendam: não é nada de pessoal. Acredito na vossa excelência. Acredito, como dizem os críticos, que a vossa mistura de "cozinha francesa moderna" com "um toque nova-iorquino" é perfeitamente comparável às 72 virgens que existem no paraíso corânico.
Mas eu estou cansado da religião dos chefs. Vocês sabem: a elevação da culinária a um reino metafísico, transcendental, celestial. Todas as semanas, lá aparece mais um chef, com a sua igreja, apresentando o cardápio como se fossem as sagradas escrituras.
Os ingredientes não são ingredientes. São "elementos". Uma refeição não é uma refeição. É uma "experiência". E a comida, em rigor, não é comida. É uma "composição".
Já estive em vários desses santuários. Quando a comida chegava, eu nunca sabia se deveria provar ou rezar. Os meus receios sacrílegos eram acentuados pelo próprio garçom, que depositava o prato na mesa e, em voz baixa, confidenciava o milagre que eu tinha à minha frente:
– Pato defumado com pétalas de tomate e essências de jasmim.
Escutava tudo com reverência, dizia um "obrigado" que soava a "amém" e depois aproximava o garfo trêmulo, com mil receios, para não perturbar o frágil equilíbrio entre as "pétalas" e as "essências".
Em raros casos, sua santidade, o chef, aparecia no final. Para abençoar os comensais. No dia em que beijei a mão de um deles, entendi que deveria apostatar.
E, quando não são santos, são artistas. Um pedaço de carne não é um pedaço de carne. É um "desafio". É o teto da Capela Sistina aguardando pelo seu Michelangelo.
Nem de propósito: espreitei o site do Eleven Madison Park. Tenho uma novidade para dar ao leitor: a partir de 11 de abril, o Eleven vai fazer uma "retrospectiva" (juro, juro) com os 11 melhores pratos dos últimos 11 anos.
"Retrospectiva." Eis a evolução da história da arte ocidental: a pintura rupestre de Lascaux; as esculturas gregas de Fídias; os vitrais da catedral gótica de Chartres; os quadros barrocos de Caravaggio; a tortinha de quiche de ovo do chef Daniel Humm.
Gosto de comer. Gosto de comida. Essas duas frases são ridículas porque, afinal de contas, sou português. E é precisamente por ser português que me tornei um ateu dos "elementos", das "composições" e das "essências". A religião dos chefs, com seu charme diabólico, tem arrasado os restaurantes da minha cidade.
Um deles, que fica aqui no bairro, servia uns "filetes de polvo com arroz do mesmo" que chegou a ser o barómetro das minhas relações amorosas: sempre que estava com uma namorada e começava a pensar no polvo, isso significava que a paixão tinha chegado ao fim.
Duas semanas atrás, voltei ao espaço que reabriu depois das obras. Estranhei: havia música ambiente e a iluminação reduzida imitava as casas de massagens da Tailândia (aviso: querida, se estiveres a ler esta crónica, juro que nunca estive na Tailândia).
Sentei-me. Quando o polvo chegou, olhei para o prato e perguntei ao dono se ele não tinha esquecido alguma coisa. "O quê?", respondeu o insolente. "O microscópio", respondi eu.
Ele soltou uma gargalhada e explicou: "São coisas do chef, doutor." "Qual chef?", insisti. Ele, encolhendo os ombros, respondeu com vergonha: "O Agostinho". O cozinheiro virou chef e o meu polvo virou calamares.
Infelizmente, essa corrupção disseminou-se pela pátria amada. Já escrevi sobre o crime na imprensa lusa. Ninguém acompanhou o meu pranto.
É a música ambiente que substituiu o natural rumor das conversas. É a iluminação de bordel que impede a distinção entre uma azeitona e uma barata. É o hábito chique de nunca deixar as garrafas na mesa, o que significa que o garçom só se apercebe da nossa sede "in extremis" quando existem tremores alcoólicos e outros sinais de abstinência. Meu Deus, onde vamos parar?
Não sei. Mas sei que já tomei providências: no próximo outono, tenciono aprender a caçar. Tudo serve: perdiz, lebre, javali. Depois, com uma fogueira e um espeto, cozinho o bicho como um homem pré-histórico.
O pináculo da civilização é tortinha de quiche de ovo do chef Daniel Humm? Então chegou a hora de regressar às cavernas de Lascaux."

Thursday, May 03, 2018

O "Maio de 68" foi há cinquenta anos

- É proibido proibir!
- A imaginação ao poder!
- Seja realista, exija o impossível!...

Estas e outras frases tornaram-se célebres, no âmago dum movimento social que sem dúvida nos fez pensar de outra maneira, e nos criou a esperança - ou a ilusão? de acreditar que seria possível um mundo melhor...


Daniel Cohn-Bendit

"O mês de maio de 1968 revolucionou a França e também a Europa... Há cinquenta anos, esse movimento social de estudantes e trabalhadores mudou a história do velho continente.
Tudo começou com a mobilização dos estudantes parisienses, um movimento libertário essencialmente antiautoritário que denunciou, na época, o imperialismo em todas as suas formas, reivindicou a libertação da moral e desafiou a velha universidade e a sociedade de consumo que haviam conquistado França após 10 anos de prosperidade e o início do desemprego.
As manifestações foram seguidas de repressão policial. Entre maio e junho de 1968, contam-se pelo menos sete mortos, mais de 2.000 feridos e centenas de detenções.
O maio francês está alinhado com o que está a acontecer nos círculos de estudantes e trabalhadores em países como a Alemanha, Estados Unidos, México, Japão, Brasil, Checoslováquia e na China.
A causa estudantil atraiu a simpatia dos trabalhadores, inicialmente hostis ao movimento estudantil. A 13 de maio de 1968 iniciam a maior greve geral do século XX, superando a de 1936 da Frente popular. O país fica semanas paralisado." 
In Euronews; o artigo completo aqui

Sunday, April 15, 2018

Calinadas fardadas

Um amigo de longa data enviou-me estes "tesourinhos", que agora partilho...!

*Coisas que agentes da PSP e GNR escrevem em autos.
De chorar a rir… ou então não: 
1. Um agente da PSP desloca-se à residência de um casal que anda desavindo e escreve no auto de notícia que: “o sr. x anda muito frustrado porque pagou cerca de 5 mil euros pelos implantes mamários da sua mulher e suspeita que outro cidadão está a usufruir desses dividendos”.
2. Escrevia um PSP num auto de notícia: “Numa ação de fiscalização, estando eu de arvorado ao carro patrulha, mandei parar o veículo supra identificado e pedi ao condutor os documentos pessoais e da viatura. Em resposta, disse-me aquele que se o autuasse me iria ao cú, o que fez três vezes.”
3. A GNR participa acidente e explica que “naquele local o asfalto da estrada era de terra batida”.
4. O gatuno era “herdeiro e vozeiro naquele tipo de condutas”.
5. Auto de notícia em que se diz que a ofendida foi encontrada em “lã-jeri”.
6. O arguido era “de raça nómada”.
7. Auto de notícia em que a GNR denuncia o furto de 24 galinhas das quais uma era galo.
8. O arguido resolve acabar o seu requerimento de uma forma cordial: ” Pede deferimento” e logo a seguir … “As minhas sinceras condolências”.
9. “O denunciado proferiu vários impropérios na Língua de Camões e também em língua francesa”
10. “O individuo trazia o produto estupefaciente junto do órgão genital masculino vulgo pénis”
11. Diligência de inquérito: “Solicite à PSP que, em 48h, diligencie por identificar o denunciado que se sabe ter cerca de 16 anos e usar boné”
12. Quem comete o crime de “borla” é um “borlista” profissional.
13. Auto de denúncia: “enquanto proferiam tais ameaças permitiam-se ainda chamar nomes ofensivos tais como “puta, vaca, jornalista, advogada, ladra, que era boa era para ir para a Ordem dos Advogados”.
14. Um arguido antes de bater no ofendido atirou-lhe com uma caixa em plástico, “nomeadamente um tampa-ruer”.
15. “O arguido atirou um paralelo-ipípado”.
16. “O arguido trazia uma techerte azul às riscas”.
17. “Os meliantes colocaram-se em fuga, ao volante de uma Picap”
18. Na sequência de uma queixa por crime de furto de um veículo, a GNR informa que recuperou a dita viatura, no entanto a mesma vinha cheia de moças.
19. Caso de uma averiguação de causa de morte em que foi determinada a “autópsia parcial” do cadáver.
20. Exmo. Sr. Procurador
Venho comunicar a V. Exa. que na EN que liga Penamacor ao Sabugal foi encontrado um cadáver morto, que pela fala parece ser espanhol…

Thursday, March 01, 2018

Is CRISPR a hope?

"Deng has advanced cancer of the esophagus, a common form of cancer in China. He went through radiation and chemotherapy, but the cancer kept spreading.
Now he's back at the hospital to get an experimental treatment. It involves using cells from his own immune system, known as T cells, after they have been taken out of his body and genetically altered in a lab by the gene-editing tool called CRISPR."

Será CRISPR a cura para o cancro...? O artigo completo aqui.

Tuesday, February 27, 2018

Pensamentos

"Meus amigos a vida é assim continuem a perder tempo em futilidades e maldades que o nosso fim é comum a todos, só diverge a hora... em vez de apontarem erros aos outros olhem primeiro para vocês.."
Assim falava o Padre... sacado no twitter via happiness1906

Tuesday, January 23, 2018

Bestialidades

O bicho do caruncho foi acusado de assédio sexual: andava a comer a secretária...
("roubado" ao tuiteiro antoniosantos56)

Thursday, January 18, 2018

Estado assume mais buracos do Novo Banco

No dia internacional do riso (?!), esta história do Banco mau e do Banco bom - possivelmente mal contada - não é para rir.
Certo, certo é serem sempre os mesmos a pagar, ou seja, o Zé Povinho.

Embora o moderador seja algo suspeito, dadas as "calinadas" a que é atreito, vale a pena ver a entrevista na SIC Notícias, em particular a partir do minuto 30...